terça-feira, 27 de outubro de 2015

O Inimitável Roberto Carlos - 1968


O Inimitável Roberto Carlos

Lado A
1.       E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só (Antonio Marcos)
2.       Ninguém Vai Tirar Você de Mim (Edson Rineiro – Hélio Justo)
3.       Se Você Pensa (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)
4.       É Meu, É Meu, É Meu (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)
5.       Quase Fui Lhe Procurar (Getúlio Côrtes)
6.       Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)

Lado B
1.       As Canções Que Você Fez Pra Mim (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)
2.       Nem Mesmo Você (Helena dos Santos)
3.       Ciúme de Você (Luiz Ayrão)
4.       Não Há Dinheiro Que Pague (Renato Barros)
5.       O Tempo Vai Apagar (Paulo César Barros – Getúlio Côrtes)
6.       Madrasta (Renato Teixeira – Beto Ruschel)


Mudando um pouco o estilo das postagens aqui do blog Súditos, talvez até motivado pelo disco que é uma enorme mudança no estilo e na abordagem. 1968 foi um ano de mudanças em muitas áreas da cultura. Na música Roberto já começava o ano ganhando o Festival de San Remo. Pouco depois deixou o comando do programa Jovem Guarda. E começava uma nova era na carreira de Roberto. Roberto Carlos em Ritmo de Aventura é um disco maravilhoso, tem bastante Iê, Iê, Iê e as letras do disco não foge muito do estilo de letra dos discos anteriores. Mas O Inimitável é o disco da mudança radical em estilo, conceito, instrumentação e abordagem.
Já começa pela capa, a foto traz Roberto e seu violão com uma folha de papel sobre a mesa. Já mostra o Roberto Carlos compositor, antes de qualquer coisa. A foto parece ser em seu apartamento na cidade de São Paulo na época.
O disco anterior abria com Eu Sou Terrível, um rock cheio de guitarras, condução perfeita de bateria e baixo e metais.
Inimitável abre com E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só do saudoso Antonio Marcos. Fugindo um pouco dos habituais namoros no portão, como Roberto diz em Nossa Canção ao vivo no disco de 1998 “Amassos que não podiam passar das dez da noite...”. A canção de Antonio Marcos tem uma abordagem mais adulta, o arranjo tem uma pegada mais séria, mais trabalhada e os violinos começam a aparecer nos discos do Roberto. Ninguém Vai Tirar Você de Mim também traz uma nova forma da banda executar as músicas, ainda com guitarras em evidência, baixo e bateria, mas aqui a banda está diferente, aliás, no disco todo pode se perceber essa diferença. A letra fala do amor em que nada mais interessa, a determinação de (não vou ser triste e nem chorar por mais ninguém). A entrega de corpo e alma em (esqueço tudo até de mim, quando estou perto de você). Parece tratar de um amor novo (O nosso amor é puro, espero nunca acabar). Se Você Pensa por sua vez chuta o balde em afirmações como (daqui pra frente, tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente, seu orgulho)... uma postura mais agressiva e intimidadora. É Meu, É Meu, É Meu, Música que foi revisitada no especial de 2012 com as personagens da novela “Cheias de Charme” e traz em seu arranjo a gaita. Revisita a inocência dos discos anteriores como na citação em que diz que nada tem mais charme do que o joelhinho da garota. A letra descreve os encantos do corpo feminino da cabeça aos pés.
Do mesmo autor de O Sósia, Negro Gato, nesse disco tem Quase Fui Lhe Procurar. A citação (... pra dizer, que errei...) traz a caída de ficha de reconhecer o erro (sabe-se lá qual tenha sido) e consertar tudo.
Música que voltou a ser destaque nos repertórios atuais, uma das músicas que foram revisitadas a partir do acústico. Roberto canta em seus shows logo no começo.

O lado B começa com outra música que deixa o rock um pouco de lado, assim como no disco todo. Roberto estava mudando de estilo. Já devo ter falado nessa postagem, mas repare bem nos instrumentos, o disco está com uma pegada bem soul. Como Roberto contou uma vez, Dedé seu baterista na época namorava a Martinha e um dia o namoro terminou, Roberto pensando na situação compôs essa obra prima. Música que foi regravada por Maria Bethânia com um arranjo que eu gosto muito. Na versão do disco O Inimitável a música termina com uma citação de Nossa Canção (do disco de 1966), porém instrumental na guitarra. Depois de uma música romântica, o disco começa esquentar com Nem Mesmo Você de Helena dos Santos, a compositora de origem humilde, mas de grandes canções. Me bateu uma dúvida agora ouvindo, claro, o vinil. Será que nessa época nos discos nacionais já se faziam os overdubs (gravação sobreposta), pois a voz de Roberto no refrão Roberto canta consigo mesmo uma terça acima.  O solo de gaita junto com a guitarra seria mais legal (na minha opinião se fosse um duelo) cada frase para cada instrumento. Um de cada vez. Ciúme de Você do nosso querido Luiz Ayrão é a minha cara. Ciumento convicto e neurótico. Podemos linkar ela com Meu Ciúme de Sullivan e Massadas do disco de 1990. Passam os anos mas ciúme é ciúme em qualquer época. Sou da opinião: Quem ama cuida! Não Há Dinheiro Que Pague de Renato Barros do Renato E Seus Blue Caps, é um soul perfeito, a música tem uma pegada eu diria psicodélica, lembra um pouco a Let The Sunshine In do filme Hair. O Tempo Vai Apagar de Paulo César Barros e Getúlio Côrtes é uma música que tem uma letra que fala de fim de relacionamento e aceitação, (não vejo motivo pra contestar... não sofrerei pois bem sei isso passa e o tempo vai apagar), fortíssima. Imagino que essa música já fez muito/a fã chorar em até os dias de hoje. O disco fecha saudando a chegada de um novo membro da família, Madrasta de Renato Teixeira e Beto Ruschel. É MPB pura. Com todas suas dissonâncias.

Considerações Finais:

O Inimitável Roberto Carlos é um disco obrigatório para todo mundo que gosta de boa música. Pode até não curtir Roberto, mas esse disco é obrigatório. Era a transição da ingenuidade do Iê, Iê, Iê para as letras adultas e produção um pouco mais arrojada dos anos 70, bem antes da tecladeira predominante dos anos 80. A banda está afinadíssima. 

4 comentários:

  1. Disco que só tem pérolas, mas vou falar exatamente da última. Madrasta. Essa gravação do Roberto que surgiu devido a participação dele no Festival da Record de 1968 quando ele defendeu esta canção de Beto Ruschel e Renato Teixeira. Em função da não classificação dessa música para a final, Roberto nunca mais participou de festivais no Brasil (curiosamente no mesmo ano ele seria vencedor em San Remo, com Canzone Per Te). Só vim a conhecer essa música ouvindo o vinil (presente da minha madrinha), talvez a única do disco que não tocou no rádio. Provavelmente a própria gravadora não deve ter visto como muito comercial a canção lenta, com uma letra muito diferente. No entanto, para mim (e pro Caetano Veloso que cita essa gravação do Roberto em sua música Pra Ninguém, na qual aponta algumas de suas principais gravações de cantores da música brasileira) é uma das mais belas interpretações do Rei. E não podemos esquecer do belíssimo arranjo.

    abraço, mano!

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  2. Grande Robert Moura, sempre presente aqui no blog. Pois é, essa história eu não conhecia. Realmente "Madrasta" foge bastante da linha que o Roberto vinha trabalhando desde o Splish Splash, mas é uma tremenda música e sim, um tremendo arranjo.
    Abraço mano.

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  3. Disco Perfeito! Top! Faltam adjetivos! E a banda, a instrumentação, enfim, tudo que eu prezo numa boa música, tão no talo!

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    1. Obrigado Sabrina pela visita e comentário. Realmente, o disco é lindo mesmo.

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