quinta-feira, 18 de junho de 2015

O DISCO DE 1996


O DISCO DE 1996

Lado 1
  1. Mulher de 40 (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  2. Cheirosa (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. Quando Digo Que Te Amo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  4. Amor Antigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  5. Como É Grande O Meu Amor Por Você (Roberto Carlos)

Lado 2
  1. O Terço (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  2. Tem Coisas Que A Gente Não Tira do Coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. Comandante do Seu Coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  4. Assunto Predileto (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
  5. O Homem Bom (Paulo Sete e Clayton Querido) Adaptação de Texto: Roberto Carlos

Mulher de 40 (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Depois de fazer homenagens como Coisa Bonita, Mulher Pequena, O Charme dos Seus Óculos, a dupla Roberto e Erasmo homenageiam as mulheres de 40. No ano desse disco Roberto Carlos lançou o disco no programa Domingão do Faustão. Programa que eu parei tudo que estava fazendo pra assistir. 1995 tinha sido um ano meio difícil em casa, a coisa estava tão feia que até sem TV eu e mamãe ficamos. Mas depois as coisas melhoraram um pouquinho e pude assistir o Roberto no Faustão lançando o disco. O disco Senhoras e Senhores. O último disco em vinil do Roberto a sair no Brasil. Mas eu não lembro se já tinha o disco em mãos, ou se comprei naquela semana em uma das últimas lojas de disco que lembro ainda na Vila Prudente em São Paulo.

Cheirosa (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
E aqui voltamos à diversidade de ritmos e estilos presentes nos discos de Roberto nos anos 90. Aliás, os discos de Roberto dos anos 90, o Roberto dos anos 90 que muita gente critica, tem uma particularidade única. Ele não se prendeu em estilo nenhum, quem não lembra do disco seguinte de 1997 onde ele só gravou boleros. A canção Cheirosa tem um ritmo gostoso e a letra tem um toque de sensualidade “Meu bem isso não se faz com quem trabalha”... “Esse perfume a cabeça me embaralha/ De terno e gravata o que é que eu vou fazer?”

Quando Digo Que Te Amo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Um dos pontos altos do disco. Uma canção no padrão RC de qualidade. Não lembro se essa música tocou no rádio na época. Mas bem merecia entrar na programação das grandes rádios. O solo de sax é do Milton Guedes. Eu diria que é uma música na mesma linha de Música Suave de 1978 e Amante À Moda Antiga de 1980.

Amor Antigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
A dupla Roberto e Erasmo atacam em um tema novo. O amor antigo sufocado. Quantas vezes a gente já passou por isso. Isso é algo muito perigoso. Tem mulher que às vezes até acaba com a amizade além de vir com aquele fora clássico (Ah, mas você está confundindo as coisas). O que é uma mentira, pois a gente é que se apega. Mas incomoda quando a gente se disponibiliza de (sou todo ouvidos) e elas vem contando tudo e mais um pouco. Mas na hora do (... Vou fazer o que o meu coração me obriga / Arriscando essa amizade tão antiga / Já não sei ficar calado...) é complicado. Solo de sax do Léo Gandelman.

Como É Grande O Meu Amor Por Você (Roberto Carlos)
Música de 1967 regravada com arranjo mais próximo aos shows atuais. Com direito a subida de tom no meio da música, Roberto declamando parte da letra.



O Terço (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
No especial de 1998, Roberto e Erasmo revisitaram essa música e foi mencionado da demora muitas vezes para se concretizar uma letra. Erasmo citou O Terço, demoraram muito para terminar a música. Letra profunda, nos leva a reflexão. Você que escuta o disco pode até não ser católico praticante, mas faço um convite para que preste atenção nessa letra. Roberto na última entrevista ao Jô Soares disse que em certa época estava fazendo curso pra santo.

Tem Coisas Que A Gente Não Tira do Coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Essa música eu adorei de cara, desde a primeira vez que a ouvi. Mesmo a gente não passando por tais situações que Roberto canta, mas me leva para um tempo legal que eu vivia em 1996. Essa coisa do reencontro as frases (já tenho também outro amor / aprendi a viver sem você / também minha vida refiz...) enfim, pensei que jamais pudesse chegar um dia a dizer isso, mas hoje posso dizer sim se reencontrar um certo alguém, tá bom, tá bom, foram... ah deixa pra lá.

Comandante do Seu Coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O disco é de 1996, porém em 97 Roberto foi ao programa Em Nome do Amor do SBT apresentado pelo Silvio Santos receber não um mas três Troféus Imprensa, premiação que indica quem mais se destacou como melhor cantor(a), ator, atriz, jornalista, novela, programa de TV, a lista é imensa. Em um sofá Roberto foi entrevistado por Silvio Santos e terminou cantando seus mais recentes sucessos que fazem parte desse disco: Mulher de 40 e Comandante do Seu  Coração.

Assunto Predileto (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Música da mesma dupla que fez Confissão em 1980. A letra fala das (...vezes em que a gente passa pelo amor sem saber que está diante do que sempre procurou) e (nessa hora que a gente sabe o que é solidão). Solo de Flugel de Tony Conception.

O Homem Bom (Paulo Sete e Clayton Querido) Adaptação de Texto: Roberto Carlos
Roberto que abre o disco Canta Para A Juventude em 1965 cantando “História de um Homem Mau”, fecha o disco de 1996 cantando “O Homem Bom”. A letra fala de um homem que anda pelo mundo fazendo o bem, não importa a quem, dividindo o que tem, que conhece as escrituras sagradas... Não importa o nome desse homem. Lembro-me de um amigo meu, fã de Roberto na época quando me falou sobre o disco (embora eu já tivesse) que o Homem Bom da música era ele. Na interpretação desse meu amigo, Roberto estava cantando sobre ele mesmo.

Considerações Finais
O disco de 1996 foi o último álbum do rei a ser lançado em vinil no Brasil. No ano seguinte, 1997 acabava de vez a produção de discos no Brasil. Uma perda imensa da qual não nos recuperamos (eu pelo menos) até os dias de hoje. Pois nos anos seguintes fomos surpreendidos com grandes discos como o Acústico em 2001, Pra Sempre, Amor Sem Limite, o disco de 2005...
Foto Luis Garrido
Produção de Mauro Motta


Coluna Um Milhão de Amigos por Luiz Fernando - Coletânea de 1987


Edição em CD da coletânea de 1987 de Roberto Carlos, datada de 1994 ou 1995, fabricada pela Sony DADC Pitman - U.S.A. (Estados Unidos), livreto e estojo fabricados no Brasil. O CD vem com as iniciais "C M U", iniciais provenientes do lugar de origem do CD fabricado.






quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Disco de 1983


Postagem feita especialmente para o Portal Clube do Rei no dia 04 de Julho de 2014



Lado A
1.    O Amor é  a Moda (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjo Charlie Callelo (Cordas) / Jimmy Wisner
Roberto e Erasmo usam aqui os termos “antiquado” e “quadrado”. Isso talvez se deva ao péssimo hábito de rotular a música romântica de brega. Entendo por brega canções características da década de 1970 com apelo forte, vindo da região norte do Brasil. Nunca achei o trabalho de Roberto Carlos brega, mas infelizmente muita gente acha. Roberto sempre cantou o amor e sempre o que ele acredita, ele só canta as coisas que acredita. O termo “antiquado” aqui se deve ao “amar e demonstrar o amor é fora de moda” o que não é verdade. Roberto e Erasmo já tinham falado disso em Amante à Moda Antiga. A letra de “O Amor é a Moda” é excelente.

2.    Recordações e Mais Nada  (Roberto Carlos / Fred Jorge) Arranjo Eduardo Lages
Parceria de Roberto e Fred Jorge. O baixo dessa música está com uma equalização diferente e moderna. A letra fala de um amor que “...se consumiu por inteiro como um cigarro esquecido, na borda de algum cinzeiro”. Iguais aqueles cigarros que a gente esquece e vai na cozinha, ou sai de casa. Eu pelo menos sou neurótico com isso e sempre volto pra certificar-me. Grande arranjo de Eduardo Lages.

3.    Estou Aqui  (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjo: Jimmy Wisner
Grande mensagem ecumênica (não se prende a uma religião específica, pois fala de Jesus Cristo). O lado cristão de Roberto é uma característica muito forte. Lembro do amigo e diretor de Roberto o Vanucci falando isso em um especial de fim de ano: “Essa coisa do Cristo do Roberto... “ Outra forma de abordagem na letra é “Cristo, meu amigo” nos leva realmente a refletir, Jesus Cristo é sim nosso amigo.

4.    Preciso De Você  (Mauro Motta / Eduardo Ribeiro)  Arranjo: Artie Butler
Como em todos os discos de Roberto, a diversidade de ritmos, estilos é presença marcante. A letra fala de um relacionamento terminado (faz tanto tempo...) mas de uma possível volta (...a me aceitar de novo / como já foi um dia...). O arranjo também é padrão RC de qualidade. Cria uma atmosfera única para a música. Uma música forte do disco.

5.    Me Disse Adeus  (Eduardo Lages / Paulo Sérgio Valle) Arranjo: Eduardo Lages
Bela canção da dupla Lages e Valle.



Lado B
1.    Você Não Sabe  (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjo: Artie Butler
A estrutura dos acordes, o jeito de cantar me lembra um pouco Aquela Casa Simples gravada em 1986.

2.    O Côncavo e o Convexo   (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjo: Charlie Callelo (Cordas e Metais)
O erotismo dá as caras com uma letra que usa e abusa de um recurso já visto em Proposta, Seu Corpo, Cama e Mesa.

3.    No Mesmo Verão  (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjos: Charlie Callelo (Base e Cordas) Torrie Zito (Metais)
Um dos grandes momentos do disco, uma música pra cima, contagia, um belo solo de sax, perfeito casamento entre a banda, letra e música. Música que poderia ser revisitada nos shows atuais.

4.    Perdoa  (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)  Arranjo: Edson Frederico
A dupla Roberto e Erasmo atacam de jazz. Um estilo que creio já ter comentado bastante aqui no blog. Jazz gravado por Roberto é sempre benvindo.

5.    A Partir Desse Instante  (Maurício Duboc / Carlos Colla)  Arranjo: Al Capps
O disco fecha com uma música da dupla Duboc e Colla com arranjo de Al Capps, com uma letra que fala da mudança. Um disco conceitual, pois trata de todas as situações do amor.

O disco de 1983 é um disco conceitual. Deixo bem claro aqui que exponho o que o disco significa pra mim. Um disco bastante equilibrado com relação aos estilos das músicas. Abre com uma música bem marcante com coral, metais, um arranjo que (como diria Paul McCartney no documentário Flaming Pie: Nada que nos dê pesadelos a noite). “O Amor é a Moda” fala de todas as faces do amor, do quanto é bom ser romântico. Esse disco não é um disco que esquenta a cabeça. Das dez músicas do disco, sete são da dupla Roberto e Erasmo. Nesse disco falando um pouco também sobre “Adeus”, uma falando de “Jesus Cristo”, o momento reflexão em “Você Não Sabe”, o momento “Vai que cola” em “Perdoa”, o momento erótico em “O Côncavo e o Convexo” com um arranjo maravilhoso. “No Mesmo Verão” uma música que contagia, impossível ouvi-la e não acompanhá-la cantando ou batucando em qualquer coisa que esteja perto. E fecha com a magistral “A Partir Desse Instante” que é um praticamente (a fila anda). A capa tem o design de capa dupla, dessa vez com uma moldura um pouco mais larga que nos anos de 81, ou azul em 82. Tudo que Roberto faz é minuciosamente estudado, nada é por acaso. Um ótimo disco que eu demorei a ter.

Gravado nos estúdios United Western – A & M – Los Angeles
Eras – Hit Factory, RCA, Nova York
Sigla, Rio de Janeiro


Fotos: Luis Garrido