quinta-feira, 1 de maio de 2014

ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA - 1967

Excepcionalmente dessa vez coloquei a foto de duas capas encontradas na internet. A primeira é praticamente o mesmo tom de cores que tenho no meu LP, a capa de baixo vem com as cores mais fortes. Qual vocês preferem?


Roberto Carlos em Ritmo de Aventura 1967

01.   Eu Sou Terrível (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02.   Como é Grande o Meu Amor por Você (Roberto Carlos)
03.   Por Isso Corro Demais (Roberto Carlos)
04.   Você Deixou Alguém a Esperar (Edson Ribeiro)
05.   De Que Vale Tudo Isso (Roberto Carlos)
06.   Folhas de Outono (Francisco Lara/Jovenil Santos)

Lado B

01.   Quando (Roberto Carlos)
02.   É Tempo de Amar (José Ari/Pedro Camargo)
03.   Você Não Serve Pra Mim (Renato Barros)
04.   E Por Isso Eu Estou Aqui (Roberto Carlos)
05.   O Sósia (Getúlio Cortes)
06.   Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim (Rossini Pinto)


01.   Eu Sou Terrível (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Música que abre o primeiro filme, empolgante, vibrante e numa perseguição incrível de carro pela estrada de subida ao Cristo Redentor no RJ. Roberto está fugindo dos bandidos. A letra é bem rebelde, Roberto canta de forma agressiva.



02.   Como é Grande o Meu Amor por Você (Roberto Carlos)
Várias vezes foi dito pelo Dudu Braga em seu programa de rádio que essa canção é a primeira música que o papai Roberto fez para a mamãe Nice. Roberto até hoje canta nos shows. Sempre diz que essa música retrata o que ele, Roberto sente pelo público.

03.   Por Isso Corro Demais (Roberto Carlos)
No filme depois de Roberto tirar satisfações com o diretor do filme (Roberto Farias – porém interpretado pelo irmão Reginaldo Farias) sobre os bandidos estarem com metralhadoras, frase do Roberto “Eu não sou James Bond nem nada...” Roberto desce a estrada do Cristo Redentor com essa música, para o carro e lembra: “Esse filme começa em São Paulo, rapá!”

04.   Você Deixou Alguém a Esperar (Edson Ribeiro)
Música que não está no filme,mas tem uma bela introdução, uma letra romântica.

05.   De Que Vale Tudo Isso (Roberto Carlos)
De que vale dinheiro, fama, sucesso, céu azul e não ter a pessoa amada ao lado? No filme Roberto está em Nova York andando de carro cnversivel. Há um exemplar da Revista Sétimo Céu em que mostra Roberto em solo americano.

06.   Folhas de Outono (Francisco Lara/Jovenil Santos)
Essa eu ouvi muito depois do fim do meu primeiro namoro, como eu era bobo. “As folhas quando caem, nascem outras no lugar”, jeito sutil de falar o hoje popular “A Fila Anda”.


Lado B

01.   Quando (Roberto Carlos)
Roberto cantando em cima de um prédio em São Paulo, com banda. Há quem diga que quando os Beatles tocaram no telhado da Apple em Saville Row em 1969, Roberto já tinha feito o primeiro Rooftop Concert em 1967.



02.   É Tempo de Amar (José Ari/Pedro Camargo)
No filme Roberto está pescando, relaxando ou em contato com as fãs. Respondendo cartas no seu apartamento, no mesmo estúdio no prédio em São Paulo onde morava na época da Jovem Guarda.

03.   Você Não Serve Pra Mim (Renato Barros)
Nos discos anteriores Roberto já havia manifestado o seu lado rock em Pega Ladrao, Não é Papo Pra Mim, Os Sete Cabeludos, Note de Terror, Negro Gato entre outros. Agora nesse disco além de Eu Sou Terrível, Você não Serve Pra  Mim chega quase perto de Rain dos Beatles. Na levada e na condução. A distorção ainda era uma coisa nova em terras brasileiras. Aliás tudo no Brasil sempre chega tarde. Mas falando de música nacional, rock nacional, esse é um ótimo rock. Cena do filme, Roberto dá uma bela de uma canseira nos bandidos.

04.   E Por Isso Eu Estou Aqui (Roberto Carlos)
Tenho uma grande identificação com essa cena do filme. Roberto ETA compondo com um violão. Quando encontra a frase e o acorde certos, anota em uma folha com o violão virado com as cordas pra baixo e a folha sobre o tampo. Quando eu compunha eu fazia assim também.



05.   O Sósia (Getúlio Cortes)
A música não está no filme, mas a letra
fala “descobri um cara que tinha a minha cara”. Sósia, quem sabe já não se referia aos covers. Música do mesmo compositor de Negro Gato entre outras.

Roberto e o diretor Roberto Farias, quem faz o papel do diretor é seu irmão Reginaldo Faria. 


06.   Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim (Rossini Pinto)
O disco fecha com um recado, uma música na medida para quem teve um relacionamento terminado há pouco tempo. “Não quero com isso dizer que o amor não é um bom sentimento”. É aquela história do cupido burro, todo mundo já teve um.


Considerações Finais
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura é um disco que a princípio é uma trilha sonora de filme. A exemplo de A Hard Day´s Night e Help dos Beatles e dos filmes de Elvis Presley até pelo menos 1966, o rock nacional também entraria para o setor cinematográfico.
Agora, sobre o disco. Roberto aqui já era sinônimo de sucesso absoluto. O som da banda RC7 estava afiadíssimo. A evolução da qualidade da banda vinha melhorando a cada ano. Os arranjos aqui estão mais elaborados. Por outro lado o disco fecha a era do Iê Iê Iê com chave de ouro. Fecha, Baratta? Sim, essa é minha modesta e humilde opinião, pois o disco seguinte O Inimitável de 1968, o que vem na sequência de 1969 mostram um Roberto Carlos mais adulto e passeando por outros estilos musicais como o soul e o samba. A capa do disco segue uma linha bem semelhante aos discos de trilhas sonoras dos discos de Elvis. Na capa Roberto está em um helicóptero e na contra-capa fotos de cenas do filme. Fotos de Darcy Trigo.  




4 comentários:

  1. Acabei de fazer uma coisa que sempre fazia ao pegar um disco do Roberto. Contar quantas músicas do disco são composições dele. Normalmente eu ficava muito satisfeito quando metade ou mais da metade eram de sua lavra. Achava bacana isso, embora normalmente sempre houve uma ótima seleção de música de outros autores. Como você bem sabe o Ritmo de Aventura junto ao San Remo e o disco de 1982 (e mais tarde o de 84) foram os discos através dos quais eu aprendi a gostar de Roberto Carlos. O interessante ao pegar um disco desses é observar a pluralidade tanto das canções quanto de arranjos, mesmo tendo uma unidade como álbum cada uma soa de forma distinta. Só as canções assinadas por Roberto (e Erasmo) já atestam isso, saltando do rock já meio soul “Eu Sou Terrível”, para a ultra-romântica “Como É Grande O Meu Amor Por Você”, em uma, um naipe de metais e guitarra à frente, na outra violão e um lindo solo de flauta. No decorrer do disco aparece “E Por Isso Eu Estou Aqui” com um cravo dando a tônica do arranjo. A agressividade apaixonada de “Quando” e seu belo solo de órgão. “Você Não Serve Pra Mim” com a primeira guitarra distorcida registrada em um disco do RC (segundo consta a primeira faixa com guitarra distorcida no Brasil foi “Prova de Fogo” de Roberto e Erasmo gravada pela “maninha” Wanderléa). Além de um dos discos fundamentais da discografia do Roberto , ele ainda é a trilha do primeiro filme estrelado por ele, como você disse, e mesmo o Roberto tendo estrelado mais dois filmes, esse é o único que realmente pode carregar o título de trilha sonora pois no “Diamante Côr-de-Rosa” as músicas que aparecem no filme são divididas entre vários intérpretes (Erasmo, Wanderléa, Gal...) e mesmo as músicas interpretadas por Roberto não se encontram em sua maioria num mesmo disco. Em “300Km/h” ele nem canta praticamente, apesar de “Todos Estão Surdos” na abertura e a versão instrumental de “De Tanto Amor”. Você foi muito feliz em dizer que esse disco fecha (com chave de ouro) a fase ié-ié-ié, afinal no ano seguinte Roberto ganharia o festival de San Remo, se aprofundaria na influência da soul música, se casaria e se tornaria pai, e daria um novo direcionamento à sua carreira. Um caminho novo a ser explorado, mas que ele soube desenvolver muito bem realizando uma obra que pode ser chamada de brilhante pelo menos até a primeira metade da década de 1980.

    É isso, abraços!

    Obs: você andava mesmo precisando postar discos dos anos 60 aqui, acho que ainda é a década que você menos postou, né?

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  2. Grande Robert Moura, que prazer rever você aqui bicho! Bom, vamos lá. Gostei de como comentou a diversidade de abordagens das músicas, tanto no instrumental quanto na letra. Adorei o termo (agressividade apaixonada) pô que coisa linda de ler bicho, gostei mesmo rs. Realmente é o único disco do Roberto que carrega o título de trilha sonora.
    Como sabe, eu não consegui manter uma cronologia pra postar os discos aqui no blog, então começaram com os discos que eu gosto mais, os que mais me tocaram (consequentemente os que eu mais toquei em casa), depois como também sabes, eu ainda não tenho todos os discos, me faltam alguns (se eu te contar os dois que achei ontem você vai curtir) mas ainda estou conseguindo todos em vinil e tenho uma coisa de só postar os discos que eu tenho, por menos informação que na maioria das vezes eles trazem como ficha técnica e tudo mais. Os discos dos anos 60 eu postei o Jovem Guarda e estou montando os outros, o 66 eu roubei de você, pois eu jamais faria uma resenha tão legal quanto a sua, rs (sou seu fã e tu sabes disso), mas os dos anos 60 estão vindo. Uma hora a gente completa tudo rs.
    Super Abraço mano.

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    Respostas
    1. Hum, agora eu entendi a sua sequência de posts, hehe. Então, essa "agressividade apaixonada" eu "inventei" na hora que estava escrevendo, e também pensei em "Sua Estupidez" quando escrevi. Ele tem algumas canções assim. "Se Você Pensa" é uma delas. Um tipo de letra que embora fale de amor, também dá um puxão de orelha na pessoa amada, e mesmo que ainda goste de pessoa, deixa claro que as coisas não podem ser apenas do jeito que elas querem que seja.

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  3. Ano de 1967 foi tão importante para a música pop que deveriam colocar uma linha divisória, pré ou pós essa revolução.
    O rei não escapou de inovar nesse ano também.
    Se os Beatles tinham Sgt Peppers , aqui no brasil começava a tropicália e com a mesma distorção na guitarra de alegria alegria, Roberto inaugurava o hard rock nacional com" você não serve pra mim".

    Provavelmente o sucesso mais longevo e não renegado é desse ano, " Como é grande meu amor por você" não é uma canção , tornou-se um hino.
    De fato o Roberto foi e é terrível na melhor qualidade dessa palavra.

    "ritmo de aventura" - discaço - Parabéns pelo excelente nível de comentários.

    Não há como não amar o Rei por tudo que ele representa como artista, cantor , interprete, compositor e pessoa.

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