domingo, 30 de março de 2014

Eu sou fã de Eduardo Lages! - Por Everaldo Farias


O texto a seguir foi enviado pelo nosso amigo Everaldo Farias. 

Não há muito que se falar sobre Eduardo Lages que todos já não saibam! Maestro do Roberto desde 1977, trabalhou para Programas Globais como o Fantástico, Globo de ouro e Moacir Franco, tocou em locais adversos como Igrejas e Zonas, fez parte do MAU (Movimento Artístico Universitário), que reuniu nomes como Ivan Lins e Gonzaga Jr., é pianista de formação erudita, é produtor, tecladista, arranjador e tudo isso pode ser conferido nos créditos dos discos de Nelson Gonçalves, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Agnaldo Timóteo, Roberta Miranda, Waldick Soriano, etc. Foi premiado no exterior e no Brasil por seu trabalho e tudo mais pode ser encontrado em qualquer site que exponha alguma biografia dos grandes nomes de nosso cenário musical!

É um dos poucos músicos brasileiros que lança regularmente trabalhos instrumentais e que obtém êxito em vendagem, desde seu primeiro CD, Emoções (2005), que foi produzido apenas como uma homenagem aos arranjos e às canções clássicas de seu patrão! Alguns criticaram porque os arranjos não traziam novidades, mas essa intenção só foi tomada em projetos posteriores e que pode ser conferidos a partir do CD Cenário (2006), embora já no primeiro CD temos Olha e Cavalgada que distam de seus arranjos originais. Seu mais recente trabalho, Romances (2012) traz clássicos internacionais interpretados com uma maturidade instrumental impressionante e também a participação do cantor de sua orquestra na divina Eu nunca amei alguém como eu te amei!

Percebo em alguns que o consideram como um músico menor, comparado com grandes maestros da década de 70 que constaram nos créditos dos discos do Roberto e, com exceção de Chiquinho de Moraes, de quem Eduardo foi pupilo, todos dos Estados Unidos. Como Eduardo figurou nos discos de sua majestade já ao final daquela década, não temos muito material para que essa desnecessária comparação seja mais debatida e justamente acertada. Mas, já ali se percebia um maestro capaz de estar a frente de uma grande orquestra como era a do Roberto que, além dos músicos do RC-9, trazia naipes de cordas. Eduardo já despontava como compositor, na bela Às vezes penso e depois Confissão em 1980, ano em que também foi premiado com o arranjo de Tentativa, à moda dos anos 70.

Na década de 80 houve uma modernização na sonoridade da música, onde outros sons se fizeram necessários, acompanhando a tecnologia e a onda de teclados, que muitos ainda abominam. Vejo em Eduardo um músico que soube se modernizar, que acompanhou as novas tendências, mas sem perder suas raízes e seu estilo que está muito mais para estes maestros gringos do que estes “críticos” conseguem perceber. O grandioso show Emoções, em 1983 prova isso e mesmo depois, onde a orquestra de cordas deu lugar aos teclados (tido como muitos como a maldição), ele manteve o padrão de boa qualidade que só fez se elevar tanto musicalmente como tecnicamente nos shows de sua majestade. Também não vejo como muitos que consideram o teclado a laranja podre da música e sim, um aliado nessa modernização necessária, apresentada não apenas por Roberto Carlos nesta década, mas por toda música mundial.

Concluo que é bastante injusto separar Eduardo de outros maestros dos anos 70 e responsabilizá-lo pela queda na qualidade musical dos anos 90, que também não aconteceu apenas com o artista Roberto Carlos. Aqui Eduardo é um funcionário e obedece à risca o que seu chefe determina e provavelmente seja este o motivo crucial que o faz estar tanto tempo na regência daquela orquestra, sempre nos presenteado com aberturas e arranjos magistrais a cada show (que só não traz mais tantas novidades porque o protagonista não deseja). Sem falar dos especiais de fim de ano que, quando permitia dobradinhas com Augusto César Vanucci, nos presenteava com números inesquecíveis.

Vale observar também que a década de 70 trouxe canções de elevado grau de inspiração e provavelmente isso ajude muito um maestro a criar. Mas, a crítica se volta à chamada “tecladeira” que acabou com aquela sonoridade de cordas e instrumentos reais e como Eduardo cresce no número de arranjos nos discos do Roberto nos anos 80 e 90 em diante, muitos o responsabilizam por essa chamada pasteurização. Em seu CD/DVD de 2007, Eduardo contradiz isso e mostra que é mais para aquele som dos anos 70 que para a sonoridade atual, dando roupagem nova a grandes sucessos. E uma comparação justa e que reflete o que estou tentando mostrar se faz quando pegamos o disco do Roberto de 1994, onde Eduardo faz arranjo de base e de cordas para a maioria das canções. Naquele mesmo ano, Chiquinho de Moraes ficou responsável pelo arranjo de cordas de grande parte das canções do novo CD do Fábio Jr. Então, se você ouvir Custe o que custar, do Roberto ou Alma gêmea do Fábio, não deve perceber tanta diferença nas linhas de arranjo, mas torce o nariz para o trabalho do rei, porque tem muita programação de computador, deixando o arranjo “pasteurizado”, como definem e atribuem isso ao seu maestro fiel.

Pela direção musical e arranjos ao vivo, nem se fala, pois o cara já trabalhou com grandes nomes do nosso cenário: é respeitável ter no seu currículo nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento, Pavarotti, Gal Costa, Maria Bethânia, Luiz Gonzaga, coisas que ele tirou de letra e nos proporcionou encontros inesquecíveis nesses especiais com alguns destes e outros. Desafiante deve ser trabalhar com um Mc Leozinho, pois, discriminação a parte, ele pôs aquela canção no patamar de um dueto com o rei e traiu os comentários contra. As grandes aberturas dos shows do Roberto magnetizam a todos que estão esperando impacientes, por conta dos constantes atrasos nos shows, mas que tudo é esquecido quando as primeiras notas são entoadas e talvez sejam as poucas coisas creditadas unicamente a ele. E o que dizer sobre grandes arranjos ao vivo de Cavalgada, Ilegal imoral ou engorda, Negro gato, Cama e mesa, Amor perfeito, Do fundo do meu coração, Eu sei que vou te amar, Nêga, Meu ciúme, Por causa de você, Que maravilha, Pensamentos, vários medleys e tantos outros que nem sempre terão a pretensão de serem melhores que os originais, mas ao menos são novidades e sempre emocionam e nos tocam.

E suas composições? Adoro Momentos tão bonitos, Eu vou sempre amar você, Eu quero voltar pra você, Coisas do coração, Cenário, Nunca te esqueci, Assunto predileto, Eu nunca amei alguém como eu te amei. Cortante o arranjo que fez para Confissão em seu CD Nossas canções: é o piano nos dizendo “Eu só queria saber de você...” Sabiam que foi um desafio e tanto compor um samba, coisa que não é lá sua praia, mas que foi um pedido todo especial de seu compadre? Vê se volta pra mim surgiu assim, naquele momento triste, mas que o rei precisava tocar em frente! Um pagode estilizado, como as rádios anunciavam.

Ainda acham que ele não cria muito? Escutem seus CD´s, que nem são muitos, mas emocionantes! Lá tem coisas do Roberto e de outros astros internacionais. Alguns atribuem a arranjos parecidos com Richard Clayderman, com poucas novidades, mas se você ouvir melhor suas gravações encontramos grandiosidades como McArthur Park, O portão, Overjoyed, Love story, Por isso corro demais, Michelle, O tempo vai apagar, As time goes by, Falando Sério, The more i see you, Você,  My chérie amour, Outra vez, Verão 42, entre outros. Ele ousa apresentar Cama e mesa em chorinho ou Debaixo dos caracóis dos seus cabelos em sertanejo raiz, Vista a roupa meu bem à moda Ray Connif e Costumes como bolero. Canzone per te ficou francesa, com direito a acordeom e Perdoa e Jovens tardes de domingo arrancam lágrimas de quem as escuta. Detalhes ficou com uma melodia menos cansativa sob sua leitura e revivemos os Beatles sem nenhum pecado em Eleanor Rigby e se isso ainda não for suficiente e bom, lamento os que não conseguem serem tocados por sua arte, pois ela me faz muito bem!

Um forte abraço a todos!


Texto Everaldo Farias. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

O DISCO DE 1994



O DISCO DE 1994

Lado A
  1. Alô (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  2. Quero Lhe Falar do Meu Amor - 4:45(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. O Taxista (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  4. Custe o Que Custar (Helio Justo/Edson Ribeiro)
Lado B
1.    Jesus Salvador (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  1. Meu Coração Ainda Quer Você (Mauro Motta/Robson Jorge/Paulo Sérgio Valle)
  2. Quando a Gente Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. Silêncio (Beto Surian)
  4. Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)

01.Alô (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O personagem da letra descreve a mulhe amada como uma pesoa que não bate bem da caçoleta. Seria  um relacionamento estilo bungue jump? Aquela coisa de só ligar se quer ai para o momento. Essa coisa de (instantâneo) só rola com macarrão mesmo. O som desse disco está bem eletrônico, com bateria programada por computador. Solo de guitarra perfeito. No especial de fim de ano a música ganhou um clipe. 

02. Quero Lhe Falar do Meu Amor - 4:45(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Música com um toque árabe, a letra fala de odaliscas, deserto e tenda. Um clipe foi feito dessa música com Roberto e a atriz Adriana Esteves, bem pré-Carminha. Um clipe que ficaria legal também seriam com as imagens de Israel e Egito contidas no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa”. 

03. O Taxista (Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)
Roberto e Erasmo que já tinham feito duas músicas para os caminhoneiros surgem com “O Taxista”. Um herói. Roberto fala no especial de fim de ano que “os taxistas lhe cobravam: como é Robertão, e a nossa?” grande solo de guitarra. Nos anos 90 apenas o refrão foi inserido em um medley sobre velocidade. O arranjo aqui é de Charlie Calello. 

04. Custe o Que Custar ((Helio Justo/Edson Ribeiro)
Música que saiu primeiramente em compacto, anos mais tarde no LP San Remo, que vinha no filme “Diamante Cor de Rosa”. Aqui Roberto já apresenta uma mudança na letra do trecho “...será meu Deus enfim, que eu não tenho paz” para “Somente em Deus enfim é que eu encontro a paz”. Outros exemplos semelhantes seriam em “É Preciso Saber Viver” o trecho “Se o bem e o mal existem” passou a ser cantado “Se o bem e o bem existe” e “Além do Horizonte” na mudança “Se você não vem comigo” para “Porque você vem comigo”. 






Lado 2
01.         “Jesus Salvador” (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Uma das melhores letras de Roberto e Erasmo sobre Jesus. Sim, todas as canções de mensagem lançadas desde “Jesus Cristo” de 1970 são grandes músias, mas “Jesus Salvador” é praticamente uma oração. Quem reza cantando reza duas vezes. A música foi revisitada no especial de 2008 com tom mais baixo. Arranjo de Charlie Calello.  

 02. O Meu Coração Ainda Quer Você (Mauro Motta/Robson Jorge/Paulo Sérgio Valle)
Musica sobre uma possível volta. Grande arranjo de Eduardo Lages, grande solo de sax de Ed Calle por toda a música.

 03. Quando a Gente Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  Quando a gente ama
  Faz loucuras não se toca
  Tudo é lindo a gente gosta
  Não importa o que der
  Quando a gente ama
  Nesse amor tudo é perfeito
  E não vemos os defeitos
  Desse alguém que a gente quer
  Quando a gente ama
  Esses defeitos são virtudes
  E os erros atitudes
  Que jamais a gente vê
  Perde-se o juízo
  O coração da gente voa
  E tolices numa boa
  Por amor a gente faz
  Tudo a gente aceita
  Quando está apaixonado
  E não há nada de errado
  Por que amar é bom demais
  Quando a gente ama
  A gente rí a toa
  Tudo tem desculpa
  Tudo se perdoa
  O orgulho dança
  A gente é uma criança
  E diz sim pra tudo
  Quando a gente ama
  Tudo é um bom programa
  Pode ser na rua
  Pode ser na cama
  O  amor é lindo
  E tudo é mais bonito
  Quando a gente ama

Uma das músicas que minha mãe mais gosta. Existe letra mais direta que essa? Precisa dizer mais algo?

04. Silêncio (Beto Surian)
Grande música de Beto Surian, que até onde eu sei só teve essa canção gravada por Roberto, que solta a voz de forma espetacular. Na década de 90 sua voz estava impecável e com um alcance fantástico. 

05. Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Uma música de volta, de tentativa de volta”Há coisas que o tempo não desfaz”, “Quem olha nos meus olhos vê que nada terminou”... excelente música que traduz a situação de muitos fãs. Só a única coisa que eu pensei: o final da música ficaria legal como introdução. 



A sonoridade desse disco está um pouco mais diferente aqui, a presença de teclados é bem intensa. Bateria acústica só na “O Taxista”. O especial de fim de ano foi na terra do nosso amigo e leitor Robert, em Minas Gerais. Roberto mais uma vez surpreende com um terno rosa. A capa é toda em tom azulado, capa dupla mantendo o padrão desde 1975, interrompido apenas em 1977. Agora uma curiosidade da qual eu não tinha me tocado ainda e que apareceu no nosso grupo no facebook postado por um amigo: A capa tem uma semelhança gritante com a capa do disco “Roberto Carlos Canta Para a Juventude” de 1965. Nos comentários da postagem ainda surgiu que Roberto queria reviver a capa de 1965.
Gravado nos estúdios: Sigla (RJ) e Criteria Recording Studios (Miami).
Fotos: Luis Garrido