quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O DISCO DE 1971



Lado A
01.   Detalhes (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02.   Como Dois e Dois São Cinco (Caetano Veloso)
03.   A Namorada (Maurício Duboc / Carlos Colla)
04.   Você Não Sabe O Que Vai Perder (Renato Barros)
05.   Traumas (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
06.   Eu Só Tenho Um Caminho (Getúlio Côrtes)

Lado B
01.   Todos Estão Surdos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02.   Debaixo dos Caracóis (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
03.   Se Eu Partir (Fred Jorge)
04.   I Love You (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
05.   De Tanto Amor (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
06.   Amada Amante (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)

Lado A
01.   Detalhes (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Roberto até 1971 dizia que ainda queria falar do amor de uma forma que ninguém havia falado antes. Realmente Detalhes é uma obra prima de letra, poesia, arranjo, musicalidade, etc. Detalhes é a música preferida de muitos fãs, Roberto cita a música como uma de suas preferidas também. Nada foi esquecido na letra: o ronco barulhento do carro, cabeludo, português ruim, calça desbotada...
O arranjo de Detalhes: o comecinho da canção já entrega. As notas tocadas são Lá, Dó sustenido, Mi, Lá bemol, Dó sustenido e Mi. Essa é a sequência. No violão é feito um arpejo sobre os acordes Lá e Lá com sétima maior, ou como um amigo dizia, Lá com sétima aumentada. O arpejo foi revisitado em Emoções no trecho “Detalhes de uma vida / Histórias que eu contei aqui”. Na turnê Detalhes, como pode ser ouvida em disco no disco Ao Vivo de 1988 o início do tema de introdução, o arranjo de Detalhes é tocado por vários instrumentos.

02.   Como Dois e Dois São Cinco (Caetano Veloso)
Música de Caetano Veloso para Roberto. Caetano tem um estilo legal de letra. Poucos escrevem como ele. Mas aqui nesse disco, nessa faixa blues, destaque para a interpretação de Roberto que praticamente declama a letra da música. A interpretação de Roberto é algo singular. Ninguém é como ele. Tom Jobim no especial de 1986 disse: Puxa, eu queria um intérprete assim para as minhas músicas.

03.   A Namorada
Um belo piano na introdução aqui já dava uma prévia do que viria a ser os discos de Roberto com orquestra. O arranjo aqui está excepcional. A voz de Roberto está impecável. O solo de violinos arrebenta com o coração de qualquer pessoa.

04.   Você Não Sabe O Que Vai Perder
Outro blues. Esse é do (Renato Barros) estilo de legal de letra. Após o solo há um belo exemplo da dinâmica da banda, no verso “Se eu agi assim / foi somente pra saber / Se existe por aí alguém melhor do que você” onde Roberto é acompanhado só pelo baixo e chimbal da bateria, depois disso a banda volta com tudo.


05.   Traumas (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
“Da realidade do mundo que eu ia saber /  dos traumas que a gente só sente depois de crescer”. Precisa falar mais? Traumas, todo mundo tem os seus. Eu tenho, você leitor tem, todo mundo tem. “Durante o dia a gente tenta / com sorrisos disfarçar / alguma coisa que na alma, conseguimos sufocar”. Por isso que eu não admito que alguém se atreva falar mal do Roberto, vou pra cima, viro bicho mesmo. Uma letra dessa, uma letra madura, uma das mais belas letras que eu já ouvi.

06.   Eu Só Tenho Um Caminho (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Um amigo meu me disse que Roberto cantava isso nos anos 80 ao vivo depois de dizer um texto com palavras como “O chão vai se abrir”... cantava essa e depois Apocalipse.

Lado B

01.   Todos Estão Surdos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Música revisitada no cd Acústico. Música preferida do Dudu Braga. Música mais soul de Roberto que disse em entrevista à Cris Couto na finada MTV, que quando compôs “Jesus Cristo” estava muito ligado no soul de James Brown. Mas os músicos não estavam tão acostumados ainda com isso. A música abre o filme “Roberto Carlos a 300 Km Por Hora” com o roebrto pilotando um Dodge na pista do autódromo de Interlagos. É, o filme começa em São Paulo, rapá! Roberto declama a letra com a energia e garra que o ritmo pede. A letra é uma mensagem ecumênica, ou seja, serve para todas as religiões. A fase Black do Roberto já vinha desde 1968 no disco Inimitável Roberto Carlos nas músicas “Ciúme de Você” e “Não Há Dinheiro Que Pague”. Depois em 1969, depois de um encontro com Tim Maia, a gravação de “Não Vou Ficar”, no mesmo disco “Nada Vai Me Convencer”. Em 1970 “Jesus Cristo” que é um soul bem quebrado e em 1971 “Todos Estão Surdos” um soul com uma levada mais funkeada. Um pouco mais tarde ainda teríamos em 1973 a “Não Adianta Nada”. Eu particularmente adoro a fase Black do Roberto, a ponto que montei um cd com todas essas músicas, mais a apresentação na TV Tupi em 71 da “Não Vou Ficar” e no Flávio Cavalcante “Jesus Cristo”.

02.   Debaixo dos Caracóis (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Roebrto e Erasmo fizeram essa para Caetano que na época estava exilado em Londres. A letra fala de um futuro retorno do artista ao páis. Caetano contou uma vez em entrevista que Roberto apareceu em Londres e tocou “As Curvas da Estrada de Santos”.

03.   Se Eu Partir (Fred Jorge)
Música que fala de um possível rompimento num futuro não muito distante. O instrumental é maravilhoso, com bastante violino, violão de nylon, música que bem podia ser revisitada no set list de hoje em dia nos shows.

04.   I Love You (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Roberto surpreende com o termo “cafonice” nessa música que lembra um pouco a “Vista A Roupa Meu Bem” de 1970 e “Oh Meu Imenso Amor” de 1969. “I Love You” eu classificaria com um jazz estilo dixieland. No Brasil temos a Traditional Jazz Band que há anos faz um trabalho fantástico até os dias de hoje. A letra menciona lembrar da amada nas melodias do (radinho de pilha), creio que seus netos vão te perguntar em poucos anos, o que viria a ser um radinho de pilha. O personagem da música fala em se modernizar, falar gíria e dançar o rock n roll. Que supimpa essa geração, dançar o rock n roll era moderno, nasci em época errada. E se tudo isso não adiantar... a frase profética da canção: “Eu vou vestir meu terno branco outra vez!” o Roberto de 1971 falando do Roberto dos anos 80, 90, 2000...
Roberto é profeta bicho!
Destaque para o piano estilo cravo.

05.   De Tanto Amor (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Se na terceira música do Lado B Roberto já falava em um possível rompimento, aqui ele já esta com as malas prontas e com a chave do carro barulhento na mão. Música que encerra o filme na cena em que  (não, não vou contar o final. Vá assistir o filme). Música regravada ao vivo no disco de 1998.

06.   Música que foi a primeira a ser divulgada desse disco. Saiu na coletânea “As 14 Mais”.
Música que foi muito sucesso também para o seu público em espanhol. Até hoje nos shows na Argentina, no Chile a música é sempre tocada.

Considerações Finais
O disco de 1971 traz bastante novidade a começar pela capa com uma pintura assinada por Carlos Lacerda. Na contra capa a foto é assinada por Armando Canuto. O disco tem blues, soul, jazz, balada romântica, um disco bem eclético. Um disco que eu usaria para apresentar Roberto a quem acha que ele só gravou Emoções e Esse Cara Sou Eu. 

2 comentários:

  1. Um dos meus discos prediletos do RC, traz Roberto e Erasmo à toda: Detalhes, Traumas, Todos Estão Surdos, Debaixo dos Caracóis, I Love You, De Tanto Amor e Amada Amante. Só clássicos. E quando a música não é dos dois, foi muito bem selecionada por Roberto, sendo que ainda tem a sua primeira gravação de uma composição de Caetano Veloso, outra importante canção do repertório de Roberto. Lendo seus comentários e pensando no conjunto formado por essas canções acabei de lembrar de um comentário que um crítico fez certa vez da obra dos Beatles que se aplica perfeitamente ao Roberto: quantidade + qualidade = permanência.

    Abraço, mano!

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  2. Pois é mano, nunca pensei nessa equação aí, mas é verdade. Na verdade são as perguntas que a gente sempre se faz né? Como o Roberto se manteve todos esses anos no topo? Anos 70 (apesar de eu não ter vivenciado), anos 80 (eu me lembro que já se comentava que um disco do Roberto Carlos o público nem precisava ouvir nenhuma música) era garantia de sucesso em vendas e música boa. Anos 90 também.
    Esse disco é um verdadeiro Greatest Hits Robertísticos.
    É uma brasa, Mora?
    Abraço mano.

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