quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O DISCO DE 1980



Lado A
1.       A Guerra dos Meninos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2.       O Gosto de Tudo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3.       A Ilha (Djavan)
4.       Eu Me Vi Tão Só (Mauro Motta/Eduardo Ribeiro)
5.       Passatempo (Maurício Duboc/Carlos Colla)
Lado B
1.    Não Se Afaste de Mim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2.    Procura-Se (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3.    Amor à Moda Antiga (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
4.    Tentativa (Marcio Greyck)
5.    Confissão (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjos
Jimmy Wisner *
Al Capps **
Torrie Zito ***
Lou Forrestiere ****
Eduardo Lages *****

Lado A
1.A Guerra dos Meninos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O disco já abre com uma mensagem ecumênica. A dupla Roberto e Erasmo relatam umsonho onde “... todo mundo vivia preocupado, tentando encontrar uma saída”, isso já em 1980. O “algo tão divino, luz em forma de menino”... o menino veio ensinar uma canção. Um arranjo crescente e maravilhoso de Jimmy Wisner faz da música um grande trabalho. Alias, o trabalho de Roberto é a combinação perfeita de música, arranjo e letra. Roberto está com uma voz poderossíssima. Lembro perfeitamente quando meu pai trouxe esse disco e ao ouvir os primeiros acordes, as primeiras frases, eu com 6 anos, segurando a capa nas mãos, junto com papai e mamãe na sala chorei. Com meus inocentes 6 anos eu não entendia porque estava chorando, a verdade é qeu Roberto me emociona desde quando eu mal sabia falar. Não lembro se eu já tinha visto o clipe dele na sede da ONU com as crianças, isso eu não lembro.
2.O Gosto de Tudo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Uma letra diretíssima que seria intitulada “Jantar à Luz de Velas” conforme Roberto diz num vídeo antigo do Fantástico, um vídeo curto de pouco menos de um minuto. Roberto está ao violão e canta alguns versos, com uma certa mudança na letra. Roberto diz no vídeo: “Ah, pedi o Café da Manhã num expliquei...”. Arranjo impecável de Al Capps.

3.A Ilha (Djavan)
Uma canção que eu particularmente demorei a entender e gostar. Diria que o arranjo é completamente diferente do que Roberto tinha feito até 1980. Djavan tem uma linha bem mais puxada pra MPB. Um dos pontos altos da canção é a linha de baixo.
04. Eu Me Vi Tão Só (Mauro Motta/Eduardo Ribeiro)
Excelente canção de Mauro Motta e Eduardo Ribeiro com arranjo maravilhoso de Lou Forrestiere. O trecho da letra “...sem saber pra onde ir...” cria um clima, uma atmosfera que deixa a  música com aquela sensação de paz que a música do Roberto nos traz. A presença de violinos nesse disco está bem em evidência. A letra é bem direta “Eu Me Vi Tão Só” é aquela hora em que (se perde o chão). Todo mundo já passou por isso. Se não passou ainda vai passar.

05. Passatempo (Maurício Duboc/Carlos Colla)
O que começa como um passatempo toma forma de um “... e de repente já gostava de você”. Aí geralmente a mulher vem com aquele fora clássico “Ah, você tá confundindo as coisas”. Lamentável.



Lado B
01. Não Se Afaste de Mim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Por muito tempo eu achei que o dueto era feito entre Roberto e Erasmo.  Lera é clara e direta. Roberto fala de forma direta. Acredito que um dos segredos do sucesso de suas canções que seja o fato da letra ser de fácil entendimento. Destaque para o sax. Arranjo de de Torrie Zito.

02.               Procura-Se (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Aquele momento em que a gente baixa a guarda, curte o momento com a apessoa, curte a pessoa, estava tudo indo bem até que, até hoje não entendi se ela foi embora, sumiu ou coisa assim.

03. Amante à Moda Antiga (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Em 1988 no pout pourri do show Detalhes, o do strip tease poético, Roberto fala desse “personagem muito simpático” e emanda: “... naquela época já era antiga, agora (1988) então...”. Imagina hoje em 2013 onde os relacionamentos estão mais descartáveis e virtuais.

04.   Tentativa (Marcio Greyck)
Esquecer a pessoa amada muitas vezes fica só na tentativa, mas com o tempo, a velha história “ a fila anda”, o mundo gira e não pára, “nada como um dia após o outro”.

05.  Confissão (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Nao sei se essa é a primeira canção do maestro Eduardo Lages em um disco do Roberto, se for já começou em grande estilo. A letra fala literalmente “Mas, eu não vim te pedir pra voltar”, isso já dá uma sapatada na cara da pessoa, pois sempre quando a gente chega na ex, ela acha que estamos voltando com a mesma ladainha. Não é bem assim. Somos auto-suficientes e não nascemos grudados em ninguém. A música é maravilhosa, letra, arranjo, tudo redondo acaba fechando o disco com chave de ouro.

Considerações Finais
O disco de 1980 marca o começo de uma nova era no som de Roberto em disco. Muita gente diz gostar de Roberto Carlos até 1979. Aqui a presença de violinos está mais presente, a partir desse disco Roberto entraria em uma fase mais comercial ainda. Agora, para mim, a década de 80 do Roberto é algo que o público não deu o devido valor. Além de tudo é a década em que ele gravou (além do disco anual) um disco em inglês no ano seguinte em 1981, o primeiro disco ao vivo em 1988, além de participações em discos do Balão Mágico, do grupo de artistas do projeto Nordeste Já com a canção Chega de Mágoa, e a participação de Bethânia no disco de 1982. O disco traz uma sessão de fotos com o fundo do céu azul e as águas do mar. Fotos de Darcy Trigo. .

Pra terminar a postagem, segue o vídeo de Guerra dos Meninos do especial de 80 e uma foto minha prepararando essa postagem, que é como eu faço todas as vezes. Ouvindo o vinil, várias e várias vezes, lendo a ficha técnica, etc. 




5 comentários:

  1. Discaço! Dos grandes momentos do RC. “A Guerra dos Meninos” é uma das canções que embora não sendo infantis acabaram conquistando esse público, assim como “Fim de Semana”. Tem “A Ilha” do Djavan, uma das canções mais diferentes e interessantes dentro da discografia do Roberto que eu associo com, por exemplo, “Desenhos na parede” que também foge bem do padrão mais tradicional dele. “Eu me vi tão só”, uma das minhas prediletas, e tem aquele solo de guitarra slide cortante na introdução e entre as estrofes. O clássico “Amante À Moda Antiga” que deveria voltar aos shows qualquer hora dessas. E fecha com duas canções das quais eu gosto muito também, “Tentativa” do Marcio Greyck com um ótimo arranjo do Lages, o primeiro e talvez melhor arranjo que ele já fez pro RC e “Confissão” de um dramatismo impressionante. Roberto em grande fase criativa como atestam suas canções assinadas em parceria com Erasmo, “O Gosto de Tudo”, “Não se afaste de mim”, “Procura-se” e as já citadas, “A Guerra dos meninos” e “Amante à Moda Antiga”. Ouvindo canções como “Passatempo” dá a certeza que definitivamente o tempo passou, e esse tipo de amor que o Roberto cantava também, os tempos são outros: “meu amor não sei por onde anda, será que os amores já morreram?”

    Mais um grande post de um grande disco, mano!

    Eu estava pensando em como vai ser vazio quando você terminar de postar a discografia toda, mais aí ainda terão os compactos, os discos internacionais, hehe, o assunto não vai acabar nunca.

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  2. Então pensei nisso também mano, mas acredite, ainda me faltam uns discos originais, principalmente de 1997 pra frente. Tenho o Acústico. O de 98 por exemplo eu adoro, mas e a ficha técnica? O "Amor Sem Limite" , "Pra Sempre", o disco de 2005, preciso comprá-los. Mas ainda faltam uns da década de 70, dos anos 60 também, acabando a discografia nacional, logicamente terá alguma coisa da internacional, compacto. Eu estava pensando hoje assim: O San Remo poderia ser chamado de Past Master do Roberto, até certo ponto né? Pois ainda ficaram faltando músicas como L´Utima Cosa, Meu Pequeno Cachoeiro (voz e violão), entre outras. Eu já tenho pronto aqui o comentário sobre o disco de 71, tenho escrito à mão o de 94 (preciso digitar), assunto tem, rs. Abraço mano.

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  3. Sim, sim, não faltará assunto certamente.

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  4. Gosto desse disco! É do ano que nasci e costumo dizer que fiz coro naquela guerra, a única pela paz!
    Gosto muito de A ilha, Eu me vi tão só, Não se afaste de mim, Amante á moda antiga e Confissão! Arranjos impecáveis e uma voz que amadurecia cada vez mais como o maior intérprete desse país! É por isso que Roberto é rei, porque compõe e interpreta como ninguém! Seria justo ele fazer um disco só interpretando grandes compositores! Mas, isso já não creio sair! Infelizmente já não creio sair nada até chegar nas lojas! Mas, um belíssimo trabalho, com uma capa e contracapas também muito bonitas!

    Blog Música do Brasil
    www.everaldofarias.blogspot.com

    Um forte abraço a todos!

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  5. Grande Everaldo, realmente um ótimo e excelente disco. Eu também não creio nada mais chegar às lojas, infelizmente né?
    Grande Abraço mano.

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