quinta-feira, 1 de maio de 2014

ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA - 1967

Excepcionalmente dessa vez coloquei a foto de duas capas encontradas na internet. A primeira é praticamente o mesmo tom de cores que tenho no meu LP, a capa de baixo vem com as cores mais fortes. Qual vocês preferem?


Roberto Carlos em Ritmo de Aventura 1967

01.   Eu Sou Terrível (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02.   Como é Grande o Meu Amor por Você (Roberto Carlos)
03.   Por Isso Corro Demais (Roberto Carlos)
04.   Você Deixou Alguém a Esperar (Edson Ribeiro)
05.   De Que Vale Tudo Isso (Roberto Carlos)
06.   Folhas de Outono (Francisco Lara/Jovenil Santos)

Lado B

01.   Quando (Roberto Carlos)
02.   É Tempo de Amar (José Ari/Pedro Camargo)
03.   Você Não Serve Pra Mim (Renato Barros)
04.   E Por Isso Eu Estou Aqui (Roberto Carlos)
05.   O Sósia (Getúlio Cortes)
06.   Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim (Rossini Pinto)


01.   Eu Sou Terrível (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Música que abre o primeiro filme, empolgante, vibrante e numa perseguição incrível de carro pela estrada de subida ao Cristo Redentor no RJ. Roberto está fugindo dos bandidos. A letra é bem rebelde, Roberto canta de forma agressiva.



02.   Como é Grande o Meu Amor por Você (Roberto Carlos)
Várias vezes foi dito pelo Dudu Braga em seu programa de rádio que essa canção é a primeira música que o papai Roberto fez para a mamãe Nice. Roberto até hoje canta nos shows. Sempre diz que essa música retrata o que ele, Roberto sente pelo público.

03.   Por Isso Corro Demais (Roberto Carlos)
No filme depois de Roberto tirar satisfações com o diretor do filme (Roberto Farias – porém interpretado pelo irmão Reginaldo Farias) sobre os bandidos estarem com metralhadoras, frase do Roberto “Eu não sou James Bond nem nada...” Roberto desce a estrada do Cristo Redentor com essa música, para o carro e lembra: “Esse filme começa em São Paulo, rapá!”

04.   Você Deixou Alguém a Esperar (Edson Ribeiro)
Música que não está no filme,mas tem uma bela introdução, uma letra romântica.

05.   De Que Vale Tudo Isso (Roberto Carlos)
De que vale dinheiro, fama, sucesso, céu azul e não ter a pessoa amada ao lado? No filme Roberto está em Nova York andando de carro cnversivel. Há um exemplar da Revista Sétimo Céu em que mostra Roberto em solo americano.

06.   Folhas de Outono (Francisco Lara/Jovenil Santos)
Essa eu ouvi muito depois do fim do meu primeiro namoro, como eu era bobo. “As folhas quando caem, nascem outras no lugar”, jeito sutil de falar o hoje popular “A Fila Anda”.


Lado B

01.   Quando (Roberto Carlos)
Roberto cantando em cima de um prédio em São Paulo, com banda. Há quem diga que quando os Beatles tocaram no telhado da Apple em Saville Row em 1969, Roberto já tinha feito o primeiro Rooftop Concert em 1967.



02.   É Tempo de Amar (José Ari/Pedro Camargo)
No filme Roberto está pescando, relaxando ou em contato com as fãs. Respondendo cartas no seu apartamento, no mesmo estúdio no prédio em São Paulo onde morava na época da Jovem Guarda.

03.   Você Não Serve Pra Mim (Renato Barros)
Nos discos anteriores Roberto já havia manifestado o seu lado rock em Pega Ladrao, Não é Papo Pra Mim, Os Sete Cabeludos, Note de Terror, Negro Gato entre outros. Agora nesse disco além de Eu Sou Terrível, Você não Serve Pra  Mim chega quase perto de Rain dos Beatles. Na levada e na condução. A distorção ainda era uma coisa nova em terras brasileiras. Aliás tudo no Brasil sempre chega tarde. Mas falando de música nacional, rock nacional, esse é um ótimo rock. Cena do filme, Roberto dá uma bela de uma canseira nos bandidos.

04.   E Por Isso Eu Estou Aqui (Roberto Carlos)
Tenho uma grande identificação com essa cena do filme. Roberto ETA compondo com um violão. Quando encontra a frase e o acorde certos, anota em uma folha com o violão virado com as cordas pra baixo e a folha sobre o tampo. Quando eu compunha eu fazia assim também.



05.   O Sósia (Getúlio Cortes)
A música não está no filme, mas a letra
fala “descobri um cara que tinha a minha cara”. Sósia, quem sabe já não se referia aos covers. Música do mesmo compositor de Negro Gato entre outras.

Roberto e o diretor Roberto Farias, quem faz o papel do diretor é seu irmão Reginaldo Faria. 


06.   Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim (Rossini Pinto)
O disco fecha com um recado, uma música na medida para quem teve um relacionamento terminado há pouco tempo. “Não quero com isso dizer que o amor não é um bom sentimento”. É aquela história do cupido burro, todo mundo já teve um.


Considerações Finais
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura é um disco que a princípio é uma trilha sonora de filme. A exemplo de A Hard Day´s Night e Help dos Beatles e dos filmes de Elvis Presley até pelo menos 1966, o rock nacional também entraria para o setor cinematográfico.
Agora, sobre o disco. Roberto aqui já era sinônimo de sucesso absoluto. O som da banda RC7 estava afiadíssimo. A evolução da qualidade da banda vinha melhorando a cada ano. Os arranjos aqui estão mais elaborados. Por outro lado o disco fecha a era do Iê Iê Iê com chave de ouro. Fecha, Baratta? Sim, essa é minha modesta e humilde opinião, pois o disco seguinte O Inimitável de 1968, o que vem na sequência de 1969 mostram um Roberto Carlos mais adulto e passeando por outros estilos musicais como o soul e o samba. A capa do disco segue uma linha bem semelhante aos discos de trilhas sonoras dos discos de Elvis. Na capa Roberto está em um helicóptero e na contra-capa fotos de cenas do filme. Fotos de Darcy Trigo.  




quarta-feira, 23 de abril de 2014

O DISCO DE 1982

Lado A
1.       Amiga (Roberto Carlos / Erasmo Carlos) – Participação Especial Maria Bethânia
2.       Coisas Que Não Se Esquece (Mauro Motta / Eduard Ribeiro)
3.       Fim de Semana (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
4.       Pensamentos (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
5.       Quantos Momentos Bonitos (Mauricio Duboc / Carlos Colla)

Lado B
1.       Meus Amores da Televisão (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
2.       Fera Ferida (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
3.       Como é Possível (Sérgio Sá / Isolda)
4.       Recordações (Edson Ribeiro / Helena dos Santos)
5.       Como Foi (Eduardo Lages / Paulo Sérgio Valle)

Lado A
1.       Amiga (Roberto Carlos / Erasmo Carlos) – Participação Especial Maria Bethânia
O primeiro dueto de Roberto em disco. Maria Bethânia é a primeira cantora a dividir os vocais com Roberto em um disco dele. A música é um diálogo entre um casal de amigos e o objetivo dessa conversa é “abrir os olhos” da pessoa amiga depois de um fim de relacionamento. Tema que seria revisitado em “Amigo Não Chore Por Ela” em 1996 e “Arrasta uma Cadeira” com Chitãozinho e Xororó em 2005. O arranjo de Charles Calello dá uma atmosfera brilhante à música. As mudanças de tom para Roberto e Bethânia cria um resultado bonito na canção.
2.       Coisas Que Não Se Esquece (Mauro Motta / Eduard Ribeiro)
Cartas, fotografias, lembranças, as coisas que não se esquece nem com o passar do tempo. A melodia do refrão lembra um pouco a canção “Procura-se” de 1980. O arranjo é de Torrie Zito. O mesmo responsável pelas orquestrações do disco Imagine de John Lennon em 1971.
3.       Fim de Semana (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Com outro andamento, mas a harmonia da introdução é a mesma de “O Portão” de 1974, “Amante à Moda Antiga” de 1980, “Hoje é Domingo” de 1993. O arranjo consiste no acorde puro, sétima aumentada e sexta. A letra fala do fim de semana com os filhos, passieo, parque, lanche e tudo mais que o fim de semana proporciona. No especial Roberto passeia com seus filhos em carros de girar como um carrossel. Nem é preciso dizer que isso me remete à minha infância em que papai ia direto comigo aos parques, carrinho de bate-bate, tiro ao alvo, melhor trocar de música antes que eu comece a chorar aqui. O arranjo de base é de Jimmy Wisner e arranjos de cordas e metais de Eduardo Lages
4.       Pensamentos (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Música revisitada no show de Jerusalém. “Os motivos escondidos na razão de estar aqui” na Terra. Perguntas muitas vezes sem respostas que nos fazemos. “São levadas ao espaço” e “de lá eu tenho todas as respostas que eu pedi”. A mensagem é ecumênica, pode ser ouvida e apreciada seja lá qual for a sua religião. Arranjo de Charles Calello.
5.       Quantos Momentos Bonitos (Mauricio Duboc / Carlos Colla)
Uma das mais bonitas declarações de amor em forma de música. A prova de que o repertório do Roberto não fala só de perda. Roberto aqui canta sobre o amor bem sucedido, atual e que tem tudo para continuar rendendo frutos. Arranjo de Al Capps.

Lado B
1.       Meus Amores da Televisão (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Roberto expõe aqui o lado telespectador com todos os prós e contras que o personagem pode passar. Se apaixona pela mocinha da novela, a falta de luz, a espera pelos próximos capítulos. No especial o clipe é ambientado em um sallon como nos filmes de bang bang. E é justamente essa a visão que eu lembro de um natal na casa da minha avó com a TV ligada, todo mundo falando alto e eu emburrado no sofá querendo ouvir. Ano passado quando finalmente tive acesso a esse especial, desliguei o telefone fixo, o celular, desliguei a campainha e pude assistir sossegadamente.
2.       Fera Ferida (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Mesmo quem não conhece ou não curte RC, se identifica com uma ou mais músicas de seu repertório. Essa é sobre fim de relacionaemnto, dqueles que a pessoa literalmente sai de casa com a roupa do corpo. Roberto e Erasmo vão fundo nessa letra. Arranjo de Lincoln Olivetti
3.       Como é Possível (Sérgio Sá / Isolda)
“E tanto a gente se adivinha”... “que a gente já se conhecia e se achou outra vez”. Isso me faz lembrar algo que RC dizia no especial “Pra Sempre” de 2003: “São as almas que se encontram”. Destaque para a guitarra da introdução. Arranjo de Charles Callelo.
4.       Recordações (Edson Ribeiro / Helena dos Santos)
Paredes nuas e lembranças que são suas, sentir o perfume pelo ar, diante da porta que se abriu, tudo isso deve ser uma barra, mas a música seria um perfeito link para “Mudança” de 1991. Arranjo de Torrie Zito.
5.       Como Foi (Eduardo Lages / Paulo Sérgio Valle)
O disco de 1982 fecha com chave de ouro com essa canção que repete o tema já dito nas canções anteriores. A mágica é que existem várias formas de falar de amor, seja ele bem ou mal sucedido. Arranjo de Lou Forrestiere.

Considerações finais
O disco de 1982 é um disco que tenta repetir o sucesso do disco de 1981. Em parte até consegue porque conseguiu emplacar bastante músicas nas rádios, Meus Amores da Televisão era algo que eu sempre esperava tocar na Rádio América que minha mãe ouvia. Esse disco foi um que eu demorei muito tempo para comprar. Era uma época em que não tinha internet para conhecer disco em questão de minutos. Ou alguém emprestava, ou gravava em uma fita cassete, bons tempos. O disco vem com uma foto de Roberto a bordo de um barco, uma fina moldura azul, o que se tornaria característica em seus discos da década de 80, porém com moldura branca. Há algum tempo atrás vi uma foto em uma rede social de uma foto de Roberto, Myrian Rios e mais uma pessoa, que agora não me recordo quem exatamente.
Fotos: Luis Garrido

Pra terminar a foto da Contra Capa, mais algumas fotos da mesma sessão porém em outros lançamentos. 








terça-feira, 8 de abril de 2014

O DISCO DE 1991

01 – Todas as manhãs (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02 – Primeira Dama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
03 – Se Você Quer (Si Piensas... Si Quieres...) Roberto Livi/Alejandro Vezzani
        Adaptação para o Português (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
04 – Não me Deixe (Marcos Valle/Carlos Colla)
05 – OH, OH, OH, OH (Roberto Livi/Salako)

Lado B
01 – Luz Divina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
02 – Pergunte Pro Seu Coração (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
03 – Diga-Me Coisas Bonitas (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
04 – Mudança (Biafra/Nilo Pinta/Aloysio Reis)

Lado A

01 – Todas as manhãs (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de Base: Ary Sperling/Arranjo de Cordas: Charlie Calello
Roberto abre o disco de 91 com essa canção que envolve toda pessoa que a escutar. A letra da dupla fala das lembranças da pessoa amada, lembranças que nos acompanham durante todo dia, os trechos (tudo o que eu vejo de bonito, sempre nos lugares onde vou, paro num sinal e olho a rua na esperança de te ver) enriquecem a letra da canção. O refrão da música é algo que fica martelando na cabeça da gente. Aqui vemos uma prova de que Roberto e Erasmo sabem compor canções comerciais, porém de qualidade. Versatilidade que não vemos nas maravilhas de (artistas) de hoje em dia. Na comunidade O Rei Roberto Carlos, uma pessoa de lá comentava isso esses dias.

02 – Primeira Dama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello
Quando ouvi isso pela primeira vez, juro que pensei na Roseanne Collor, ela era a imagem de primeira dama que me vinha na cabeça e de fato era. Mas em 91 se lembrarmos bem, fomos presenteados com um especial em 19 de abril, um Globo Repórter inteiro dedicado ao rei em virtude dos seus 50 anos. Uma fã pergunta da rua quem era o novo amor de Roberto, ele sorridente dizia: Daqui a algum tempo eu te revelo. Tratava-se de Maria Rita Simões. Ela com certeza foi a Primeira Dama do rei.

03 – Se Você Quer (Si Piensas... Si Quieres...) Roberto Livi/Alejandro Vezzani
        Adaptação para o Português (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Julian Navarro
A canção tem a participação mais do que especial de Fafá de Belém. Se trata de uma canção do já conhecido compositor Roberto Livi, amigo de Roberto Carlos, autor de Se O Amor se Vai entre outras. Fafá de Belém é a terceira pessoa a fazer um dueto com Roberto em um disco de fim de ano. Os outros dois tinham sido o próprio Erasmo em Papo de Esquina em 88 e Maria Bethânia em 82 na canção Amiga. A letra gira em torno de situações de condições para uma volta do casal. Situação bem comum na molecada de hoje, aliás, nem tanto, pois hoje em dia não se namora mais, se fica.


04 – Não me Deixe (Marcos Valle/Carlos Colla)
Arranjo de Base: Charlie Calello/Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
Essa música eu particularmente sempre a achei meio chata no começo. Mas o decorrer dela e a letra tornam a canção linda. A canção fala em loucuras feitas para ficar do lado da pessoa amada. Aliás, a música é um pedido para que a pessoa não se vá. A parte do trecho (Não se afaste de mim, fica comigo, Sei o que te digo) é uma crescente impecável e ficou muito bem na música. Roberto então aqui surge assoviando, coisa que não ouvíamos a muito tempo em um disco seu.

05 – OH, OH, OH, OH (Roberto Livi/Salako)
Arranjo: George Calandrelli
Mais uma da dupla Livi e Salako. Aqui temos 80% dos instrumentos de verdade, o que eu pensava ser metais, é uma Programação por Computador por Gregg Bartheld. Na bateria temos os Carlos Bala. A canção tem um suíngue gostoso, dá vontade de dançar até, (pra quem sabe é ótimo mesmo), destaque para a guitarra com Chorus de Paul Jackson Jr. A letra é interessante, do tipo, (Eu te conheço, não me pergunte de que lugar, só me lembro de uma pessoa quando é assim, Se me deixas eu te acompanho em teu caminhar) um estilo até agressivo de letra bem do tipo cafajeste, Roberto se dá bem cantando assim. Não comparando, mas lembrando de Não Adianta Nada de 73 do Fred Jorge, aquela ficou perfeita.



Lado B

01 – Luz Divina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de Base: Charlie Calello/Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
Creio que a última canção religiosa antes dessa tenha sido Aleluia em 84, pois em 85 teve Paz na Terra (ô coisa boa de se ler não?), teve também Quero Paz em 90, mas nenhuma canção do gênero. Roberto e Erasmo aqui falam sobre Jesus. Uma música envolvente, uma guitarra solo impecável tocada por Dean Parks. A canção foi tocada várias vezes nas igrejas. Quem reza cantando, reza duas vezes.


02 – Pergunte Pro Seu Coração (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
Arranjo: Lincoln Olivetti/Regência de Cordas: Charlie Calello
A letra da dupla Sullivan e Massadas é linda e gira em torno da situação de sugerir a pessoa amada perguntar ao seu coração para ver o que ele responde. A música tem uma atmosfera muito legal da parte (Pense em mim, e em tudo que eu sentir se você me deixar, eu faço qualquer coisa para você ficar, do jeito que eu sempre imaginei). Roberto disse em entrevista no especial do seu disco Ao Vivo em 88 em entrevista para Léo Jaime, que estava sempre procurando uma forma nova para falar de amor. Interessante é que quando o tema é amor, as formas nunca são as mesmas.

03 – Diga-Me Coisas Bonitas (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Ary Sperling/Regência de Cordas: Charlie Calello
As músicas tem uma semelhança na condução. Um estilo que deu certo, não pela vendagem, pois vender o Roberto vende até perfume e disco com música repetida, mas o estilo deu certo pois as músicas agradaram a muitos fãs. Não ficaram como inesquecíveis na memória das pessoas, mas o disco de 91 foi muito bem aceito pelo público. Ary Sperling é um arranjador e compositor de vários temas instrumentais para as novelas da Globo.

04 – Mudança (Biafra/Nilo Pinta/Aloysio Reis)
Arranjo: Eduardo Lages
Eduardo pilota um piano acústico na música do disco que eu mais gosto. A bateria é de Jurim Moreira, o mesmo que tocou no Acústico MTV de 2001, esse ta merecendo uma comunidade não é de hoje, me aguardem. Dean Parks literalmente destrói na guitarra solo. A letra da trinca de compositores é profunda e a canção ficou com uma atmosfera de realmente estar mudando as coisas de lugar, como diz a letra. Essa música fecha o disco com chave de ouro.



Considerações Finais


Na capa, Roberto está com um chapéu, a última vez que tínhamos visto algo do tipo em capa de disco tinha sido em 83. Por sinal, um chapéu semelhante ao que ele colocou no show Emoções Sertanejas em 2009. O disco de 91 é dentro dos padrões RC de qualidade. Um disco gostoso de ouvir, o especial do fim de ano também foi fantástico. Difere de alguns por ter uma participação especial. Aqui também temos o incrível Lincoln Olivetti nos arranjos de Pergunte Pro Seu Coração, George Calandrelli nos arranjos de OH,OH,OH,OH, porém produzida por Roberto Livi. Esse pelo menos é o primeiro disco do rei, pré-acústico 2001 que vejo Jurim Moreira na bateria na música Mudança. Gravado nos estúdios Westlake (Los Angeles), Sigla, Viva Voz e Transamérica (RJ), Lincoln Olivetti, Mix e Crescent Moon que não informam localidades. Fotos: Milton Montenegro. 


domingo, 30 de março de 2014

Eu sou fã de Eduardo Lages! - Por Everaldo Farias


O texto a seguir foi enviado pelo nosso amigo Everaldo Farias. 

Não há muito que se falar sobre Eduardo Lages que todos já não saibam! Maestro do Roberto desde 1977, trabalhou para Programas Globais como o Fantástico, Globo de ouro e Moacir Franco, tocou em locais adversos como Igrejas e Zonas, fez parte do MAU (Movimento Artístico Universitário), que reuniu nomes como Ivan Lins e Gonzaga Jr., é pianista de formação erudita, é produtor, tecladista, arranjador e tudo isso pode ser conferido nos créditos dos discos de Nelson Gonçalves, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Agnaldo Timóteo, Roberta Miranda, Waldick Soriano, etc. Foi premiado no exterior e no Brasil por seu trabalho e tudo mais pode ser encontrado em qualquer site que exponha alguma biografia dos grandes nomes de nosso cenário musical!

É um dos poucos músicos brasileiros que lança regularmente trabalhos instrumentais e que obtém êxito em vendagem, desde seu primeiro CD, Emoções (2005), que foi produzido apenas como uma homenagem aos arranjos e às canções clássicas de seu patrão! Alguns criticaram porque os arranjos não traziam novidades, mas essa intenção só foi tomada em projetos posteriores e que pode ser conferidos a partir do CD Cenário (2006), embora já no primeiro CD temos Olha e Cavalgada que distam de seus arranjos originais. Seu mais recente trabalho, Romances (2012) traz clássicos internacionais interpretados com uma maturidade instrumental impressionante e também a participação do cantor de sua orquestra na divina Eu nunca amei alguém como eu te amei!

Percebo em alguns que o consideram como um músico menor, comparado com grandes maestros da década de 70 que constaram nos créditos dos discos do Roberto e, com exceção de Chiquinho de Moraes, de quem Eduardo foi pupilo, todos dos Estados Unidos. Como Eduardo figurou nos discos de sua majestade já ao final daquela década, não temos muito material para que essa desnecessária comparação seja mais debatida e justamente acertada. Mas, já ali se percebia um maestro capaz de estar a frente de uma grande orquestra como era a do Roberto que, além dos músicos do RC-9, trazia naipes de cordas. Eduardo já despontava como compositor, na bela Às vezes penso e depois Confissão em 1980, ano em que também foi premiado com o arranjo de Tentativa, à moda dos anos 70.

Na década de 80 houve uma modernização na sonoridade da música, onde outros sons se fizeram necessários, acompanhando a tecnologia e a onda de teclados, que muitos ainda abominam. Vejo em Eduardo um músico que soube se modernizar, que acompanhou as novas tendências, mas sem perder suas raízes e seu estilo que está muito mais para estes maestros gringos do que estes “críticos” conseguem perceber. O grandioso show Emoções, em 1983 prova isso e mesmo depois, onde a orquestra de cordas deu lugar aos teclados (tido como muitos como a maldição), ele manteve o padrão de boa qualidade que só fez se elevar tanto musicalmente como tecnicamente nos shows de sua majestade. Também não vejo como muitos que consideram o teclado a laranja podre da música e sim, um aliado nessa modernização necessária, apresentada não apenas por Roberto Carlos nesta década, mas por toda música mundial.

Concluo que é bastante injusto separar Eduardo de outros maestros dos anos 70 e responsabilizá-lo pela queda na qualidade musical dos anos 90, que também não aconteceu apenas com o artista Roberto Carlos. Aqui Eduardo é um funcionário e obedece à risca o que seu chefe determina e provavelmente seja este o motivo crucial que o faz estar tanto tempo na regência daquela orquestra, sempre nos presenteado com aberturas e arranjos magistrais a cada show (que só não traz mais tantas novidades porque o protagonista não deseja). Sem falar dos especiais de fim de ano que, quando permitia dobradinhas com Augusto César Vanucci, nos presenteava com números inesquecíveis.

Vale observar também que a década de 70 trouxe canções de elevado grau de inspiração e provavelmente isso ajude muito um maestro a criar. Mas, a crítica se volta à chamada “tecladeira” que acabou com aquela sonoridade de cordas e instrumentos reais e como Eduardo cresce no número de arranjos nos discos do Roberto nos anos 80 e 90 em diante, muitos o responsabilizam por essa chamada pasteurização. Em seu CD/DVD de 2007, Eduardo contradiz isso e mostra que é mais para aquele som dos anos 70 que para a sonoridade atual, dando roupagem nova a grandes sucessos. E uma comparação justa e que reflete o que estou tentando mostrar se faz quando pegamos o disco do Roberto de 1994, onde Eduardo faz arranjo de base e de cordas para a maioria das canções. Naquele mesmo ano, Chiquinho de Moraes ficou responsável pelo arranjo de cordas de grande parte das canções do novo CD do Fábio Jr. Então, se você ouvir Custe o que custar, do Roberto ou Alma gêmea do Fábio, não deve perceber tanta diferença nas linhas de arranjo, mas torce o nariz para o trabalho do rei, porque tem muita programação de computador, deixando o arranjo “pasteurizado”, como definem e atribuem isso ao seu maestro fiel.

Pela direção musical e arranjos ao vivo, nem se fala, pois o cara já trabalhou com grandes nomes do nosso cenário: é respeitável ter no seu currículo nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Milton Nascimento, Pavarotti, Gal Costa, Maria Bethânia, Luiz Gonzaga, coisas que ele tirou de letra e nos proporcionou encontros inesquecíveis nesses especiais com alguns destes e outros. Desafiante deve ser trabalhar com um Mc Leozinho, pois, discriminação a parte, ele pôs aquela canção no patamar de um dueto com o rei e traiu os comentários contra. As grandes aberturas dos shows do Roberto magnetizam a todos que estão esperando impacientes, por conta dos constantes atrasos nos shows, mas que tudo é esquecido quando as primeiras notas são entoadas e talvez sejam as poucas coisas creditadas unicamente a ele. E o que dizer sobre grandes arranjos ao vivo de Cavalgada, Ilegal imoral ou engorda, Negro gato, Cama e mesa, Amor perfeito, Do fundo do meu coração, Eu sei que vou te amar, Nêga, Meu ciúme, Por causa de você, Que maravilha, Pensamentos, vários medleys e tantos outros que nem sempre terão a pretensão de serem melhores que os originais, mas ao menos são novidades e sempre emocionam e nos tocam.

E suas composições? Adoro Momentos tão bonitos, Eu vou sempre amar você, Eu quero voltar pra você, Coisas do coração, Cenário, Nunca te esqueci, Assunto predileto, Eu nunca amei alguém como eu te amei. Cortante o arranjo que fez para Confissão em seu CD Nossas canções: é o piano nos dizendo “Eu só queria saber de você...” Sabiam que foi um desafio e tanto compor um samba, coisa que não é lá sua praia, mas que foi um pedido todo especial de seu compadre? Vê se volta pra mim surgiu assim, naquele momento triste, mas que o rei precisava tocar em frente! Um pagode estilizado, como as rádios anunciavam.

Ainda acham que ele não cria muito? Escutem seus CD´s, que nem são muitos, mas emocionantes! Lá tem coisas do Roberto e de outros astros internacionais. Alguns atribuem a arranjos parecidos com Richard Clayderman, com poucas novidades, mas se você ouvir melhor suas gravações encontramos grandiosidades como McArthur Park, O portão, Overjoyed, Love story, Por isso corro demais, Michelle, O tempo vai apagar, As time goes by, Falando Sério, The more i see you, Você,  My chérie amour, Outra vez, Verão 42, entre outros. Ele ousa apresentar Cama e mesa em chorinho ou Debaixo dos caracóis dos seus cabelos em sertanejo raiz, Vista a roupa meu bem à moda Ray Connif e Costumes como bolero. Canzone per te ficou francesa, com direito a acordeom e Perdoa e Jovens tardes de domingo arrancam lágrimas de quem as escuta. Detalhes ficou com uma melodia menos cansativa sob sua leitura e revivemos os Beatles sem nenhum pecado em Eleanor Rigby e se isso ainda não for suficiente e bom, lamento os que não conseguem serem tocados por sua arte, pois ela me faz muito bem!

Um forte abraço a todos!


Texto Everaldo Farias. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

O DISCO DE 1994



O DISCO DE 1994

Lado A
  1. Alô (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  2. Quero Lhe Falar do Meu Amor - 4:45(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. O Taxista (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  4. Custe o Que Custar (Helio Justo/Edson Ribeiro)
Lado B
1.    Jesus Salvador (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  1. Meu Coração Ainda Quer Você (Mauro Motta/Robson Jorge/Paulo Sérgio Valle)
  2. Quando a Gente Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  3. Silêncio (Beto Surian)
  4. Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)

01.Alô (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O personagem da letra descreve a mulhe amada como uma pesoa que não bate bem da caçoleta. Seria  um relacionamento estilo bungue jump? Aquela coisa de só ligar se quer ai para o momento. Essa coisa de (instantâneo) só rola com macarrão mesmo. O som desse disco está bem eletrônico, com bateria programada por computador. Solo de guitarra perfeito. No especial de fim de ano a música ganhou um clipe. 

02. Quero Lhe Falar do Meu Amor - 4:45(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Música com um toque árabe, a letra fala de odaliscas, deserto e tenda. Um clipe foi feito dessa música com Roberto e a atriz Adriana Esteves, bem pré-Carminha. Um clipe que ficaria legal também seriam com as imagens de Israel e Egito contidas no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa”. 

03. O Taxista (Roberto Carlos/ Erasmo Carlos)
Roberto e Erasmo que já tinham feito duas músicas para os caminhoneiros surgem com “O Taxista”. Um herói. Roberto fala no especial de fim de ano que “os taxistas lhe cobravam: como é Robertão, e a nossa?” grande solo de guitarra. Nos anos 90 apenas o refrão foi inserido em um medley sobre velocidade. O arranjo aqui é de Charlie Calello. 

04. Custe o Que Custar ((Helio Justo/Edson Ribeiro)
Música que saiu primeiramente em compacto, anos mais tarde no LP San Remo, que vinha no filme “Diamante Cor de Rosa”. Aqui Roberto já apresenta uma mudança na letra do trecho “...será meu Deus enfim, que eu não tenho paz” para “Somente em Deus enfim é que eu encontro a paz”. Outros exemplos semelhantes seriam em “É Preciso Saber Viver” o trecho “Se o bem e o mal existem” passou a ser cantado “Se o bem e o bem existe” e “Além do Horizonte” na mudança “Se você não vem comigo” para “Porque você vem comigo”. 






Lado 2
01.         “Jesus Salvador” (Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Uma das melhores letras de Roberto e Erasmo sobre Jesus. Sim, todas as canções de mensagem lançadas desde “Jesus Cristo” de 1970 são grandes músias, mas “Jesus Salvador” é praticamente uma oração. Quem reza cantando reza duas vezes. A música foi revisitada no especial de 2008 com tom mais baixo. Arranjo de Charlie Calello.  

 02. O Meu Coração Ainda Quer Você (Mauro Motta/Robson Jorge/Paulo Sérgio Valle)
Musica sobre uma possível volta. Grande arranjo de Eduardo Lages, grande solo de sax de Ed Calle por toda a música.

 03. Quando a Gente Ama (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
  Quando a gente ama
  Faz loucuras não se toca
  Tudo é lindo a gente gosta
  Não importa o que der
  Quando a gente ama
  Nesse amor tudo é perfeito
  E não vemos os defeitos
  Desse alguém que a gente quer
  Quando a gente ama
  Esses defeitos são virtudes
  E os erros atitudes
  Que jamais a gente vê
  Perde-se o juízo
  O coração da gente voa
  E tolices numa boa
  Por amor a gente faz
  Tudo a gente aceita
  Quando está apaixonado
  E não há nada de errado
  Por que amar é bom demais
  Quando a gente ama
  A gente rí a toa
  Tudo tem desculpa
  Tudo se perdoa
  O orgulho dança
  A gente é uma criança
  E diz sim pra tudo
  Quando a gente ama
  Tudo é um bom programa
  Pode ser na rua
  Pode ser na cama
  O  amor é lindo
  E tudo é mais bonito
  Quando a gente ama

Uma das músicas que minha mãe mais gosta. Existe letra mais direta que essa? Precisa dizer mais algo?

04. Silêncio (Beto Surian)
Grande música de Beto Surian, que até onde eu sei só teve essa canção gravada por Roberto, que solta a voz de forma espetacular. Na década de 90 sua voz estava impecável e com um alcance fantástico. 

05. Eu Nunca Amei Alguém Como Eu Te Amei (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Uma música de volta, de tentativa de volta”Há coisas que o tempo não desfaz”, “Quem olha nos meus olhos vê que nada terminou”... excelente música que traduz a situação de muitos fãs. Só a única coisa que eu pensei: o final da música ficaria legal como introdução. 



A sonoridade desse disco está um pouco mais diferente aqui, a presença de teclados é bem intensa. Bateria acústica só na “O Taxista”. O especial de fim de ano foi na terra do nosso amigo e leitor Robert, em Minas Gerais. Roberto mais uma vez surpreende com um terno rosa. A capa é toda em tom azulado, capa dupla mantendo o padrão desde 1975, interrompido apenas em 1977. Agora uma curiosidade da qual eu não tinha me tocado ainda e que apareceu no nosso grupo no facebook postado por um amigo: A capa tem uma semelhança gritante com a capa do disco “Roberto Carlos Canta Para a Juventude” de 1965. Nos comentários da postagem ainda surgiu que Roberto queria reviver a capa de 1965.
Gravado nos estúdios: Sigla (RJ) e Criteria Recording Studios (Miami).
Fotos: Luis Garrido