domingo, 8 de dezembro de 2013

O DISCO DE 1976



Lado A
Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Os seus botões (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
O progresso (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) ***
Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) **
O dia a dia (Neneu – Fred Jorge) ****
Pelo avesso (Isolda – Milton Carlos) **
Lado B
Você na minha vida... (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)**
A menina e o poeta (Wando) ***
Comentários (Carlos Colla – Mauricio Duboc) **
Minha tia (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Um jeito estúpido de te amar (Isolda – Milton Carlos) **
Por motivo de força maior (Getulio Cortes) ****

Arranjos
Charlie Calello *
Jimmy Wisner **
Al Capps ***
Horace Hott ****

Gravado nos estúdios CBS – New York, Larrabee Sound (Los Angeles).
Fotos: Darcy Trigo

Ilegal, imoral ou engorda (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo de Charlie Calello
Em 1976 Roberto já tinha consolidado sua carreira como, cantor, compositor e interprete. Havia onze anos que o primeiro programa Jovem Guarda tinha ido ao ar. Ou seja, Roberto agora era um ícone nacional e internacional. Roberto então seria um... prisioneiro da própria fama? Vivia ele cercado de acessores, seguranças, empresários e quando não estava no avião ou no palco estava em escritórios, reuniões...
Numa dessas reuniões em um escritório em São Paulo, Roberto vê a frase em uma mesa: Tudo o que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda. Roberto contou isso no programa Entrevista da extinta MTV. Contou também em outra entrevista que o maior sonho dele, na época (1995 – 1996) era ir a um barzinho daqueles que tem mesas na calçada. Roberto não fazia isso a muito tempo. E disse: Ah, eu fico morrendo de vontade de ir a um barzinho que tem as mesas na calçada, tomar um sorvete.
No programa Em Nome do Amor de Silvio Santos, quando questionado sobre ser prisioneiro da fama, Roberto disse que entendia que a fama era algo que ele tinha batalhado, trabalhado muito e que isso (o ofício de cantar) ele fazia com muito amor. E finalizou dizendo que se (não poder circular) por aí era por amor tá tudo bem.
Hoje como todo mundo sabe, Roberto mora na Urca. Onde ao lado do prédio em que mora, tem o seu estúdio Amigo. A questão é que se em 1976 Roberto já não podia andar por aí tranquilamente, imagine hoje! Apesar de tudo, quem conhece Roberto diz que ele é um homem simples. Inacessível, por causa de todos os seus compromissos e a própria fama, mas é um homem simples, que gosta de estar sempre com a família e amigos.   


Os seus botões (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo Charlie Calello
Música que fala do amor no sentido de sexo. A canção fala da primeira noite de amor de um casal. Os dois se despindo lentamente, capa pendurada, chuva lá fora. Recomenda-se um ambiente a meia luz, esse som no toca disco e um bom vinho. Ah, tire o telefone do gancho, desliga o celular e passa longe do computador.

O progresso (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) ***
Arranjo All Capps
Roberto já tinha amadurecido muito como pessoa e como artista. Tinha uma carreira muito bem solidificada. No Brasil, sempre tivemos dois tipos de artistas, os que cantam e os que não cantam canções de protesto. A canção “O Progresso” fala, da devastação, matança de animais e  poluição dos mares. Belo arranjo de All Caps. Outra canção protesto seria em 1979 em O ano passado. No especial da Rede Globo de 1976, Roberto falou antes da canção sobre as baleias, uma prévia de um tema que viraria mais um sucesso em sua carreira no disco de 1981.

Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) **
Arranjo Jimmy Wisner
A exemplo de “É preciso saber viver”, essa música muita gente também já conhecia porém com outro arranjo. É preciso saber viver, lançada em 1974 já tinha sido cantada por Roberto, Erasmo e Wanderléa no filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa” em 1968. No mesmo filme, Preciso chamar sua atenção era cantada por Erasmo Carlos em uma cena que ele está em uma praia, onde tem uma linda mulher pintando um quadro, ela com um biquíni grande demais para os dias de hoje, porém que não tira o brilho de sua brilhante atuação.

O dia a dia (Neneu – Fred Jorge) ****
Arranjo Horace Hott.
No disco em vinil, os créditos para o primeiro compositor está como Neneu, porém no disco de 1969, o crédito na canção Quero ter você perto de mim, está como Nenéo. Nenéo é o compositor que mais lutou para ter suas músicas gravadas pelo rei. Nesta ele está em parceria com Fred Jorge, outro letrista fantástico. A canção narra o dia a dia de um casal cujo o relacionamento está em decadência. Destaque para o refrão por dois fatores. Um é o coral em “baby, baby, baby,,,” e outro para o início do refrão em que Roberto fala “Meu bem”, dizem que Roberto se dirigia a Nice assim.

Pelo avesso (Isolda – Milton Carlos) **
Arranjo Jimmy Wisner
Neste ano foram mandadas duas músicas dos irmãos Isolda e Milton para Roberto. Pelo Avesso e Um jeito estúpido de te amar. Para a surpresa dos dois  irmãos, as duas entraram no disco de 1976. O refrão é apelativo, porém de uma forma inteligente. “...eu quero o seu amor a qualquer preço...”.



Lado B
Você na minha vida... (Roberto Carlos – Erasmo Carlos)**
Arranjo Jimmy Wisner
Esta é uma das mais belas canções de Roberto e Erasmo. Casamento perfeito entre arranjo, letra, música, sonoridade. No disco em vinil está como Você NA minha vida, em algumas publicações, tipo revistas de música, está como Você EM minha vida. Cheguei a pensar uma vez que “Você na minha vida” fosse um embrião para Outra vez de Isolda. Pois a le

tra trata de um amor que foi a felicidade e hoje é só tristeza e recordações. “...dos amores que eu tive / o mais complicado e o mais simples pra mim / mentira sincera / brincadeira mais séria...”. Em Você na minha vida temos “... Você foi a melhor coisa que eu tive / mas o pior também em minha vida / você foi o amanhecer cheio de luz e de calor / em compensação o anoitecer a tempestade a dor / você foi o meu sorriso de chegada e a minha lágrima, de adeus...” Mas tanto Você na minha vida quanto Outra vez, cada qual tem seu brilho. Apenas falam do mesmo tipo de situação.

A menina e o poeta (Wando) ***
Arranjo de All Capps
Na década de 70, Wando, assim como Ronnie Von e Benito di Paula, eram empresariados por Marcos Lázaro, e costumavam encontrar com o rei no escritório vez ou outra. Wando (grande compositor e cantor) que estourou com Fogo e Paixão em 1988, compôs essa canção que provavelmente foi entregue à Roberto em uma fita k7.

Comentários (Carlos Colla – Mauricio Duboc) **
Arranjo Jimmy Wisner
A canção da dupla Duboc e Colla fala de uma situação em que o relacionamento provavelmente acabou e que fique entre quatro paredes para que as famosas bocas (leva e traz) não saiam por aí falando demais, ou de menos...

Minha tia (Roberto Carlos – Erasmo Carlos) *
Arranjo Charlie Calello
Primeira homenagem, com nome e tudo de Roberto em disco. Roberto estava em Los Angeles em um hotel quando na TV viu um programa de variedades em que se falava do significado de um tio na família. Sua memória se fixou em sua tia Amélia Moreira, uma das irmãs de dona Laura. No começo sua carreira, Roberto morava em Niterói, porém quando ia tentar sua sorte, às vezes ficava tarde para voltar e ele dormia na Tijuca. Em Niterói Roberto morava na casa da tia Jovina. Tudo veio a cabeça e Roberto chorou bastante, de lembrar quanto trabalhoso era e foi o começo de tudo. A canção foi concluída com Erasmo pelo telefone. Minha tia foi gravada em Los Angeles, e a tia  Amélia ficou sabendo depois do lançamento quando recebeu do sobrinho um disco autografado.

Um jeito estúpido de te amar (Isolda – Milton Carlos) **
Arranjo de Jimmy Wisner
A letra é como diz o título. Um jeito estúpido de te amar. Cada pessoa tem o seu jeito de amar e de se defender, de se doar para a pessoa. Destaque para a flauta do início. Uma música bem calma, porém com uma força incrível.
Milton faleceu tragicamente a bordo do seu Passat indo de Jundiaí para São Paulo aos 23 anos em 20 de outubro de 1976. Portanto, não viu o lançamento do disco do rei.

Por motivo de força maior (Getulio Cortes) ****
Arranjo Horace Hott
Canção do mesmo autor de Pega Ladrão, O sósia, O gênio, O feio, O tempo vai apagar. Autor que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente em  um show da Lílian Knapp e sua banda no Little Darling em SP. Minha finada banda Expresso abriu o show para a Lílian. Getúlio faria com ela parte do show e assistia a tudo do segundo andar da casa. Como homenagem da banda, cantamos O sósia.

Gravado nos estúdios CBS – New York, Larrabee Sound (Los Angeles).
Fotos: Darcy Trigo
Roberto nesse disco aparece na capa de cabelos mais curtos. Uma sessão de fotos em que Darcy Trigo teve muito bom gosto. Primeiramente, Roberto está todo de branco, é quando surge o cravo na lapela e o rei está com um chapéu. Mais uma curiosidade,  Roberto está deitado em uma rede, pura ironia, pois nessa época, o rei mal podia se dar ao luxo de descansar. Nós fãs sabemos, Roberto quando não está no estúdio, está no palco, ou com a família. Na capa interna, Roberto está com um outro figurino: jaqueta de couro, camisa aberta, calça boca de sino e uma bota, com um salto muito legal rs. Sentado em um belíssimo triciclo, que o dia que eu tiver grana eu terei um.
Esse disco na minha vida tem lá a sua história. Desde pequeno, eu tinha um costume que muita gente pode achar estranho para uma criança, mas, onde quer que eu fosse, eu gostava de levar os meus discos. Isso mesmo, os LPs. Por isso, em uma viagem para Poços de Caldas, parte da mala arrumada por minha mãe, tinha que ter espaço para os discos, quando ia a casa da minha avó, dependendo do dia, tinha que levar os discos. O que é natural hoje quando as pessoas levam seus mp3 players, ou disc man, ou suas músicas no celular, esse texto é um pouco antigo, pois hoje as pessoas levam suas músicas preferidas no celular; ou walkman  (quando eu era office boy), muito antes... eu gostava de levar os meus LPs. Muitas vezes na minha madrinha eu cheguei a levar meus vinis. Mas um dia, minha mãe falou que ia à casa de uma prima. Ao chegar lá,  um monte de discos do Roberto e fixei nessa capa que eu até então não conhecia. Sabe-se  lá se era disco novo dele, creio que não, também mal vou me lembrar dos discos que carreguei aquele dia. Mas esse disco era uma novidade para mim. Fiquei anos conhecendo-o só pela capa, na maior curiosidade em saber quais músicas continham, até comprar meu primeiro LP de 1976. Isso é bem diferente dessa molecada de hoje em dia que encontra em dez minutos na internet toda a discografia de um determinado artista ou banda para baixar. Mas o mp3 trouxe o fim do impacto da capa. O cd já tinha tirado quando eliminou os Lp´s. O mp3 acabou de vez com a parte gráfica de disco, capa, contracapa, encarte, ficha técnica... “Como o rei diz nesse disco “ Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso”. 



Pra terminar: fotos da mesma sessão que saíram não no disco, mas em revista de cifra para violão e guitarra e outras achadas na net. 




3 comentários:

  1. Muito legal, parabéns! Gostei muito! Boas lembranças e histórias!

    Blog Música do Brasil
    www.everaldofarias.blogspot.com

    Um forte abraço a todos!

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  2. Sobre "O Progresso", Robertou diria em sua entrevista à Revista Veja em , quem me cobrava uma canção de protesto não se manifestou quando lancei essa.

    "Preciso Chamar Sua Atenção" eu conheci primeiro com o Roberto mesmo, só muito tempo depois fui ouvir a versão original lançada pelo Erasmo em 68 e com o nome de "Vou Ficar Nu Pra Chamar Sua Atenção" que o Roberto mais contido mudou em sua gravação, assim como alguns versos.

    Também gosto muito de "Você Em Minha Vida", tenho vontade de fazer um arranjo meio rock/blues pra ela, na verdade sempre a toco assim no violão, mas queria fazer com banda mesmo.

    Bicho, você sabia que o Erasmo detesta "Minha Tia"? Achei engraçado ele falando quando perguntaram de uma música que ele não gostava das que compôs e ele citou essa e disse: "talvez seja porque é a tia do Roberto e não a minha". hauhauhuahua

    As duas músicas que fecham o disco também estão entre as minhas prediletas, "Um Jeito Meio Estúpido de Te Amor" e "Por Motivo de Força Maior".

    Cultura inútil: essa capa da revista é uma das poucas fotos em que o Roberto aparece com a aliança de casamento no dedo, rs.

    Abração, mano. E segue a discografia...

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  3. Ae mano, "Você Na Minha Vida" com arranjo blues? Legal, gostaria de ouvir, grava e me manda.
    "talvez seja porque é a tia do Roberto e não a minha" hehe, grande Erasmo.
    Essa da foto ser uma das poucas em que Roberto aparece com a aliança de casamento no dedo, não é cultura inútil não, vc é fã e mais atento que eu rs.
    E segue a discografia...

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