quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O DISCO DE 79




A década de 70, a mais marcante para muitos fãs, encerra-se com um disco em grande estilo. Roberto Carlos 1979 apresenta o rei na capa em um plano escuro, uma luz vinda do lado direito e iluminando metade do seu rosto. Nesse disco em especial, podemos notar um grau a mais no eco em sua voz, talvez uma das muitas marcas registradas que deixaram as músicas desse disco marcantes e fixas na cabeça de muita gente. Esse disco é (por enquanto) o único em vinil que eu tenho em espanhol, mas como o Roberto diz em Seres Humanos: Aiiiinda!


Lado A
01.  Na paz do seu sorriso (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
02. Abandono (Ivor Lancellotti)
03. O ano passado (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
04. Esta tarde vi llover (Armando Manzanero)
05.  Me conte a sua história (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Lado B
01. Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
02. Voltei ao passado (Mauro Motta e Eduardo Ribeiro)
03.  Meu querido, meu velho, meu amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
04.  Costumes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
05. As vezes Penso (Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle)

Lado A
01. Na paz do seu sorriso (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jack Cortner.
Aqui a dupla Roberto e Erasmo ressalta a paz do sorriso da pessoa amada, a paz em estar com a pessoa, a realização dos sonhos, ver, sentir e estar feliz com o momento em que se vive. Essa música tapa a boca de muita gente que não conhece Roberto Carlos e que falam que suas canções falam apenas de sofrimento, de perda. O que não é verdade. Roberto tem músicas para todas as ocasiões. Essa por exemplo pede um vinho, à meia luz, num final de tarde de sábado e... claro, já ia me esquecendo. Tire o telefone do gancho hehe. Essa música teve uma releitura em inglês no disco de 1981. At peace in your smile

02. Abandono (Ivor Lancellotii)
Arranjo de Al Capps.
Falando em perda, essa música aqui é da famosa linha estilo corta pulso. Porém a letra situa-se em um tempo de espera, almejando uma volta da pessoa amada. Se voltar não me censure / se voltar não faça espanto/ dê um jeito nessa casa... ou seja, o vazio, nada funciona quando não estamos perto de quem amamos. Destaque para o violão bem conduzido, se alguém souber o nome de quem tocou esse violão, eu agradeço.

03. O ano passado (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmy Wisner.
O bom e velho Jimmy aparece senhoras e senhores. A letra é uma bela alfinetada ao progresso que, digamos, começava a colocar as manguinhas de fora. Nos versos (as chaminés do progresso não podem parar, silenciosos voadores, quem brinca com a natureza, envenena a própria mesa...) Lembrem-se que a dupla Roberto e Erasmo já tinha falado em progresso, na música homônima em 1976. No lançamento do disco acústico em 2001 no programa do Faustão, o apresentador lembrou que Roberto já falava em ecologia quando isso nem era moda ainda, ou seja, Roberto é um cara à frente do seu tempo. Erasmo em seu show “Cover” antes da canção “Panorama Ecológico” falava que antigamente ninguém entendia quando na década de 70 ele e Roberto falavam de ecologia.

04. Esta Tarde vi llover (Armando Manzanero)
Arranjo de Frank Owens.
Nessa canção, Armando Manzanero relata sobre (Esta tarde) onde se vê a chuva, a noite, os pássaros enamorados e com toda a paisagem, o clima de amor no ar, não se vê a pessoa amada, novamente o vazio que a pessoa deixa em nossas vidas quando parte.
                                    
05. Me conte a sua história (Mauricio Duboc e Carlos Colla)
Arranjo de Al Capps.
Na letra dessa canção, a dupla Duboc e Colla falam de uma situação diferente das situações que estamos acostumados a ouvir na voz de Roberto. Seria um amor novo chegando, a fase do conhecimento, geralmente vem depois da fase da conquista. Bom, melhor eu não me aprofundar muito, mas vamos lá. Geralmente queremos saber a história da pessoa que está a um passo de ser promovida a pessoa amada. (Conta pra mim seus desejos/ o sonho escondido que não realizou/ me fala dos seus erros/ do quanto chorou e ninguém percebeu) esta aí uma variação diferente em letra de música. Geralmente quando saímos de um relacionamento e depois de um tempo vamos para outro, vamos meio que (pisando em ovos) com cuidado, pois a gente leva tanta bordoada que se pudéssemos evitar passar a imagem de trauma para a pessoa que chegou agora, seria bom. Mas muitas vezes nem nos damos conta de que a pessoa que está chegando para fazer parte da nossa vida, pode ter vindo de um perrengue daqueles também. 



Lado B
01. Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Al Capps.
Toda vez que escuto essa canção me vem a Angela Maria na cabeça, em virtude do belíssimo dueto que ela fez com o rei em um dos especiais da Globo. Tudo o que é falado na letra é um verdadeiro (jogar na cara) da pessoa amada, quase sempre aquela para quem nós damos o sangue e no fim das contas não faz muita diferença. No show em Viña Del Mar no Chile em 1989, Roberto fala antes da música uma característica muito curiosa. Mudando um pouco o padrão das postagens coloco o vídeo aqui. 



02. Voltei ao passado (Mauro Motta e Eduardo Ribeiro)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Motta e Ribeiro falam do tipo de situação em que voltamos ao passado e pensamos no penúltimo relacionamento. Quase sempre é assim: terminou o atual, você volta a pensar no último, sendo que o atual ficou sendo o último, o anterior ficou sendo o penúltimo. É o exemplo claro da recaída. Mas sempre com o pensamento no final. Será que não foi melhor que no fim das contas eu não fui atrás da fulana? Experiência própria meus amiguinhos, eu já fui atrás da penúltima e quando cheguei lá, ela estava noiva, me senti um imbecil, mas deixei um cd com as músicas que eu tinha acabado de gravar, 90% falando dela.
Que coisa não?

03. Meu querido, meu velho, meu amigo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Essa machuca. Depois de Minha Tia 1976, Lady Laura, Roberto homenageia o Sr. Robertino Braga, seu pai. Pouco depois do disco ser lançado, lembro que eu estava numa esquina de uma rua eu com quatro anos e pedia um gibi para o meu pai, devia ser o enterro ou velório do meu avô materno, minha mãe sofreu muito, e por muitos anos, até hoje diz não poder ouvir essa música. De 1990 para cá, eu não posso mais ouvir, pois meu pai faleceu em 1990 em dezembro. Roberto foi fundo nessa letra e colocou nela, tudo o que sentia. Mais uma vez chamo a atenção para mais uma das qualidades do Roberto, a identidade dos seus fãs. Todas as pessoas devem reconhecer que se identifica com alguma canção do Roberto, ele atinge a todas as classes, todas as situações, todas as idades.

04. Costumes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jack Cortner.
Segundo fontes Robertísticas muito confiáveis, a separação de Roberto e Nice ocorreu em março de 1978. Está bem claro que essa música fala a respeito da separação.

05. As vezes penso ( Eduardo Lages e Paulo Sergio Valle)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Até 1979 não me lembro de alguma composição de Eduardo Lages em um disco do Roberto, porém, se essa for a primeira, já chega com maestria. Belíssimo arranjo de Jimmy Wisner, a canção fala do (pensar) no recomeço, de voltar ao início, (pra fazer as coisas que a gente não fez) e do amor dos que estão em início de relacionamento (dos que amam sem saber, sem poder prometer, se existe um amanhã)... Esse espírito de (o amanhã a Deus pertence), é próprio dos apaixonados em começo de namoro.  




Considerações Finais.
O disco fecha a década de 70 com chave de ouro. Lembrando que os anos 70 foram a transição do Roberto da Jovem Guarda para o Roberto romântico e adulto. Mais uma vez ressalto, quando muito fulano por aí fala que Roberto nunca muda, dá vontade de fazer o fulano escutar toda a discografia do rei, pois Roberto é o que mais muda, mais se arrisca. Perfeccionista que é, sempre acerta. Os anos 60 com a Jovem Guarda, o negócio era o rock, o ritmo que timidamente tinha chegado por aqui, meio que simultaneamente.
Nos anos 70, a identificação do público com ele, um público ouvia-o na Jovem Guarda, mas que com os anos, já deviam estar casados, vida em família, do estilo de Quando as Crianças Saírem de Férias. Por isso, Roberto é contemporâneo, ao mesmo tempo atemporal e a frente do seu tempo.
Esse disco vem com a equalização perfeita, uma perfeição que ele já vinha buscando de disco em disco. No que podemos falar da prensagem da gravadora, os discos de 77 várias cópias que eu peguei, soam meio que abafadas. Os de 78 estão melhores. Os de 79 e de 80 estão chegando na melhor sonoridade que eu já ouvi que são os discos do ano de 1981,
Gravado nos estúdios FILMWAYS/HEDER – Los Angeles
                                     A&M STUDIOS         - New York
                                        CBS

 Uma rara foto da sessão de 1979

Fotos de Darcy Trigo

7 comentários:

  1. Impressão minha, ou Roberto gravou em tons mais altos do que de costume,,,

    Esse disco foi o primeiro do Roberto que saiu com tiragem inicial de 1 milhão de cópias e atingiu entre 79 e 80 , vendagem superior a 2 milhões de cópias.

    Nessa época , eu muito jovem , já trabalhava em uma loja de discos e o disco vendeu muito.

    Lembro que o especial da Rede Globo em 1979 , passou no dia 23/12 e no dia 24 as vendas superaram muito as estimativas do dono da loja e o disco esgotou em poucas horas depois da loja aberta...

    O estoque só foi reposto uma semana depois.

    Eu nunca entendi como o Roberto não tem nenhum disco no ranking dos 10 mais vendidos do País,,, Só quem trabalhou em loja de discos, sabe do que estou falando...

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    1. Pois é Sopa, os tons estão altos sim, senti a mesma coisa. Roberto nesse ano está com um alcance de voz fantástico. Eu só fui trabalhar em loja de discos em 1990. Peguei a época em que o pessoal ainda comprava discos, mas não com a mesma intensidade dos anos anteriores.
      Valeu pela visita e comentário.

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  2. Mais um discaço do Roberto, só pérolas, gosto especialmente de O Ano Passado e Costumes, mas o disco me agrada muito como um todo. Alucinante a sequência discográfica que o Roberto teve ao longo de sua carreira.

    Em tempo: Lembro mais do dueto com a Bethânia do que com a Angêla Maria quando ouço Desabafo.

    Abraço, mano! Não demora muito e a discografia nacional estará completa aqui,

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    1. Esse disco eu tenho acho que umas duas ou três cópias, a primeira tá zoadaça pelo tempo e está tbm com uma arte adicional por minha conta de quando eu era pequeno. Eu tinha visto uma outra capa de disco dele com cabelão, não sei onde, aí na contracapa eu acabei desenhando o cabelão a caneta, rs. Depois acho que eu comprei uma outra cópia, depois ganhei outra, depois eu acho que ganhei a edição em espanhol, que foi lançado em 80. Na verdade esse é o único disco que eu tenho na versão espanhol em vinil. Abraço mano. Valeu pela visita e comentário.

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  3. Compartilho a mensagem que enviei hoje para a seção "papo firme" no site oficial do Rei.

    "Se o Rei fosse convidado e aceitasse fazer um show na abertura da Copa do mundo de 2014, seria muito, muito, muito, muito emocionante.

    Aquarela do Brasil não poderia faltar no set list ...

    Amigo e seu riff ( não pára seleção!), espontaneamente, se tornaria um grande hit nos estádios.

    Eu sou terrível , vou lhe mostrar... não vai ser mole me acompanhar....

    Eu quero apenas olhar os campos e ouvir seu canto ecoar em todos os cantos... um milhão de amigos de todas as nacionalidades .

    Por isso é que eu canto , não posso parar, por isso essa voz tamanha...

    Verde e amarelo, boto fé , forte no sorriso da massa, toda natureza condiz ... vamos pedir bis.

    Emoçôes e uma giga big band ,... se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi.

    Olho pra terra e vejo uma multidão que vai caminhando, Jesus Cristo, se Deus quiser, eu também estarei também lá.

    Rei, não tenho a menor dúvida, esse cara é você. ;) "

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  4. Enelito,

    cada vez mais me torno fã de seu trabalho! Aqui, um discaço, daqueles que eu citaria como dos melhores de sua carreira! Tido como um disco de dor, a primeira faixa contraria tudo isso! Gosto muito de O ano passado que, a meu ver, prova o quanto Roberto e Erasmo são pessoas altamente inteligentes e não deixa nada a desejar no quesito composição, estando no mesmo patamar de Tom, Chico, Caetano, Milton, Gil, Ivan, enfim, só feras que Deus nos permitiu conhecer!

    Abandono é de uma beleza imensurável e o mesmo posso dizer de Me conta sua história e Costumes que faz qualquer um que se encontra em fim de relacionamento se debulhar em lágrimas!

    Amigo, todos nós voltamos ao passado, principalmente quando ouvimos essa canção! Na paz do seu sorriso e Desabafo tiveram sutis diferenças nos arranjos do Eduardo, ao vivo, o que as tornou ainda mais charmosas!

    Uma pergunta que não quer calar: seria esse o disco mais vendido de RC de toda sua carreira? Vou cutucar o pessoal para ver no que dá!

    Blog Música do Brasil
    www.everaldofarias.blogspot.com

    Um forte abraço a todos!

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  5. Oxa Everaldo, obrigado mais uma vez amigo.
    Sabe, a gente desanima um pouco mas não pode deixar a peteca cair não é mesmo? Mas vamos seguindo.
    Acho que não foi esse o disco mais vendido, enfim, um ótimo disco, sem dúvida.
    Abraço mano.

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