segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O DISCO DE 1986



Lado A
Apocalipse (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Do fundo do meu coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Amor Perfeito (Michael Sullivan/Paulo Massadas/Lincoln Olivetti/Robson Jorge)
Quando vi você passar (Mauro Motta/Isolda)
Eu sem você (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Lado B
Nega (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
O nosso amor (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Tente viver sem mim (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Aquela casa simples (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Eu quero voltar pra você (Eduardo Lages/Paulo Sergio Valle)



Lado A
Apocalipse (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos – base: Cleberson Horsth  / cordas: Charlie Calello
Roberto abre o disco com um alerta. A canção tem uma base forte, guitarras bem marcadas, um solo poderoso. Roberto e Erasmo voltam em um tema que de uma certa forma já tinham falado nos versos “o vento irá soprar, e o chão vai se abrir...” em Eu só tenho um caminho de 1971. O especial do ano de 1986, foi um especial que particularmente  eu não assisti, sei lá por qual motivo, mas acho que é porque na época minha TV não pegava a Globo. Hoje tenho o especial aqui, mas preciso assistir de novo. Também não tive o disco logo de cara, porém, eu esperava tocar Apocalipse no rádio, na época não tínhamos o (boom) das fms, o jeito era esperar as Am´s mesmo. O tema é atual até os dias de hoje, estamos vivendo esse apocalipse todo. Até Michel Teló esteve no especial de 2012. Quer mais prova de fim de mundo que essa?


Do fundo do meu coração (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos: base: Cleberson Horsth  / cordas: Charlie Calello
No show do Maracanã, essa música é revisitada. No comentário, ainda na introdução da canção, Roberto fala que queria, em toda sua vida, ter escrito canções de amor, um amor bem sucedido, mas fala que “a vida não é bem assim né?” o rei diz que em  certos momentos a bronca é muito grande e ainda diz “a coisa tava... braba”. Uma das maiores e melhores canções de amor de todos os tempos. A letra é uma obra-prima. Fala daquele amor estilo Bungee jumping, vai e volta.


Amor Perfeito (Michael Sullivan/Paulo Massadas/Lincoln Olivetti/Robson Jorge)
Arranjos – base: Lincoln Olivetti  / cordas: Charlie Calello
Falando em amor bem sucedido, esta é uma canção da dupla Sullivan e Massadas que reflete bem o amor bem sucedido. Roberto a canta em seus shows hoje, canta com uma emoção que parece estar sendo cantada para Maria Rita. Os versos: “fecho os olhos pra não ver passar o tempo/eu não vou saber me acostumar sem sua mão pra me acalmar/sem seu olhar pra me entender/sem seu carinho amor sem você...” No verso “até quando te querendo te amando” Roberto diz: “até sempre” e prossegue a letra: “coração quer te encontrar...”. Essa música foi regravada pela loiríssima, poderosa, Claudia Leite. Na última edição da Virada Cultural em São Paulo, Michael Sullivan tocou essa em pleno Largo do Arouche.

Quando vi você passar (Mauro Motta/Isolda)
Arranjos – base: Cleberson Horsth  / cordas: Chiquinho de Moraes
Bela canção da dupla Isolda e Mauro Motta. A letra fala de quando vemos a pessoa, que ao que parece já não está mais com a gente, passar por nós. Nesse tipo de situação, tudo volta na lembrança, tudo é revisitado e almejamos um desejo de (tentar) de novo.  

Eu sem você (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Arranjo – base: Lincoln Olivetti  / cordas: Eduardo Lages
No geral, esse disco soa um pouco mais digital, é o início de uma nova era nos discos de Roberto, a tecladeira começa a tomar conta. Tudo clean (limpinho) demais. Um passo rumo à tecnologia, pois em 1986, esse disco do rei, supera qualquer lançamento de um artista nacional, por isso que eu sempre digo: Roberto Carlos, sempre esteve e sempre estará um passo a frente de todo mundo. O nome da canção é o mesmo nome de uma canção do disco de 1988.



Lado B
Nega (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos – base: Lincoln Olivetti  / cordas: Marcio Montarroyos
No ano de 1986 Roberto foi tema do enredo da Escola de Samba Unidos do Cabuçu. O rei curtiu tanto que naquele ano ele com Erasmo Carlos fariam o samba com o título Nega. É um samba gostoso e não há quem fique parado na hora do solo de metais. No show do Chile de 1994, do qual circula um dvd por aí, no solo de Piel Canela (Nega em versão espanhola), o público vibra com o solo do trio saxofonista real. Quando sou questionado sobre samba, digo que gosto de Benito di Paula e dos sambas gravados por Roberto. Maria, carnaval e cinzas, Nega, O que é que eu faço, Só você não sabe e Vê se volta pra mim. Esta última de 1998, foi a principio mal recebida, pois todo mundo questionou: Roberto agora gravou um pagode? Mas é um pagode legal, eu que sou avesso à pagode gostei por se tratar de um pagode do Roberto. Em tempo: Roberto ainda é o cara que arrisca, que ousa, em 2012 ele gravou o funk “Furdúncio”.

O nosso amor (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos – base: Nico Resende  / cordas: Charlie Calello
Novamente a tecladeira dá as caras no disco. Uma letra que fala da incompatibilidade de gênios. “Tínhamos sonhos tão possíveis, no amor os mesmos pensamentos, mas gênios tão incompatíveis, jogaram fora bons momentos...”. Realmente viver uma situação dessas, desgasta qualquer um. 

Tente viver sem mim (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Arranjos – base: Nico Resende  / cordas: Charlie Calello
Tente viver sem mim é uma letra bem no estilo: tá reclamando, se vira sozinha então. Um tom meio sádico é usado por Roberto ao cantar a canção. E reflete bem o que vivemos, realmente quando passamos por uma dessas, quase falamos:”pago pra ver, você viver sem mim”.

Aquela casa simples – base e cordas: Chiquinho de Moraes
Arranjos – base e cordas: Chiquinho de Moraes
Uma música auto biográfica que traz recordações ao nosso rei. Há pessoas que devem se debulhar em lágrimas ao ouvi-la. Pois muita gente se identifica com a partida de casa. Roberto quando saiu de casa, saiu pra conquistar a glória, mas sua luta foi sofrida. Ele bateu na porta de todas as gravadoras, levou muito o seu disco embaixo do braço. Não conhecia ninguém, não tinha contato algum. Essa música foi revisitada no show do Maracanã.

Eu quero voltar pra você (Eduardo Lages/Paulo Sergio Valle)
Arranjos – base e cordas: Eduardo Lages
Fala do momento em que não queremos admitir que queremos voltar para o amor, quando esse se encontra na atual condição de ex. A temática (como é que vai a sua vida), ou (como estão as coisas), (faz tempo que a gente não se vê)... São as recordações que nos fazem desejar uma possível volta.

O disco de 1986 é um disco que explora mais a tecnologia, a tecladeira. Roberto está com uma voz suave no disco, há bastante reverb em sua voz tbm. Mas mesmo em 1986 já começava a explorar um pouco mais o lance da bateria eletrônica e toda  a tecladeira disponível no mercado. Os arranjos são divididos entre cordas e base, exceto nas últimas duas faixas.
Gravado nos estúdios: Sigla (RJ), Sigla (SP), Lincoln Olivetti (RJ), Transamérica (SP), Intersom, Darci Ferreira.

Fotos: Luis Garrido. 



Pra terminar, uma foto bem curiosa que encontrei na net.