segunda-feira, 8 de julho de 2013

O DISCO DE 1966 - WITH THE ROBERTO CARLOS




A postagem abaixo é completamente copiada e colada do Blog do leitor, amigo, sócio do Súditos, Robert Moura, pra quem quiser conhecer o blog dele o Rock N Geral no link http://rockngeral.blogspot.com.br/2009/04/o-album-beatle-de-roberto-carlos-normal.html
Normalmente eu monto minhas próprias postagens, mas nesse caso, eu pedi licença pra copiar e colar, pois a postagem dele está muito mais legal do que as minhas hehe. 

Sempre que se faz uma lista dos discos mais importantes da história do rock brasileiro é comum que sejam citados dois álbuns gravados por Roberto Carlos, “Jovem Guarda” de 1965 ou “Roberto Carlos Em Ritmo De Aventura” 1967. Dois grandes discos, sem dúvidas, porém, entre esses dois anos o cantor lançou outro grande LP comumente ignorado em favor desses. É o disco de 1966 que aqui chamo de “O Álbum-Beatle de Roberto Carlos”. Esse é o primeiro disco no qual transparece a influência do quarteto de Liverpool na obra do Rei, desde a capa inspirada no disco “With The Beatles” lançado na Inglaterra em 1963, o que denuncia uma influência tardia já que a base do disco de Roberto Carlos prevalece o rock chamado de Iê, Iê, Iê e na época os Beatles já estavam partindo para outros caminhos e experimentações sonoras (vide os discos “Rubber Soul” de 1965 e “Revolver” de 1966). 

O faixa de abertura é “Eu te darei o céu”, considerada por alguns uma possível resposta de Roberto à canção do ano anterior “Quero que vá tudo pro inferno” embora o autor da canção (em parceria com Erasmo Carlos) afirme que não teve nada a ver. A frase de guitarra na introdução da canção lembra as sonoridades que os Beatles e os Byrds haviam produzido, aliás, as guitarras do disco puxam bastante para as gravações realizadas pelos FabFour entre 1964/65. A mudança da tonalidade maior para a menor na terceira parte quando canta: “Toda minha vida eu já te dei..."lembra a variação de acordes explorada pelos Beatles em “From Me To You” no trecho: I got arms that long to hold you...” quando a mesma tem uma modulação maior para menor. A condução feita no violão e o solo de “Nossa Canção” (Luiz Ayrão) têm ecos no elegante solo de violão executado por George Harrison na regravação da música “Till There As You” feita pelos Beatles, sendo essa música ainda uma das mais belas interpretações dos primeiros discos de Roberto Carlos. “Querem acabar comigo”, composição solitária de Roberto Carlos, é um caso à parte, de uma originalidade incrível, desde a letra em tom de autodefesa depois disfarçada em uma canção de amor (“Querem acabar comigo nem eu mesmo sei porque...enquanto eu tiver você aqui, ninguém poderá me destruir”), passando pelo arranjo bem ousado e moderno para a época sobretudo a condução dos tambores, tendo grande destaque também o órgão tocado por Lafayette, aliás esse na verdade era um dos grandes diferenciais na sonoridade de RC para os Beatles, que se baseavam mais nas cordas sendo ainda que frequentemente Roberto se utilizava dos metais que por acaso (ou não) quase não aparecem nesse disco ao contrário de TODOS os anteriores e posteriores.
Na seqüência a regravação da bela balada “Esqueça” (“Forget Him”) de Mark Anthony versionada para o português por Roberto Corte Real com uma levada no melhor estilo “Things We Said Today”, canção de Lennon-McCartney incluída na trilha sonora do disco “A Hard Day´s Nigth” 1964 (no Brasil, “Os Reis do Iê, Iê, Iê”), este álbum contém ainda a música “And I Love Her” que foi gravada por Roberto Carlos vinte anos depois como “Eu Te Amo” em versão de sua própria autoria, sendo até então a única gravação efetuada por ele de uma canção dos Beatles. “Negro Gato” de Getúlio Côrtes, descaradamente inspirada na composição “Three Cool Cats” da dupla de compositores Jerry Leiber e Mike Stoller (responsáveis por diversos clássicos do Rock´n´ Roll) é uma das mais vibrantes e roqueiras gravações de RC, a guitarra sensacional gravada pelo músico Gato dá a tônica da canção junto com os berros de Roberto Carlos. Detalhe: a música “Three Cool Cats” fazia parte do repertório dos Beatles antes da fama e está presente no disco “Anthology 1 de 1995 com a versão interpretada por eles em um teste para a gravadora Decca.
Fechando o primeiro lado A, “Eu estou apaixonado por você” com uma sonoridade mais latina que apesar da letra ingênua pode ser vista como um embrião da fase “latin lover” que o cantor viveu no final dos anos 1970 com uma interpretação sensual feita com uma voz quase gemida. O solo de gaita nessa faixa seria por influência de John Lennon, vide as canções "Love Me Do", "Please, Please Me", "I Should Have Know Better", entre outras músicas dos Beatles que o músico toca esse instrumento?

O lado B abre com a faixa “Namoradinha de um amigo meu” assinada somente por Roberto Carlos (embora ele tenha dito numa entrevista que Erasmo tenha modificado algumas coisas) e que por ironia do destino foi escrita para uma banda chamada Beatniks gravar, porém eles finalizaram o disco antes que Roberto tivesse enviado-lhes a música. Mais uma vez o órgão prevalece na condução da música. “O Gênio” também de Getúlio Côrtes tem novamente ritmo pulsante e guitarras na linha de frente e é a única faixa que apresenta um solo de saxofone no disco. A balada “Não Precisas Chorar” de Edson Ribeiro também apresenta boas frases de guitarra, sempre com uma sonoridade bem beatle. O “Golden Boy” Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves assinam um dos maiores clássicos do repertório roqueiro do Rei, “É Papo Firme” que narra o comportamento de uma garota “prafrentex” “que gostava de gíria e muito embalo”, mais uma vez a guitarra faz o papel principal, desde sua interessante divisão de tempo na introdução até o solo cheio de energia, durante toda a música a guitarra dialoga com o órgão nos intervalos das frases cantadas por RC. “Esperando Por Você” da compositora Helena dos Santos têm como destaque essa dobradinha guitarra-órgão. Para fechar “Ar de Moço Bom” de Othon Russo e Niquinho que Roberto canta com voz macia do jeito que manda o figurino de um bom rapaz. Esse disco mostra claramente que a influência dos Beatles sobre o Rei do Iê, Iê, Iê foi muito além dos terninhos que ele usava no programa Jovem Guarda. Roberto consegue mostrar que existe uma diferença entre ser influenciado e simplesmente copiar.


Nota: Desse disco existe um ensaio que circula pela internet com Roberto ensaiando com a banda as músicas que entrariam para esse disco. Ensaio que comentarei em outra postagem.

Fotos: capas de Roberto Carlos (1966) e With The Beatles(1963) e Roberto Carlos tocando uma guitarra Rickembacker de 12 cordas popularizada pelo uso de George Harrison.


3 comentários:

  1. Valeu pela moral de sempre, mano!

    Acho que escrevi pouco sobre o Roberto no blog ainda, mas enfim, escrevi pouco de maneira geral, acredito que tenho mais textos falando dele nos meus comentários aqui nos Súditos do que no meu blog e na verdade acho isso legal porque você acaba me estimulando a falar mais da obra dele.

    E não venha com esse papo que a postagem está melhor do que as suas não porque tem umas muito, mas muito boas mesmo que você já escreveu aqui.

    Grande abraço!

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  2. Ah mano, essa postagem sobre o disco de 66 eu jamais chegaria a 10% do teor do seu texto.
    Bom, lá eu comento as suas postagens, aqui vc comenta as minhas. Hoje eu aqui comentarei a sua postagem hehe.
    Comecemos pela capa que não tem como não lembrar de With The Beatles, essa capa foi praticamente a plantação de um conceito no quesito capa de disco. Existem capas maravilhosas de vários artistas (é até um assunto a ser mais explorado no blog do baratta). Bom, se não me fale a memória (ficar véio é supimpa), eu estava com o meu pai quando vi esse disco em uma loja, agora não me lembro se comprei nesse dia. Lembro do verso "Você pode até/gostar de outro rapaz" achei essa frase muito sofisticada (esse é o termo) achei sofisticada, um recurso em letra que eu pelo menos até meus 15 ou 16 anos não me lembrava de nada igual. Por estar com o meu pai numa loja de discos, foi o ano de 1990, o ano em que Deus preparou para que eu passasse mais tempo com ele, então íamos e voltávamos do serviço juntos, na aventura ônibus, metrô, ônibus...
    Nossa Canção é algo que de bobeira eu (tirei) sem querer, querendo no violão o arranjo de base e o acompanhamento, qualquer dia eu ponho isso no you tube, em breve.
    Querem Acabar Comigo, baita música, adoro ela, meu tema. Negro Gato, talvez seja o maior rock que o Roberto gravou, detalhe que conheci o compositor dela em 2006, grande Getúlio Côrtes. Todas as canções, não dá pra destacar uma ou duas, poxa. Namoradinha de um Amigo Meu, como Roberto contou na entrevista na (com os dias contados) MTV, ele tinha feito essa música para os Rebels.
    O Gênio, eu sempre achei que nela ficaria legal uma segunda voz fazendo uma terça acima, como o Roberto fez em muitos discos anos mais tarde.
    Enfim, é um disco que eu tocaria para uma pessoa que não conhece Roberto Carlos, se bem que é meio difícil acreditar que alguém ainda não conheça Roberto Carlos.
    Bom é isso aí mano, hehe, bela postagem. Parabéns pelo texto. Abraço mano!

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  3. Valeu, bicho!



    Ah, "Querem Acabar Comigo" é meu tema também! Essas pessoas com mania de perseguição, hauhauhauhau.


    grande abraço!

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