terça-feira, 16 de outubro de 2012

O DISCO DE 1975









Lado A
Quero que vá tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)*
O quintal do vizinho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)**
Inolvidable (Julio Gutierrez)***
Amanheceu (Benito di Paula)**
Existe algo errado (Mauricio Duboc – Carlos Colla)***
Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Lado B
Além do Horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)****
Elas por elas (Isolda – Milton Carlos)*
Desenhos na parede (Beto Ruschel – Cezar de Mercês)**
Seu corpo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
El Humahuaqueño (Zaldivar)**
Mucuripe (Fagner – Belchior)***

Arranjos
*Horace Hott
** Lee Holdridge
*** Chiquinho de Moraes
**** Jimmy Wisner


Lado A
Quero que vá tudo pro Inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)*
Arranjo de Horace Hott.
O disco abre com uma regravação. É a primeira vez que Roberto regrava uma música sua. Ele voltaria a fazer regravações a partir de 1988 no seu primeiro disco ao vivo. Outro detalhe é que esse é o disco que marca os primeiros dez anos do movimento Jovem Guarda. Antes de um programa de televisão, a Jovem Guarda foi o primeiro movimento realmente grandioso de música jovem no Brasil. O arranjo de Horace Hott abre o disco em grande estilo. Um arranjo com violões ao fundo, bem marcados, um baixo poderoso do senhor Paulo César Barros, cordas, metais, bateria que não apenas acompanha, mas que cria também. É a música que abre o especial de fim de ano de 1975 na Rede Globo. Overbub em: “quero que você me aqueça nesse inverno...”. O solo, ou seja, o meio da música é apoteótico. A voz de Roberto está poderosíssima.

O quintal do vizinho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)**
Arranjo de Lee Holdridge.
Ao que me consta, essa música sairia no acústico também, porém não foi o  que aconteceu. Roberto canta sobre um sonho. A música fala de paz. O quintal sem muro que ele havia falado no ano anterior de 1974. Fui procurar nos meus guardados a revista Cartaz de 1971, edição especial sobre o Roberto. Nas últimas páginas estão vários trechos de frases, respostas de Roberto, não há, perguntas. Mas há um trecho que dá uma idéia de onde essa música surgiu.
“ Tenho certeza de que, morando no Rio, vou estar também mais perto das pessoas. São Paulo está muito triste de se viver. Moro aqui há três anos e não conheço a cara do meu vizinho do lado. Outro dia, à tarde, fui experimentar o motor do Jaguar e só ouvi a sua voz gritando e reclamando do barulho. Fiquei tão chocado...  Era nosso vizinho.
Aí comentei com Nicinha: Puxa, se fosse no Rio, ele talvez pedisse para entrar, elogiasse o carro e desse um palpite. Sabe como é, carioca entende de tudo um pouco. Já estamos procurando casa. E é só encontrar, para fazer a mudança. Esta casa aqui, acho que vou alugar. Agora, os móveis levo para o Rio. Mesmo para as crianças, o clima quente é sempre mais benéfico.”  *
Esse trecho de entrevista mostra o descontentamento por morar em São Paulo. Mais ainda, o descontentamento com o ser humano cada vez mais individualista. Roberto cantou sobre um quintal sem muro em 1974.
* trecho de entrevista de Roberto à revista Cartaz 1971.

Inolvidable (Julio Gutierrez)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Belíssima canção de Julio Gutierrez que na caixa Pra Sempre em Espanhol, saiu com uma outra versão, um outro arranjo. Inolvidable também foi o nome do disco que trazia várias canções em espanhol de Roberto. Mas nesse disco de 1975, o arranjo do maestro Chiquinho de Moraes, é maravilhoso, belo arranjo.

Amanheceu (Benito di Paula)**
Arranjo de Lee Holdridge.
Mais uma vez Roberto grava uma canção de Benito di Paula, a primeira tinha sido um ano antes, Quero ver você de perto. Roberto cantou Amanheceu no especial da Globo, bela canção. Benito tem um estilo sofisticado de letra. Na edição em espanhol do disco, na caixa Pra Sempre, essa música deu lugar a No te quiero ver triste. Na comunidade do orkut Música Cafona & Jovem Guarda (MC & JG) do meu amigo RStone, no tópico Roberto Carlos Raridades, acabamos saindo na caça dessa música em espanhol. O pessoal achou. Um abraço ao RStone.

Existe algo errado (Mauricio Duboc – Carlos Colla)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Belíssimo arranjo de piano. A música trata de uma situação que é quando as coisas não estão indo muito bem com a pessoa amada. Ou no bom português, é quando a casa está caindo. Mas, pensando bem, podia ser pior, TPM. Mas, voltemos para o tema da música. Tristeza e cansaço. Há uma boa vontade por parte da primeira pessoa em sugerir: “vamos dividir essa tristeza, chorar juntos, depois nos abraçar...”. Belo arranjo de piano que atravessa a canção do início ao fim.

Olha (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
“Vem seguir comigo o meu caminho, e viver a vida só de amor”. Essa frase já diz tudo.



 Lado B

Além do Horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)****
Arranjo de Jimmy Wisner.
Um arranjo diferente, bem (abrasileirado). O baixo, o piano, está tudo redondinho, a cozinha está impecável. “...onde a gente pode se deitar no campo, se amar na relva escutando o canto dos pássaros” “ bronzear o corpo sem censura”, Roberto e Erasmo aqui já trabalhavam um pré erotismo em suas letras. Além do horizonte também sofreu alteração  na letra de uns tempos para cá. Música regravada pelo Jota Quest por volta de 2005 e presente no DVD Duetos.

Elas por elas (Isolda – Milton Carlos)*
Arranjo de Horace Hott.
Música dos irmãos Isolda e Milton Carlos. A letra é sobre a situação quando a gente percebe, ou melhor quando cai a ficha. “assim como você, vai abrir mão do que passou...”. Gosto do estilo de letras deles  também.

Desenhos na parede (Beto Ruschel – Cezar de Mercês)**
Arranjos de Lee Holdridge.
Se meu ouvido não me engana, nessa música há um contrabaixo acústico. Essa canção eu adorei desde a primeira vez que eu ouvi. Ela tem uma pegada legal. Gosto do estilo de letra assim, que diz o que a gente sempre tem na cabeça mas levaríamos um livro para concluir em palavras. Outros compositores se destacaram nesse estilo. Renato Russo e Tim Maia  traduziam  bem certas coisas que a gente sempre pensa mas não sabe como falar.


Seu corpo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Esse arranjo é um que particularmente eu não curto. Achei meloso demais. Talvez para essa música um arranjo como o de Café da manhã, ou Música Suave, ou então Porque a gente se ama de 1990, talvez deixasse a canção com outra cara. Mas trata-se de um dos sucessos do Roberto. A música já começa falando na hora do amor e o descanso. Fala da intimidade pura com o corpo da pessoa amada. 

El Humahuaqueño (Zaldivar)**
Arranjo de Lee Holdridge
Acompanhamento: Los Chaskis
Diretor: Rodolfo Dalera
Los Chaskis é um conjunto formado por Rodolfo Dalera e sobre ele, pasme, não há um só texto na internet em português. No centro de São Paulo já presenciei um grupo assim tocando essa música. Destaque para a versatilidade de Roberto. Só para lembrar, até 1975, ele já tinha gravado rock, samba em Maria, carnaval e cinzas, blues em Como dois e dois, bossa nova, soul em  Jesus Cristo, Todos estão surdos... Um tabefe na cara daqueles que falam que o Roberto nunca muda.

Mucuripe (Fagner – Belchior)***
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Música do grande Fagner e do grande Belchior. No especial de 92, Fagner estourou com a música Borbulhas de amor. Roberto disse no programa que Fagner estava lhe dando um presente por estar lá. Fagner disse presente havia sido dado por Roberto quando  gravou Mucuripe.

Gravado nos estúdios Eldorado (São Paulo), CBS (RJ, New York e Buenos Aires).
Fotos de Cinira Arruda

Este disco como foi dito no início da postagem, marca os dez anos do movimento Jovem Guarda. Além disso, foi o primeiro disco do rei a trazer um layout de capa que por muitos anos foi marca registrada de Roberto. O layout de álbum, capa dupla, com a famosa foto do meio, porém, as letras das músicas viriam somente em 1981, mas também, não seguiriam sempre com letra, o disco de 1982 veio apenas com uma foto na capa interna.