segunda-feira, 16 de julho de 2012

O DISCO DE 1987








Lado A
1 – To Chutando Lata (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Menina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – Águia Dourada (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
4 – Coisas do Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
5 – Canção do Sonho Bom (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti/Ronaldo Bastos)

Lado B
1 – O Careta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Antigamente Era Assim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – Ingênuo e Sonhador (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
4 – Aventuras (Antonio Marcos/Mario Marcos)
5- Todo Mundo Está Falando (Everybody’s Talking) (Fred Neil – Roberto Carlos/Erasmo Carlos)

 
Lado A

1 – To Chutando Lata (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Nico Resende
A música que eu sempre gostei pela (cozinha) ser perfeita. O baixo e a bateria estão redondos. A metaleira arrebenta nessa música que abre o disco. No cd se percebe algumas diferenças em relação ao vinil, (ou então, o meu toca discos aqui era muito ruim, rs). Roberto canta sobre a transmissão de pensamento, tipo na hora que ele queria ligar para a Myrian, ela liga pra ele.

2 – Menina (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Lincoln Olivetti
Roberto tenta aqui resgatar a sensualidade dos do início dos anos 80. A letra gira em torno de situações de um cara mais velho, sugerindo para a Menina lhe ensinar tudo à maneira dela. Roberto explora bem mais a voz do que na primeira canção. O belo solo de sax fica por conta de Pique. Curiosamente essa música não tem bateria. Tudo na tecladeira de Lincoln ou de Nico Resende.

3 – Águia Dourada (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Chiquinho de Moraes
Aqui percebemos uma leve diferença em relação ao vinil. Aqui a dupla fala do índio, da natureza, desmatamento, etc. Na ficha técnica do disco podemos ler várias vezes escrito violão Ovation. A canção é sobre águia. Na última e campeã de audiência, entrevista do Roberto no Jô, Roberto falou de uma época em que sabia tudo sobre águia. Aos mais atentos, por muitos anos na lapela esquerda do blazer, sempre tinha uma águia.  

4 – Coisas do Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo: Eduardo Lages
Música bastante veiculada na rádio. Comentavam as más línguas já nessa época que as músicas de Roberto não soavam mais como antigamente. O que esse pessoal não percebia era que Roberto sempre foi um artista à frente do seu tempo. Nos anos 60, na transição da Jovem Guarda para o R&B, tanto na fase iê-iê-iê quanto na fase black, ninguém no Brasil chegava perto dele. Na década de 70, que para muitos é a melhor época de sua carreira, ninguém o batia também....

5 – Canção do Sonho Bom (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti/Ronaldo Bastos)
Arranjo: Lincoln Olivetti/Cobertura de Cordas: Eduardo Lages
Uma música lotada de dissonâncias, também, olhe o time de compositores. Canção digna de qualquer disco de MPB. Mauro Motta toca uma penca de teclados, ou seja, em disco que o Mauro Põe a mão, fica excelente, em música que ele toca então, fica melhor ainda. Nos teclados ainda temos Lincoln Olivetti e Robson Jorge. 




Lado B
1 – O Careta (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charles Calello
Uma das minhas preferidas do disco que é um dos meus preferidíssimos. A música da polêmica que rendeu um processo por plágio. Mas não vou comentar aqui sobre o caso. A verdade é: A música ficou legal na voz do Roberto, com letra de Roberto e Erasmo. Aqui, como em outras músicas do disco, temos Aristeu nas guitarras. Rogério Rocha Meanda é o resposável pelo solo de guitarra. Apenas acho que o tom ficou alto para Roberto. Mas a música fala da dependência química, uma música atualíssima até hoje. A canção foi excluída dos CDs vendidos separadamente e do Box Pra Sempre.

2 – Antigamente Era Assim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Nico Resende/Arranjo Cordas: Eduardo Lages
A tecladeira dá as caras novamente aqui. A letra narra sobre lembranças de como era o relacionamento. No trecho (E tudo você fazia/pelo prazer de agradar/ a ansiedade no olhar/ o tempo todo na espera do telefone tocar). A música dá a idéia de que realmente antigamente havia mais sentimento. Belo solo de Flugel de Marcos Montarroyos.

3 – Ingênuo e Sonhador (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Arranjo: Eduardo Lages
Realmente a primeira linha da música a gente sente uma coisa bonita quando alguém diz que ama. Ingenuidade e sonhos acompanham todo casal que está no começo. É uma música que narra o início gostoso do namoro. No violão solo Aristeu, fiel escudeiro do rei. Sempre discreto, mas toca demais.

4 – Aventuras (Antonio Marcos/Mario Marcos)
Arranjo: Eduardo Lages
Impossível ouvir essa canção e não se perder em pensamentos. Lages faz um arranjo a altura da grandiosidade da canção. Antonio Marcos (que falta ele faz na nossa música), era o próprio homem poema. Junto com Mario Marcos, dizia numa frase o que qualquer pessoa gastaria uma folha para escrever. Gosto do trecho (Se você me abandona/ apenas um segundo/ a vida muda o gosto/ e eu sinto saudade).

5- Todo Mundo Está Falando (Everybody’s Talking) (Fred Neil – Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Lincoln Olivetti/Arranjo de Cordas: Charles Calello
Trata-se de uma versão de um grande sucesso, mas que conheci primeiro na voz do Roberto. O rei também fez versões ao longo de sua carreira. Desamarre meu Coração do disco É proibido Fumar é uma versão de Unchain My Heart. Lobo Mau do disco Jovem Guarda de 65 é versão de The Wanderer. Calhambeque de Hot Road. Eu te amo, versão de And I Love Her dos Beatles. Nessa última, o rei a gravou com um estilo próprio. Enquanto outros artistas apenas copiaram a levada que Paul McCartney fez em seu acústico. Muita gente fez dessa versão um bolerão açougueiro, como diria Raul Seixas. Nas primeiras, Roberto escolhia a dedo sobre qual música fazer as versões. Diferente do que se vê hoje, que todo sucesso internacional vira forró.

Considerações Finais
O disco saiu em 1987. Não lembro muito por qual razão, mas para quem tinha comprado os lp’s, a gravadora acabou fazendo um (recall). Não lembro ao certo se era um defeito na prensagem. Eu sei que eu não voltei na loja. Nessa época lembro que eu estava ruim de som em casa. Eu tinha um toca-discos Telefunken que já estava mal das pernas coitado. A rotação tava alterada, instável, um belo dia travou de vez. Aí para ouvir o disco, que eu estava para lá de curioso, no desespero eu tirei o prato do toca-disco e coloquei graxa de sapato, foi a salvação. Esse disco nota-se uma sonoridade meio aguda, não é encorpado como o de 1988, por exemplo. O time de músicos também é na maioria brasileiros. Apenas o resultado final ficou meio agudo.  O visual da capa é branco, uma das cores preferidas do rei. Produzido por Mauro Motta. Gravado nos estúdios Sigla (RJ e SP) e Lincoln Olivetti (RJ). Fotos Luiz Garrido.