sexta-feira, 6 de abril de 2012

O disco de 1974


Despedida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Quero ver você de perto (Benito di Paula)
O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Ternura Antiga (J. Ribamar e Dolores Duran)
Você (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Eu quero apenas (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Jogo de Damas (Isolda e Milton Carlos)
Resumo (Mario Marcos e Eunice Barbosa)
A deusa da minha rua (Newton Teixeira e Jorge Faraj)
A estação (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Eu me recordo (Yo te recuerdo) (Armando Manzanero e Roberto Carlos)

Despedida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Sobre Jimmy Wisner me bateu uma dúvida. Lendo a revista Caros Amigos de Agosto de 2009 onde é lembrado 20 anos sem Raul Seixas, vi uma coisa semelhante. A primeira esposa de Raul chama-se Edith Wisner. Algum parentesco? Bom, ironicamente, o disco abre com uma faixa que se chama Despedida. Outro tipo de situação aqui. Agora, Roberto não lamenta quem foi, pois é ele que está indo. Os arranjos em tônica, sétima maior e sétima, ou sexta, predominam em boa parte desse disco. Podemos até dizer que seria uma das marcas registradas do Roberto, pois na mesma linha ainda teremos nesse disco, O portão, Resumo, mais tarde nos anos 80, Amante a Moda Antiga, nos anos 90, Hoje é domingo e por aí vai.

 Quero ver você de perto (Benito di Paula)
Arranjo de Jimmie Haskell.
Essa é curiosa, principalmente para quem está começando a tocar violão, tem um Dó sustenido menor com sétima e quinta diminuta que em cifra o bicho se escreve assim C#m7(b5), que apavora quem pegar a cifra na internet. Antigamente revistinhas com cifras eram vendidas nas bancas de jornal, até hoje elas existem, mas estão em extinção. Bom, destaque para a letra curta porém bela de Benito di Paula, que gravou muita coisa. Benito é um excelente compositor, intérprete e assim, eu sou fã dele também, aquele samba paulista, carregadão no piano é uma marca registrada do Benito o magnífico Uday Veloso. Na ficha técnica do disco não há quem tocou o quê, a única coisa que eu sei é que o grande Paulo César Barros, do Renato e seus blue caps, foi quem gravou os baixos dos discos do Roberto até 1981.

O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmie Haskell.
Aqui Roberto e Erasmo contam a história de uma pessoa que retornou e o primeiro encontro é com o seu cão abanando o rabo no portão. No programa Em Nome do Amor em 1996 do Silvio Santos, Roberto canta um pedacinho do início da música (...meu cachorro me sorriu latindo...). O dono do baú, brinca dizendo: O único cachorro que ri é o dele. E Roberto retruca e diz: Não... todos eles sorriem. Nos últimos shows em São Paulo, Roberto falou sobre o cachorro da música, o Axaxá. 
No disco italiano de 78, Cavalcata, é interessante ver essa e mais músicas sem o eco predominante nos instrumentos.

Ternura Antiga (J. Ribamar e Dolores Duran)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Uma canção que fala de um amor que já se foi, porém a saudade, o vento frio, a distância amiga, vontade de chorar e o  desencanto de que a pessoa volte, tornam-se uma ternura antiga. Agora, para mim, distância amiga, é quando a pessoa era um inferno na vida da gente.


Você (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Mais uma canção de Roberto e Erasmo que fala de saudade, perda, falta que a pessoa amada faz. O piano nesse disco inteiro está impecável. A banda toda aliás.

É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Não há créditos para os arranjos.
Embora o pianão no começo, os acordes do piano, dão um clima todo especial na música. Regravada pelos Titãs, ela ganhou um formato acústico, bem próximo do arranjo que o Roberto gravou em seu disco acústico em 2001. No show do Pacaembu, (no qual eu estava), Roberto brinca no começo dos versos “ Quem espera que a vida, seja feita de ilusão... uma pausa e o rei diz: Tá frito...” e prossegue a letra. Letra que foi alterada no passar dos anos. A parte “ se o bem e o mal existem, passou a ser: se o bem e o bem existem” Mas em um vídeo do You tube, já há registros que em show Roberto já canta “se o bem e o mal existem”. Roberto andou alterando mais algumas letras, de uns tempos para cá. A música Custe o que custar, no verso: “ Será meu Deus enfim,  que eu não tenho paz”, virou, “Somente em Deus enfim, é que eu encontro a paz”  Em Além do horizonte na parte : “ se você não vem comigo, tudo isso existe lá”, deu lugar a, “porque você vem comigo...” É preciso saber viver, muito antes de 1974, já havia sido cantada por Roberto, Erasmo e Wanderléa no final do filme Roberto Carlos e o diamante cor de rosa em 1969. No refrão, Roberto faz um ovedub (canta consigo mesmo).

Eu quero apenas (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de Jimmie Haskell.
Uma letra que caiu em discussão em uma comunidade do Orkut certa vez se ela era política ou não. Em tempos de censura, Roberto e Erasmo podiam falar em protesto porém de uma forma que a censura não se tocava. As expressões  “quintal sem muro, dividir o que eu pescar, quero meu filho pisando firme”. Uma bela música que foi assassinada no especial da globo pelo casting da emissora em 1992.

Jogo de Damas (Isolda e Milton Carlos)
Arranjo de Jimmie Haskell.
Revendo meus guardados, são tantos, bicho, achei um jornal do Fã Clube Um Milhão de amigos do RJ, o maior fã clube do rei. Na realidade, a canção é da Isolda e seu irmão, Milton Carlos. A primeira vez que Roberto gravou uma música dos irmãos tinha sido um ano antes em 1973, Amigos, amigos. Isolda diz em entrevista ao fã clube que, Jogo de Damas, foi uma experiência pessoal do irmão  Milton, falecido em 1976. Isolda e Milton mandaram Amigos, Amigos para Roberto pelo Eduardo Araújo com quem gravavam uns vocais em 1973. Isolda é a compositora de Outra Vez de 1977.


Resumo (Mario Marcos e Eunice Barbosa)
Arranjo de Jimmy Wisner. 
Esta canção na realidade é um poema de Eunice Barbosa, mãe dos irmãos Mário Marcos e Antônio Marcos. Mário Marcos musicou o poema. Uma das mais belas músicas do disco que também usa o arranjo em tônica, sétima maior, sexta e tônica.

A deusa da minha rua (Newton Teixeira e Jorge Faraj)
Arranjo de Chiquinho de Moraes.
Bela canção de Newton  Teixeira e Jorge Faraj que endeusa a Deusa da rua. “Ela é tão rica e eu tão pobre, eu sou plebeu  e ela é nobre, não vale a pena sonhar”. A canção começa com um violão, à primeira ouvida, um violão com cordas de nylon, dedilhado, pouco a pouco os instrumentos vão dando um clima todo especial para a canção.

A estação (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo de  Jimmy Wisner.
Roberto e Erasmo narram uma despedida em uma estação. Dolorosa “no peito uma saudade antecipava”. Bela canção, belo arranjo. O solo arrepia, os violinos costuram de ponta a ponta...

Eu me recordo (Yo te recuerdo) (Armando Manzanero e Roberto Carlos)
Arranjo de Jimmy Wisner.
Música de Armando Manzanero. Gosto do verso ” eu te recordo, em cada dia, que amanhece... em cada pássaro que voa, em cada tarde que anoitece..”.
Há um vídeo de uma apresentação na Venezuela onde Roberto canta a canção em espanhol, mas durante o solo, o RC7 modificava o andamento da música para jazz.


Considerações Finais:
Na década de 90, não era possível ter acesso a discografia de determinado artista ou banda como nos tempos de hoje, em que um dia, aliás, em algumas horas, (baixa-se) a discografia pela internet. Só para tornar um pouco mais assustador, é um trabalho de anos e anos se considerarmos a composição, gravação, masterização, parte gráfica, horas e horas de estúdio. Lembro que até a década de 90, eu não conhecia esse disco, muitas músicas dele. Então, um amigo robertista me emprestou. Lembro de conhecer as músicas e do impacto que senti ao ouvir todas.
Voltando no tempo...
É o ano do primeiro especial do Roberto na Globo, é o ano em que este que vos escreve nasceu, o ano do trágico incêndio no Joelma no centro de São Paulo, então esse disco é mais do que especial pra mim. E estamos nós no ano de 1974. A capa traz um Roberto com uma camisa jeans, um baita fio de alta tensão segurando o medalhão do Sagrado Coração de Jesus, dado pela irmã Fausta, junto com o medalhão, pingentes representando seus 3 filhos. Na capa Roberto está olhando para algum lugar, mas refletindo, as sobrancelhas franzidas, como se estivesse compenetrado em algo. Na contra capa, uma cara de moleque indefeso. Adoro essa capa, realmente, Armando Canuto arrebentou nessa sessão de fotos, se alguém tiver mais alguma, mande para nós, por favor. O disco tem uma equalização ímpar, um eco no disco todo que o deixa mais pesado, mas não um peso que cansa a cabeça, é um peso que deixa o repertório do disco mais forte.  Esse disco eu tenho, pra variar, 3 edições, um vinilzão da época, um relançado anos depois e em cd. O disco foi gravado no RJ, Nova York e Los Angeles. 


5 comentários:

  1. Grande Baratta, mais um belo post, lembrando mais um grande disco do Rei! Concordo plenamente com esse lance do acesso aos discos, na minha época, assim como você, fui adquirindo os discos aos poucos, comprando ou ganhando, e isso fazia com que ouvisse com mais calma, absorvesse mais, realmente conhecesse o disco, da capa ao selo, da primeira à última música, do título ao número de registro. É realmente um formato e uma forma de ouvir música que não sei até quando irá atingir as novas gerações que hoje ouvem músicas picadas, quando tem os discos são baixados, sendo ainda mais comum primeiro “verem” devido aos clipes a música do que a ouvirem.

    Lado A

    1. Despedida – Um dos clássicos do repertório do Roberto, porém essa música é raramente cantada por ele, era sempre a primeira opção para se cantar em festas de despedidas de formatura nas escolas.

    2. Quero Ver Você de Perto – Também gosto do Benito e dessa música, muito boa na voz do Roberto, belos solos de piano e sax de...não sabemos quem, hehe.

    3. O Portão - Pérola do cancioneiro do Rei, né? Gosto da variação que ele faz ao vivo: Meu cachorro me latiu sorrindo. Quanto a questão do disco Cavalcata, não lembro desse detalhe, me passa ele aí depois.

    4. Ternura Antiga – Uma das minhas prediletas, adoro a Dolores Duran. Essa é uma demonstração do bom gosto e da interpretação excepcional do Roberto.

    5. Você – Outra que também gosto muito, Bethânia também foi muito feliz em sua interpretação da canção, aliás, ela é uma das melhores, senão a melhor intérprete do Rei depois dele mesmo, claro.

    6. É Preciso Saber Viver – Em relação ao arranjo dos Titãs é importante observar uma coisa, eles cantaram essa música com o Roberto em seu Especial antes de gravarem-na em disco, e o arranjo que eles gravaram é praticamente o mesmo do Especial, não sei quem fez o arranjo para o Especial, lembrando que músicos da banda do Roberto e o maestro Eduardo Lages participaram e o Liminha estava tocando com os Titãs, sempre fiquei com essa dúvida, já que depois o Roberto passou a cantar essa música com mais ou menos a mesma levada. É uma música que consigo gostar em todas as versões, a original na trilha do “Diamante Côr-de-Rosa” com Roberto, Erasmo e Wanderléa, a desse disco de 74 com o belíssimo solo de guitarra, a do Roberto com os Titãs, a dos Titãs e as posteriores ao vivo do Roberto, especialmente do acústico.

    Continua...

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  2. ...continuação

    Lado B
    1. Eu quero Apenas – um dos maiores sucessos do Roberto em espanhol, se bobear é até mais sucesso lá fora do que aqui, música simples, mas totalmente dentro do contexto da época (talvez de todas as épocas, visto o quanto ela segue firme depois de todos esses anos).
    2. Jogo de Damas - Música que também gosto muito e que ouvida na infância ainda tinha um ar muito misterioso para mim que ficava tentando desvendar o conteúdo de algumas letras gravadas e/ou escritas pelo Rei que a idade ainda não permitia entender.
    3. Resumo – Acho que na verdade escreverei aqui que gosto de todas as canções desse disco, essa é outra, como já disse aqui em algum outro comentário, me agradam muito essas canções que o Roberto gravou, dele ou não que fogem da temática amor/homem/mulher que ele faz tão bem, outra que me lembro agora indo para esse lado é Desenhos na Parede do ano seguinte.
    4. A Deusa da Minha Rua – Roberto enaltecendo a música brasileira pré-bossa nova, belíssima interpretação, faz um contra-peso com Ternura Antiga no lado A.
    5. A Estação – Uma daquelas letras que parecem mais autobiográficas do Roberto, aliás, falando na tal autobiografia que ele “vai” lançar e da qual eu já desisti, julgo dispensável, ele já contou sua vida inteira em suas canções.
    6. Eu Me Recordo – Boa também! Bicho, me manda esse vídeo aí porque não estou certo de tê-lo visto, só lembro de um que ele canta ao lado do Armando Manzanero mesmo.
    Grande abraço, mano!

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  3. Então mano, não sei se comentei aqui, pelo menos nesse post, mas outra coisa interessante é que é um disco da década de 70. O piano acústico, bateria acústica, instrumentos de verdade e ainda por cima gravado originalmente na fita de rolo. Isso é que o que eu chamo de "marcas que o tempo não apaga".

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  4. Pois é, hoje criam equipamentos digitais para recriar esses timbres...não entendo porque quem pode usar os originais optam pelas cópias.

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  5. O inesquecível disco de 1974! Belo em capa e em som. Roberto Carlos em seu melhor.

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