sexta-feira, 23 de março de 2012

O disco de 1988


Com a facilidade do cd, acabamos perdendo certos costumes. Hoje em dia, com a facilidade de se baixar um disco pela internet, pior ainda. Muita gente deixa o disco na própria máquina, o que este que vos fala particularmente não é lá muito adepto. Prefiro (fritar) os cds em wave mesmo. Bom, com toda essa parafernália dos (disquinhos mágicos) como dizia uma certa revista, tive uma sensação diferente ao pegar o vinilzão de 88. Ao abrir a capa para colher informações para vocês me fez voltar no tempo.

LADO A
1 - Se Diverte e Já não Pensa em Mim
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo assinado por Charles Calello, a música que abre o disco é totalmente dentro dos padrões RC. A qualidade de som está diferente nesse disco. Roberto gravou a disco com gringos. O som está mais encorpado, os graves estão mais audíveis. Seria esse (para mim) o último disco em que o Roberto usa baterista de verdade. A partir do disco de 89 nota-se a tecnologia com os processadores. A primeira vez que ouvi a canção, salvo engano, foi numa fita pirata. A letra é linda e comenta da vida a dois e particularmente da outra pessoa que não tem tempo para nada quase. Na parte, (usa o fax e o telex), em tempos de hoje seu sobrinho pode perguntar o que é fax e telex. Em tempos de hoje como seria? (Usa o skype e o orkut, mais o MSN, facebook)... No especial de fim de ano a gloriosa Luiza Brunet encheu nossas telas com a sua beleza vivendo o papel de uma mulher de negócios. O clipe mostra Robertão gravando com sua habitual roupa, coletão jeans claro, camiseta e calça jeans. Sobre a roupa, Roberto disse em entrevista a revista Caras em 94: Gosto muito de jeans, azul e branco. Pior é quando dizem que eu estou sempre com a mesma roupa (risos). A letra também acompanha a mudança da sociedade de uma certa forma. No disco de 1973 em Rotina, a mulher era retratada em casa, enquanto o marido saía para trabalhar, os dois pensavam um no outro durante o dia inteiro, etc. Na letra desta canção de 1988 a mulher saía para trabalhar, cheia dos afazeres, ou seja, as canções da dupla Roberto e Erasmo sempre acompanharam as mutações da sociedade.

2 - Todo Mundo é Alguém
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de base: Robbie Buchanan. Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
A música para o povão. A letra critica de forma sutil a cambada de magnatas que vive no mundo. Diz que não importa a cor e que tudo o que ele (homem) quer é o respeito por sua luta. Letra atualíssima por sinal. De uma certa forma, fala para que a gente (trabalhadores) não encolhamos nossos ombros. Como diz a letra (dentro de um castelo ou de um barraco, ele é alguém, com o que tem). O tipo de letra que te prende e te faz refletir. Robertão e Erasmão são ótimos nisso. Bons tempos em que tínhamos letras cm conteúdo. Na execução da música no especial de 88, alternam-se imagens entre ao vivo e imagens do povão indo ao trabalho. No final da música há uma bateria de escola de samba com um coral maravilhoso. A guitarra do começo tem um chorus gostoso de se ouvir. Dean Parks destrói no solo, diga-se de passagem.

3 - Se Você Disser Que Não Me Ama
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo Charles Calello
Um bolero que reforça a diversidade de ritmos da dupla de compositores. A letra é daquele tipo de situação, (Ah, diz que não me ama, vai, quero ver) rs. No clipe veiculado no especial, Roberto está como crooner (no tempo da boate Plaza na deveria ter o mesmo glamour), a banda atrás um ou outro músico com a gravata torta, mas não vem ao caso. Roberto com aquele microfone antigo. Isabella Garcia maravilhosa, dança ao som o Robertão. Nos braços de outro. Os dois ficam se comendo com os olhos, até que no final da música, Roberto após pegar o cachê, encontra com Isabella e os dois dançam. Isabella recita a letra da canção.

4 - Como As Ondas Do Mar
Marcos Valle/ Carlos Colla – Arranjo: Charles Calello
Maravilhosa música que acrescenta ao cardápio de estilos que é esse disco de 88. A letra fala de uma situação em que compara-se as ondas do mar, o (tudo vem, tudo vai). Diz a letra, (com você aprendi que o que dá pra sorrir, também dá pra chorar). Fala do amor verdadeiro, aquele que ficou lá para trás. Saudosismo é marca registrada também na carreira de Roberto. Já chorei muito ouvindo isso. No especial da Globo, Roberto é um papai Noel de shopping e vê a amada de mãos dadas com a filha. A amada é bem estilo anos 80. Mas curioso é que ela não se toca nem uma vez que o papai Noel é o Roberto. Ao final, Roberto, puto da vida tira o disfarce de Papai Noel e manda tudo para o inferno. 

5 – Se o Amor Se Vai
(Roberto Livi/Bebu Silvetti/Roberto Carlos/ Carlos Colla)
Arranjo de base: Bebu Silvetti / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Ganhadora do Grammy, curiosamente ela foi apresentada no ano seguinte em especial, com Roberto cantando ao vivo no especial do disco Amazônia. A letra comenta que se fosse a inexistência do amor (sentimento), um monte de coisas ia para o ralo. O bilhete, flores, sonhos, fantasias e reforça que (pobres namorados, choram separados por razões banais).



6 – Papo de Esquina
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Participação muito especial: Erasmo Carlos.
Arranjos: Charles Calello
A música é um country, bem mais fiel do que alguns countries que andaram aparecendo recentemente. A letra é uma conversa de dois amigos que falam de suas respectivas descobertas mulherísticas. Ou seja, dois amigos falando sobre suas respectivas presas. Agora, o que eu torci o nariz desde a primeira vez que ouvi foi o (toda razão dessa felicidade é uma gata chocante que eu conheci na cidade). Essa gíria não desce até hoje, rs. Nessa época, na Globo ainda tinha o programa Globo de Ouro. Roberto e Erasmo eram presença garantida com essa música. Quem apresentava o programa e os convidados era Miryam Rios.

7 – Eu sem Você
(Mauro Motta/Carlos Colla)
Arranjo: Charles Calello
Uma composição do produtor do disco e do hit maker Carlos Colla. Bela letra falando coisas do tipo, (Ah, é? Fica sem mim que tu vai ver o que é bom pra tosse!). Essa música não entrou no especial da Globo. Mas é a música para se ouvir ao lado da pessoa amada, a meia luz e com um bom vinho.

8 – O Que É Que Eu Faço?
(Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de Base: Charles Calello. Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Samba muito bem feito. Mais uma vez ressalto aqui a diversidade de estilos em um mesmo disco. Essa foi a primeira música do disco que eu ouvi no rádio. Ao final o locutor da Rádio América dizia: Parabéns Roberto, são músicas assim que provam que um rei jamais perde a majestade. A letra fala de suposições: (se você de repente me achar, no seu caminho; na sua porta; na sua cama, etc).

9 – Toda Vã Filosofia
(Guilherme Arantes)
Arranjo: Charles Calello
O rei grava uma música de Guilherme Arantes, excelente compositor. Não sei porque, mas adoro essa canção que ouvia sempre antes de ir para a escola a tarde. Fala do amor como o centro de tudo. Principalmente no trecho (Mas hoje eu sei, que só através do amor o homem pode se encontrar com a perfeição dos sábios).

10 – Volver
(Carlos Gardel/ Alfredo Lepera)
Arranjo: Bebu Silvetti
Tango fiel as raízes. No clipe do especial, Roberto aparece cantando com um efeito de fumaça atrás dele, vestido com um terno, detalhe para as mangas arregaçadas. Excelente canção. Outra para se ouvir com vinho do lado.

Considerações Finais
O disco é um trabalho ímpar, totalmente dentro dos padrões RC de qualidade. O time de músicos está perfeito, entrosado e a banda está um relógio. Roberto dá um show de interpretação em todas as letras, gravar com sentimento é algo que ele entende bem.
O álbum foi gravado nos estúdios Cherokee, Record Plant, A&M Records, Sigma Sound e Sigla (RJ).


terça-feira, 20 de março de 2012

Revista Programa do Show Emoções - parte 2

 



Revista Programa do Show Emoções - parte 1



Essa revista caiu nas minhas mãos do céu. Certa vez, eu em uma das minhas 14.875 tentativas de montar uma banda, ensaiava com um baterista que morava perto da minha casa, isso lá por volta de 1999 ou 2000 e alguma coisa. Pois bem, esse baterista já era de meia idade, apelido dele era Landau. Um belo dia, num de nossos ensaios, ele me veio com essa revista, sabendo da minha admiração por Roberto Carlos disse a frase mágica: Pega pra você. Isso é como ganhar na loteria pra mim. A procedência da revista ele disse que um cara que ele conhecia, guitarrista do Roberto o Aristeu havia dado pra ele. Bom, a revista está muito bem guardada num plástico, mas resolvi scanear e trazer para o blog Súditos.






 Bom, como o blog está tirando uma comigo hoje, vou postar em duas partes. Ainda tem mais, aguardem.

Revista Programa do Show Emoções.

Essa revista caiu nas minhas mãos do céu. Certa vez, eu em uma das minhas 14.875 tentativas de montar uma banda, ensaiava com um baterista que morava perto da minha casa, isso lá por volta de 1999 ou 2000 e alguma coisa. Pois bem, esse baterista já era de meia idade, apelido dele era Landau. Um belo dia, num de nossos ensaios, ele me veio com essa revista, sabendo da minha admiração por Roberto Carlos disse a frase mágica: Pega pra você. Isso é como ganhar na loteria pra mim. A procedência da revista ele disse que um cara que ele conhecia, guitarrista do Roberto o Aristeu havia dado pra ele. 
Bom, a revista está muito bem guardada num plástico, mas resolvi scanear e trazer para o blog Súditos. 
 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Acervo - Coleção

“O que é que você tem, conta pra mim
Não quero ver você triste assim
Não fique triste o mundo é bom
A felicidade até existe...”,
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Na mão dos colecionadores...

Quando a gente gosta de uma ou outra música de determinado artista ou banda é uma coisa. Quando a gente é fã, opa, a coisa fica um pouco mais complicada. Quando somos completamente loucos pelo trabalho do artista ou banda, aí já é doença. Como sou um doente por Elvis Presley, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Kiss, Led Zeppelin e Deep Purple, não tenho outra palavra para descrever a não ser: Triste. Marco Antônio Mallagoli, fã e colecionador de Beatles certa vez disse: Fã de Beatles sofre. Não tiro sua razão. Mas fã em geral sofre.

Ser colecionador do Roberto é uma tarefa extremamente complicada, pois o rei tem lançamento nos quatro cantos do mundo. Isso falando em termos fonográficos. É como se cada país tivesse a sua própria discografia. Mas a palavra coleção, no nosso caso de fã se divide em várias categorias.

Fonográficos: seriam todos os Lps, CDs, compactos, fitas k7, cartuchos, Picture discs, single, EP, ou seja, tudo aquilo que toca a música. Seja qual for o país de origem.

Memorabília: revistas, recortes de jornal, fotos, ingressos de show, livros, posters, etc.

Souvenirs: caneca, bottom, camisa, bandana, pulseira, bandeja, cortina, toalha, tênis, a lista é imensa.

Vou postar aqui sempre alguma coisa da minha coleção, que é muito humilde. Costumo dizer que tenho pouco material, mas o que eu tenho me deixa feliz e tenho um ciúme imenso. Ah, e estou aberto a doações para o meu acervo. Nacionais em Lps ainda me faltam: o Splish Splash, É proibido Fumar, Canta para a Juventude, Jovem Guarda, o disco de 1969 e o de 1981 em inglês. Se alguém tiver mais que um e quiser doar ou vender, pode mandar um comentário e a gente conversa.
Bom, começarei essa categoria com algumas fotos de alguns discos que possuo. Se formos pensar de uma maneira mais racional, hoje em dia todo vinil é uma raridade.

Compacto Eu Amo demais

Esse compacto por exemplo é um compacto em que todas as musicas são conhecidas de outros discos. Todas contidas no LP "San Remo 1968", porém lançado em 1976. O compacto é datado de 1975. Ou seja, saiu um ano antes do LP que reúne 12 canções gravadas de 1966 até 1973. Agora, o meu compacto está com o ano de 1975, as músicas foram gravadas até 1973. Em qual ano as canções foram gravadas? Infelizmente, no Brasil não temos uma atenção devida quando o assunto é ano, dias de gravação, em quantos takes foram feitos, músicos envolvidos na gravação. Dos Beatles por exemplo nós temos livros como o The Beatles Recording Sessions, ou o The Complete Beatles Chronicle ambos escritos por Mark Lewisohn.
Outro detalhe que chama atenção é o desing da capa. Até meio incomum para um disco do Robero, uma faixa do lado com o nome das músicas, a primeira vista nota-se que não se trata de uma capa extraída de um LP, porém a foto é uma das fotos contidas no Lp de 1973. Fã que é fã, não apenas compra e escuta um disco. Como se não bastasse ainda fica esmiuçando a capa, lendo até o Indústria Brasileira, Avenida...

Pedro e o Lobo. 



Roberto Carlos narra Pedro e o Lobo com a Filarmônica de Nova York regida por Leonard Bernstein. Se hoje em dia qualquer disco de vinil é raro, até 1996 ano em que se saiu o último LP anual do Roberto no Brasil, esse disco conhecido como Pedro e o Lobo era uma raridade a mais, era um disco fora de catálogo. O disco está com a data de produção de 1970. Nunca o vi nas lojas. Em tempos em que não tínhamos a internet, jamais poderia imaginar que Roberto tivesse gravado algo nessa linha. Mas gravou. Na sua discografia ele não constava, não me lembro quando tomei conhecimento desse disco. Mas a sensação de achá-lo no Mercado Livre, entrar em contato com o vendedor, sair de casa para buscar O disco, voltar no ônibus lendo todas as informações da capa e contra capa e por fim tirar o disco de dentro da capa e ver que o selo da CBS era azul... não tem preço. 



O disco de 1981.
Até aí, nada demais, pois trata-se do disco que contém sucessos como Emoções, Tudo Pára, Cama e Mesa, As Baleias entre outras. Talvez por ser um disco dos que eu mais gosto pela equalização, sonoridade, resposta de graves, médios e agudos... fiz questão de (acumular) edições desse disco. Então resolvi tirar uma foto de todas as edições que possuo. A fita k7 e o recém adquirido mais novo LP são o meu xodó, seguidos do compacto e no final pelo cd que saiu com uma edição horrível. A parte gráfica está horrível, com foto de péssima qualidade, sem a tradicional moldura branca e ainda por cima ainda baniram as fotos da parte interna do álbum e da contra capa. 



Nessa primeira parte falando das coleções postei alguns discos. Na próxima vez postarei algumas revistas, fitas k7, material em pauta é o que não falta.

O disco de 1993


1-    O Velho Caminhoneiro (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2-    Coisa Bonita (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3-    Hoje é Domingo (Nenéo/Dalmo Belote)
4-    Obsessão (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
5-    Nossa Senhora (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
6-    Tanta Solidão (Mauro Motta/Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle)
7-    Se Você Pensa (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
8-    Parabéns (Altay Veloso)
9-    Mis Amores (Roberto Livi/Bebu Silvetti)


1 - O Velho Caminhoneiro (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Aranjo: Charlie Calello
Roberto abre o disco de 1993 com uma segunda homenagem aos caminhoneiros, a primeira tinha sido nove anos antes em 1984. O entrosamento dos músicos está impecável, a banda está um relógio. A dupla expõe outras características da vida de caminhoneiro que não tinham falado em 1984. O caminhoneiro de 1984 era o jovem caminhoneiro, o que pega a estrada, quase sempre madrugada e pensando na amada. Que pensa nela no caminho sonhando com os carinhos etc. O caminhoneiro de 1993 é, como o nome da canção diz, o velho caminhoneiro. O que já acumula histórias debaixo do toldo, experiência, que em uma determinada curva da estrada lembra da namorada (provavelmente a mesma de 09 anos antes), mas hoje pensa na família, que já pegou chuva, tempestade, enfim, um personagem de muita coragem e fé, descrita no trecho (no painel tem São Cristóvão, Jesus e Nossa Senhora. Nas guitarras e guitarra solo, Paulinho Ferreira. Discreto, genro do rei e toca pra caralho).

2 – Coisa Bonita (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Eduardo Lages
Quando pensei em montar a comunidade no orkut para esse disco, pensei em um milhão de coisas para dizer sobre essa música. Mas depois de ouvir o disco todo novamente, juro que não achei a canção tão tosca como sempre eu achei que fosse. Trata-se da homenagem da dupla para as mulheres meio acima do peso. Bobagem, toda mulher acha que está acima do peso. É unânime. Como se nós homens ligássemos para isso. Essa preocupação toda com a estética, com a balança para mim particularmente é uma puta bobagem.  É mais ou menos o que a sociedade impõe: a coisa de você ter que ser magro. Roberto fala isso no teatro municipal em São Paulo, palco do especial de fim de ano: As mulheres TEREM QUE SER DE CERTA FORMA, PARA SEREM FORMOSAS. A dupla de compositores mais ouvida do Brasil é contra isso. Há alguns anos chegamos, a saber, de meninas modelos que morreram por causa de anorexia ou bulimia. A dupla descreve que não entende o sacrifício de ginástica, dieta, um quilinho a mais etc. A frase (pode até me beijar, pode me lamber que eu sou dietético), deve ter sido número um nos cursos de nutrição por aí. A dupla relembra que os pintores antigos (não dispensavam o charme de uma gordinha em sua pintura). Uma música para levantar a auto-estima da mulherada. Parabéns Roberto e Erasmo. Uma dupla acima de tudo, atenciosa com o seu público.

3 – Hoje é Domingo (Nenéo/Dalmo Belote)
Arranjo: Eduardo Lages
A canção ficou ótima na voz de Roberto, isso é importante ressaltar, a interpretação de Roberto faz qualquer canção ficar ótima mesmo. A letra fala de um casal que tem uma semana de segunda a sábado de cão e espera pelo domingo, a espera pelos beijos demorados, (o dia inteiro estar contigo), coisa de casal que ainda não comeu um quilo de sal junto. Duvido que um casal mantenha esse fogo depois do terceiro ano. Mas, deixando a brincadeira de lado, Roberto parece narrar a sua própria fase em que passava. A revista Caras entrevistou o rei e dizia na reportagem que Roberto passava o dia todo com Maria Rita Simões, sua namorada na época e futura esposa. Nesse período, de 90 até o trágico ano de 1999, tínhamos um Roberto sorridente, alegre...

4 – Obsessão (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Eduardo Lages/Arranjo de Metais: Charlie Calello e Lincoln Olivetti.
Uma canção ótima tanto no disco como ao vivo. É para levantar a platéia dos shows de Roberto, isso mostra a versatilidade de se compor canções de estilos diferentes. Um show de Roberto tem canções para todas as ocasiões e para todo o tipo de público. A letra fala da pessoa que tem obsessão pela pessoa amada, passa o dia todo pensando, vai e volta do trabalho pensando, vê a pessoa amada, no outdoor (que em São Paulo hoje em dia é proibido), na TV, no serviço e no final da noite, acredita ter uma miragem da pessoa em sua cama. No especial do Teatro Municipal, antes dessa música, desceram e ficaram suspensas no ar, várias capas de discos da carreira do rei. Aos primeiros acordes de Obsessão, a capa do disco de 93 desce maior do que todas e ao centro. 



5 – Nossa Senhora (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Tutuca Borba
Maestro Tutuca nos arranjos senhoras e senhores. O cara é sensacional mesmo. Não achei o Carlos Bala na bateria, acredito ter sido por computador mesmo. Bom, o que dizer sobre essa canção? As mensagens religiosas acompanham Roberto desde 1970. Roberto é um homem temente a Deus. No especial de 50 anos do rei, em 1991, o rei fala para a jornalista Glória Maria que sua mãe, Lady Laura era católica e o pai Sr. Robertino Braga era espírita. Muito do catolicismo ele aprendeu com a mãe e do espiritismo com o pai. A última vez que o rei tinha gravado uma canção do gênero tinha sido em 1991 com Luz Divina. Em resposta em outro especial da Globo de fim de ano, Roberto diz que os padres tinham dito algo como: Olha, você precisa fazer uma música para Nossa Senhora. Canções com esse tema seriam frequentes nos anos seguintes, principalmente quando Maria Rita viria a ficar doente. É importante dizer, que as canções de Roberto e Erasmo de caráter religioso, são acima de tudo orações. Cresci ouvindo na igreja que, quem reza cantando, reza duas vezes. Eu toquei 15 anos na igreja católica, de 1989 em diante. Como fã confesso do Roberto que sou, briguei muito para Luz Divina, Jesus Cristo (1970) e Nossa Senhora entrarem na nossa pasta de cantos.

6 – Tanta Solidão (Mauro Motta/Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo: Nilo Pinta
Essa canção tem uma letra profunda explorando o tema da saudade deixada pela pessoa que partiu. Roberto, creio eu, adora esse tipo de letra, lembremos de Abandono (79), Atitudes (73), Você já me esqueceu (71), são letras do estilo corta pulso. A letra da Tanta Solidão, assim como as letras de Roberto e Erasmo, é uma letra adulta, mostra maturidade e muito sentimento. Roberto é o cara na hora de interpretar, quando ele canta, parece que está cantando sobre sua própria vida.  Porém, Roberto chuta o balde quando compõe com Erasmo a canção Tem Coisas Que a Gente Não Tira do Coração (96).

7 – Se Você Pensa (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello/Cobertura de Cordas e Metais: Eduardo Lages
Com essa eu fiquei puto. Calma, vou explicar. Geralmente o disco saía antes do especial da Globo (infelizmente hoje em dia , nem disco nem especial). Na época eu nem sonhava em ter um vídeo em casa. Por isso não lembrava das versões de outros especiais. Pois bem, no ano de 1992, Roberto tinha feito essa canção no especial junto com Erasmo. Ao ver que ela estava no disco de 93, fiquei entusiasmado torcendo para: que se não fosse a mesma versão, pelo menos estaria algo próximo do que eu tinha visto um ano antes. Quando ouvi, fiquei decepcionado. Um Roberto cantando sem soltar a voz, os instrumentos sem aquela (pegada)... Para mim, A versão tinha que ser a do especial e com um Roberto bem agressivo cantando.  Odiei. Hoje entendendo de música um pouco mais que em 93, eu fico mais puto. Bom, comentemos sobre o especial do ano de 93, em particular nessa música. Um pouco antes, semanas, ou dias, não me lembro, um amigo tinha me dito que o rei tinha feito um show no Teatro Municipal de São Paulo. Se eu assisto um especial daquele ao vivo eu infarto. Bem, creio que fui gravar o especial na casa da minha avó falecida em 2011. A cortina entre a banda RC 9 é o alvo das câmeras. Então, vem uma coletânea de imagens de especiais antigos, o público se anima e em algumas partes a insistência em se colocar imagens do rei dirigindo. De repente, vem a cena do Em Ritmo de Aventura, Roberto vem com o Porsche vermelho e entra pela cortina com aquele puta carro com uma cara igual o Elvis começou o Comeback 68, onde ele entrava desafiando (If you're looking for trouble
You came to the right place) ou seja (se você está procurando por problemas, você veio ao lugar certo). E olha para o público do Municipal ainda desafiador. No que o rei bate a porta do carro, o RC 9 começa aquele arranjo lindo de morrer com a metaleira gritando bem alto e o Dárcio mandando ver no Baixo. A melhor versão dessa música.

8 – Parabéns (Altay Veloso)
Arranjo: Eduardo Lages
Altay Veloso na voz de Roberto Carlos é uma combinação ótima. Suas letras são bem emotivas e no caso dessa em especial, a letra narra a situação de como é difícil o primeiro aniversário da pessoa amada, depois que o relacionamento tecnicamente foi para o ralo. É realmente desconcertante você se ver em meio a recordações de momentos e o mais incômodo de tudo seja justamente você ligar para a pessoa. Mas o que acontece é isso mesmo, porém, no primeiro ano a gente lembra, no segundo ano a gente erra o dia, no terceiro ano a gente já está com outra, A FILA ANDA.

9 – Mis Amores (Roberto Livi/Bebu Silvetti)
Arranjo e Direção: Bebu Silvetti
Quando eu ouvi essa música no disco de 93, eu já conhecia. Tinha ouvido em uma fita cassete de um amigo. Graças ao compartilhamento de músicas, vulgo pirataria, anos mais tarde acabei descobrindo que eu já conhecia a canção porque ela teria sido gravada originalmente em 1988 para o disco espanhol de To Chutando Lata de 87. Bela canção, uma das minhas favoritas nesse disco, essa eu canto junto.

Considerações finais

O disco de 1993 vem com uma capa diferente, com Roberto de Jeans, a paisagem do local desfocada, fugindo um pouco do costume de fazer as fotos em estúdio. A foto do encarte e da contracapa são da mesma sessão. As canções do disco estão perfeitas, é impossível para a gente, que é fã, dizer: Putz, o Roberto não precisava gravar isso. Mesmo as canções de toda a carreira dele, principalmente aquelas que torcemos o nariz na primeira audição, creio que seja uma questão de ouvirmos com mais atenção, ler a letra no encarte, analisar o que levou Roberto e Erasmo a compor sobre tal tema ou gravar uma música de um determinado compositor. Ainda falando sobre o encarte, nota zero para a fonte (letra) usada no campo dos arranjos e músicos. Nos agradecimentos, duas (novidades) um agradecimento escancarado à TRANBRASIL com direito a logo e tudo e mais abaixo o telefone do maior fã clube do Roberto no mundo, o Grupo Um Milhão de Amigos da Vera Marchisiello, detalhe: Não achei nada na internet referente ao fã clube, recorri a uma edição do jornal do fã clube datado de novembro de 1998, enviado a mim pela Vera. Gravado nos estúdios Sigla e Impressão Digital (RJ), Criteria Recording Studios (Miami) e Cherokee (Los Angeles). Foto: Luís Garrido.