segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O disco de 1992


1 – Você é Minha (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Mulher Pequena (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – De Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
4 – Você Como Vai? (Cláudio Baglioni) Versão Roberto Carlos/Erasmo Carlos
5 – Dito e Feito (Altay Veloso)
6 – Herói Calado (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
7 – Eu Preciso Desse Amor (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
8 – Você Mexeu Com A Minha Vida (Mauro Motta/Paulo Sérgio Valle)
9 – Dizem Que Um Homem Não Deve Chorar (Palmeira/Mario Zan/Pepe Ávila) Adap RC/EC
10 – Una En Un Millón (Roberto Livi/Alejandro Vezzani)



Esse eu diria que é um disco clean (limpo). Muito longe do som rústico dos anos 70, longe da sensualidade nas letras dos anos 80, o Roberto dos anos 90 é um Roberto mais ou menos assim: As músicas dos anos 70, eram tudo que a mulherada tinha que ouvir, letras arrojadas, baladonas do estilo corta pulso, etc. Nos anos 80, a fase de casado onde tudo é novidade, escute Pelas Esquinas de Nossa Casa, Só vou se Você For... Só recém-casado presta atenção nessas coisas, rs. Nos anos 90 meu caro, o romantismo continua presente porém agora com maturidade.


1 – Você é Minha (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo e arranjo de metais: Charlie Calello
Roberto descreve todas as particularidades da amada, da vida a dois, porque gosta tanto da amada e o porquê desse gostar tanto. Frases como (gosto tanto do seu jeito, se é de manhã te vejo, o jeito de tirar as meias, puxar o zíper, perfume) dão um panorama geral de como é gostoso o começo de namoro. Os sábios dizem, (no começo tudo são flores mesmo, depois avacalha). A música é bela, mas com uma bateriazinha programada sem vergonha que se extende em mais algumas faixas. A tecladeira seria uma constante de 90 até os dias de hoje.

2 – Mulher Pequena (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello / Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
Roberto fala, antes de cantar a música no especial de 92 na Rede Globo, que numa pesquisa viu com Erasmo que a maioria das mulheres no Brasil era da estatura menor que 1,60m. Claro que não poderia faltar uma estrela global, Patrícia França enche tela com sua beleza. Aqui começa a fase do Roberto de homenagear a mulher em toda a sua plenitude. A baixinha, a gordinha em 93, a de óculos, a de 40 e parou com essa mania ao que tudo parece. Mas mulheres do Brasil todo se sentiram homenageadas com uma música de ninguém mais, ninguém menos que Roberto Carlos. Aqui há bateria gravada por John Robinson e o violão solo por Ramon Stagnaro.


3 – De Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo: Eduardo Lages
Eduardo Lages mata a pau na sua letra em parceria com Paulo Sérgio. Frases como (idas e voltas, paixão meio fora dos planos, quem sabe o sonho mais lindo que eu deixei passar) faz qualquer um se  debulhar em lágrimas. Aqui não há bateria de verdade, mas há o solo de guitarra de César Borg.

-----------
4 – Você Como Vai? (E Tu Come Stai?) (Cláudio Baglioni) Versão Roberto Carlos/Erasmo Carlos
Arranjo: Charlie Calello
Bela versão da música de Cláudio, cantor e compositor italiano de uma carreira de muitos êxitos. Uma das minhas preferidas, diga se de passagem. Uma revisita do rei à um estilo que podemos considerar um rock romântico. Nas guitarras, Mr. Paul Jackson Jr e na bateria John Robinson. Os metais passeam pela música toda, com arranjos minuciosamente escritos.


5 – Dito e Feito (Altay Veloso)
Arranjo: Eduardo Lages
A letra é riquíssima. Altay Veloso é um compositor nascido em São Gonçalo, RJ. Vários nomes brasileiros já gravaram suas canções. As frases (fechei meus olhos para os seus erros, não dei ouvidos quando um amigo disse cuidado) são coisas que ficaram legais na voz do Roberto. Mais uma bela canção, de um excelente compositor em um disco do Roberto. Na bateria, uma tomada 110W.

6 – Herói Calado (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de base e metais: Charlie Calello / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Música dedicada ao povão. Roberto e Erasmo acertam em cheio com a letra, lembrando do pessoal que vai e volta amarrotado no trem. A guitarra solo é de Dean Parks.

7 – Eu Preciso Desse Amor (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
Arranjo: Eduardo Lages
A ausência de instrumentos de verdade na músicas é uma coisa que me incomoda. George Harrison disse certa vez que gostava de música de verdade, de ouvir um músico de verdade tocando. Quando eu gravei uma música minha chamada Razão de Tudo em 2004, onde tentei dar uma de Paul McCartney tocando tudo sozinho, ao gravar a bateria eletrônica que consiste em todas as peças de uma bateria normal, mas com um cabo saindo de cada peça e indo para um distribuidor geral, me senti um traidor da música por estar gravando em uma coisa eletrônica. Pra quem é baterista sabe, não é a mesma coisa você sentar o pé no pedal e tocar um bumbo convencional e um bumbo eletrônico. Para ouvidos mais exigentes é a mesma coisa. Toque um disco de música com citações clássicas com violinos, quarteto de cordas e um disco com o (preset de teclado) strings. Ouvidos exigentes irão preferir o disco com quarteto de cordas de verdade. A música dos hit makers Sullivan e Massadas tem várias citações interessantes que fazem jus ao nome da canção. A letra já propõe uma volta da pessoa amada, uma volta no tempo numa tentativa para consertar os erros cometidos.





8 – Você Mexeu Com A Minha Vida (Mauro Motta/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo de Base: Charlie Calello / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Roberto é um artista flexível. Aceita por exemplo cantar uma canção que a letra não siga fielmente o seu estilo de compor. Está aí uma das provas da diversidade de estilo, agora aqui em letra. Mauro Motta e Paulo Sérgio trazem para os dias de hoje que o amor antigo é uma coisa bonita, meio esquecida. E as perguntas que nos fazemos quando estamos na situação da canção, (Porque é que você não ficou como um breve momento?; Nessa coisa de amor é preciso ter muito cuidado). Boa canção da dupla. Roberto faz o refrão consigo mesmo em overdub.

9 – Dizem Que Um Homem Não Deve Chorar (Palmeira/Mario Zan/Pepe Ávila) Adap RC/EC
Arranjo: Charlie Calello
Bela música gravada por Roberto, composta em 1958 por Mario Zan, Diogo (Palmeira) Mulero. Mario Zan quem, não conhece a (música de quadrilha da festa junina)? Além da música da festa junina, Mario gravou muitos discos de sucesso e compôs pérolas como a música para o Quarto Centenário da cidade de São  Paulo e  Chalana (que minha mãe adora). Essa canção é uma verdadeira volta ao mundo em 34 anos. Ela foi gravada pela primeira vez em 58 por Palmeira e Biá obtendo grande sucesso pela gravadora Chantecler. A música chamava-se Nova Flor. Foi versionada por Arthur Hamilton e gravada por The Letterman como Love me Like a Stranger. A gravação foi um dos temas em Pecado Capital em 75. Pepe Ávila fez a versão para o castelhano “Los Hombres no Deben Llorar”. Sendo revisitada e adaptada por Roberto Carlos em 92. Muita gente gravou essa canção.
Créditos para Antonio Carlos Pereira que postou os esclarecimentos sobre a canção no Clube do Rei.

10 – Una En Un Millón (Roberto Livi/Alejandro Vezzani)
Arranjo: Julian Navarro
Bela canção de Roberto Livi, o mesmo de Se o Amor se Vai de 88. Roberto Carlos sempre fez questão de colocar uma música por disco em espanhol. Isso vem desde 73 com El Dia Que Mi Quieiras. Roberto tem a sua carreira fora do Brasil também. Lá fora é um disco por ano. O Box Pra Sempre em espanhol, traz os discos em espanhol de todos os anos. Os discos são lançados primeiramente no Brasil e depois no exterior. Sendo assim, o disco de 92 (Você é Minha), vai ter a sua versão em 93 (Tu Eres Mia). Aliás, esse disco em espanhol vem com um track list curioso, além da foto do mesmo ensaio e que não saiu no disco do Brasil. 



1.Mujer Pequeña
2. Tú Eres Mia
3. No Me Dejes
4. Todas Las Mañanas
5. Escenario
6. Luz Divina
7. Dime Unas Cosas Bonitas
8. Y Tú Como Estás?
9. Pregúntale A Tu Corazón
10. Dicho Y Hecho

Ou seja, nem todas as músicas desse disco foram versionadas para o espanhol.

Gravado nos estúdios Conway e Westlake (LA), Sigla, Estúdio K, Mix e Transamérica (RJ) e Crescent Moon em Miami. As fotos são de Milton Montenegro.

Considerações finais.
O disco tem uma sonoridade gostosa de ouvir, não esquenta a cabeça. Aqui Roberto grava com Eduardo Lages na tecladeira, maestro Tutuca, mas os gringos continuam a aparecer em algumas músicas. As letras falam de amor nas suas mais diversas situações, isso é praxe no Roberto, ele faz disco dizendo de várias situações. Aqui começa as homenagens direcionadas especialmente às fãs, aqui foi para as mulheres pequenas, ainda viriam homenagem às mulheres acima do peso, de 40, de óculos, etc. No especial do ano de 1992, Roberto dedica o programa a Augusto César Vanucci. O rei aparece com um blaser amarelo. O especial ainda conta com as participações especiais de Chitãozinho e Xororó, Erasmo Carlos, Kátia e Caetano Veloso. Além de parte do elenco da Globo destruindo a canção Um Milhão de Amigos. Os piores destaques ficam para Fábio Assunção, Diogo Vilela, e Edson Celullari.
O disco completa agora em 2012, vinte anos. Velhos tempos, belos dias...

6 comentários:

  1. Demais,gosto desse disco,e foi muito bom vê-lo tratado com tanto cuidado,parabéns meu caro amigo,Deus abençoe \o/

    ResponderExcluir
  2. Obrigado por comentar aqui irmão, amém.

    ResponderExcluir
  3. Esse não é um dos meus prediletos e como gosto imensamente do disco de 91 acho que a empolgação com ele fez com que eu esperasse mais do disco que vinha em seguida.

    As músicas que eu destacaria do disco, são por acaso as composições da dupla dinâmica Roberto e Erasmo.

    Você é Minha - Tem uma bela melodia que me lembra muita uma canção argentina que eu sempre esqueço o nome (como agora, hehe, quando lembrar voltarei aqui) e uma letra que é bem na onda da sensualidade dos anos 70/80. Arranjo do Charlie Calello é sempre bem-vindo, esse carinha faz uma falta!

    Mulher Pequena - Acho engraçado como ela permaneceu e vez por outra volta ao repertório dos shows como na turnê atual, não me recordo de gostar muita dela de início, mas uma vez uma tia minha que era cantora me chamou a atenção para a melodia dela e passei a ouvir com outros ouvidos (mentira, são os mesmo até hoje,hehe). E tem o solo nota 10 do Señor Ramon Stagnaro, bom de serviço pacas esse cara. Uma música dele que eu gosto muito nessa levada mais latina é Cheirosa do disco de 96.

    Herói Calado - Ao contrário de Mulher Pequena essa música eu achei fosse tocar mais, mas rolou muito pouco no rádio, é o tipo música mais agitada do Roberto que eu gosto muito como Todo Mundo É Alguém, Ele Está Pra Chegar, Quando o Sol Nascer, entre outras e que ele abandonou um pouco nos discos seguintes.

    Você Como Vai? Versão dele e do Erasmo e para mim a melhor do disco e ainda nessa levada mais agitada que eu citei acima, Robertão soltando a voz de peito aberto e olhos fechados é phoda!

    Quanto ao som, o uso de bateria eletrônica e cordas sintetizadas não me agrada muito também, acho que hoje já se consegue até uns timbres melhores e isso é muito válido principalmente quando se trata de uma produção mais modesta, é uma boa economia que eu não acho que fosse necessária ser feita nos discos do Roberto. Por outro lado eu também acho que ele curtia um pouco esse som, no sentido da dar uma modernizada, eu gosto do resultado dos sintetizadores na música Você Na Minha Mente do disco de 85, já no disco de 1995 não me agradam nem um pouco.

    A versão em espanhol mistura canções dos discos de 90, 91 e 92. Aliás, vou ver se compro esse box esse ano porque já passou da hora.

    "Além de parte do elenco da Globo destruindo a canção Um Milhão de Amigos. Os piores destaques ficam para Fábio Assunção, Diogo Vilela, e Edson Celullari." ...eu tava lendo isso dentro do bus e passei mal de rir, neguinho até ficou olhando pra mim, hauahuhauhauha...

    Que venham novas resenhas de discos no blog, mano!

    ResponderExcluir
  4. Doctor Robert, tu sabes que meus comentários são meio ácidos, esse coralzão da Globo me deu vontade de vomitar no dia que assisti. Eu estava gravando em VHS e fiquei pensando se parava a fita ou deixava. Bom, o Roberto voltou no final da música, ainda bem que eu não parei. Abraços.

    ResponderExcluir
  5. Amigos,

    eu gosto muito desse disco, mais até que o de 1991. Como já disse várias vezes, o som, embora programado nunca me incomodou! Gosto dele por ter muitas canções românticas e também a voz do Robertão tá impecável! Interpretações ímpares! Esse foi o disco que primeiro comprei no dia em que saiu, 09/12 e juntei esse dinheiro desde agosto pra garantir que teria! Que sonho realizado, que saudade dessa época, de gestos assim como ir à loja às 7 horas da manhã me sentindo na disney ao chegar naquela loja enfeitada com capas do novo trabalho de sua majestade!
    Gosto de todas as canções! Veja por exemplo Mulher pequena tem uma levada que as outras não tem! Você como vai, de início pensei que era uma mensagem de paz, mas depois fui ver a letra e que letra! Dito e feito foi tema de novela, mas eu gostava mais de Eu preciso desse amor! Embora Una en un millón tenha sido gravado antes, ela possui um grandioso arranjo, a meu ver e a aprecio bastante por isso! E o Roberto interpretando Dizem que um homem não deve chorar? Demais, o grande intérprete desse país poderia ter gravado outros grandes nomes da nossa música!

    Blog Música do Brasil
    www.everaldofarias.blogspot.com

    Um forte abraço a todos!

    ResponderExcluir
  6. Eu penso a mesma coisa Everaldo. Depois de 1990, a carreira discográfica do Roberto foi bem aquela coisa que a cada ano ele estava melhor, Cantando, seleção de repertório, compondo, shows e especiais da TV. Não sei se já comentei aqui, engraçado que lá se vão 22 anos e a gente encontra coisas nas entrelinhas ainda. Esse é um disco que fala 80% de dor, mas espantosamente, é um (falar de dor) que não derruba a gente, um disco pra cima, bom astral. Mesmo a dor declarada (...pois desse jeito, perdi você), ou (... quem sabe os melhores momentos da minha vida) nessa então o personagem ainda sonha com uma possível volta e usa o termo (quem sabe) ou seja, nem ele sabe se foram ou não os melhores momentos da vida. É nesse ponto que eu quero chegar: 80% falando de dor, mas com canções tão bem trabalhadas, arranjos, realmente houve muito suor para esse disco sair assim.
    Grande Abraço

    ResponderExcluir