segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O disco de 1984


Coração (Roberto Carlos - Erasmo Carlos - John Hartford )
Eu e ela (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Aleluia (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Lua Nova (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Cartas de Amor(Edward Helman/Victor Young) versão: Lourival Faissal
Caminhoneiro (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Eu te amo (And I love her)  (Lennon/McCartney) versão: Roberto Carlos
Sabores (Mauro Motta/Cláudio Rabello)
As mesmas coisas (Mauricio Duboc/Carlos Colla)


01. Coração (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjos: Lincoln Olivetti (base)
         Charles Calello (cordas e metais)
Roberto e Erasmo falam aqui da semelhança das histórias de amor, todas são iguais, porém se transformam em letra de música, de amor ou de dor. A canção fala da visão do compositor, do que é ser compositor. Na realidade, tudo leva e motiva o compositor a escrever. A felicidade, sofrimento, expectativa, saudade, são alguns exemplos. Nem sempre o compositor passou por aquilo que escreve, ele pode se basear na história de um amigo, de uma pessoa próxima ou imaginar uma situação. Mas o importante é quando o compositor acredita naquilo que está dizendo. E o nosso rei já disse isso em entrevista a Sérgio Chapelin no Globo Repórter em homenagem aos 50 anos de carreira de Roberto, ele só canta as coisas em que acredita.

02. Eu e ela (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Arranjo: Lincoln Olivetti
Música que foi revisitada em 88 no primeiro disco ao vivo de Roberto. Esteve presente no especial de 2008 com Neguinho da Beija Flor. Uma música que traduz o amor atual, que está sendo vivido (Um grande amor começa agora... /O amor não escolhe a hora/pega a gente deixa assim...). As músicas da década de 80 do Roberto tem uma sonoridade única, bem diferente da sonoridade rústica dos anos 70 e antes da tecladeira dos anos 90. É o equilíbrio perfeito entre tecnologia e instrumentos como bateria acústica, violões, etc... O solo de sax alto é de Leo Gandelman.

03. Aleluia (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo: Eduardo Lages (base)
         Charles Calello (cordas e metais)
Nos discos do rei, sempre esteve presente uma mensagem religiosa. Na década de 70, Jesus Cristo, Todos estão surdos, A montanha, são alguns belos exemplos. Aleluia fala da presença de Deus em tudo o que existe. O sol que aquece, o vento que assanha as águas do oceano, horizonte colorido, etc. Um diferencial, a originalidade de Roberto e Erasmo nas letras religiosas é que suas letras são mensagens, não se fixam em uma religião especifica. Roberto já externou bastante o seu lado católico, hoje ele se define como cristão.



04. Lua Nova (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos: Chiquinho de Moraes (base)
         Artie Butler (cordas e metais)
Uma das canções deste álbum que eu sempre gostei. A lua aqui é confidente e agüenta as perguntas, os questionamentos da pessoa que está em busca da pessoa amada. Se ela está do outro lado da cidade, o vestido azul, zona sul, (eu preciso crer que o amor que ela me deu, ainda é meu...) Ter andado pelas ruas da cidade procurando... Quantas vezes já não vivenciamos uma situação desse  tipo? Destaquemos aqui a versatilidade de Roberto, ele sempre cantou, tudo o que uma pessoa já viveu em matéria de amor. Com alguma das canções do rei a pessoa se identifica.

05. Cartas de Amor (Edward Helman/Victor Young) versão: Lourival Faissal
Arranjo e Regência: Artie Butler
Música com uma atmosfera sofisticada, do tipo: deixa que eu abra uma garrafa de vinho e deixa o resto comigo. Porém a letra fala sobre um diálogo pode ser por telefone ou pensamento que no dia anterior houve uma releitura das cartas que escreveu. Canção bela que é quaaaaaaase um jazz.

06. Caminhoneiro (John Hartford / Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Arranjo e regência: Charles Calello
O carro chefe do disco, muito executada nas rádios. Reza a lenda que a CBS (atual Sony Music) montou um esquema monstro para que a música fosse entregue nas rádios ao mesmo tempo na ocasião do seu lançamento. Roberto e Erasmo falam aqui do caminhoneiro, que pega a estrada, quase sempre de madrugada e pensa na amada, viaja em pensamentos, que pensa nela no caminho, etc. Música revisitada em alguns especiais de fim de ano. Segundo Paulo César de Araújo em seu livro, Roberto Carlos em detalhes: “No dia do seu lançamento nacional, dia 19 de novembro de 1984, no período das 7 às 19 horas, Caminhoneiro bateu um recorde: foi executada 3287 vezes em todo  o Brasil”.


07. Eu te amo (And I love her) (Lennon/McCartney) versão: Roberto Carlos
Arranjo e regência: Chiquinho de Moraes
Beatles na voz de Roberto Carlos, voz suave, uma releitura bem sofisticada de Roberto. O solo de guitarra (bem jazzístico por sinal) é de Zé Carlos. Bem diferente do bolerão açougueiro na gravação de Zezé di Camargo e Luciano anos depois. 

08. Sabores (Mauro Motta/Cláudio Rabello)
Arranjo e regência: Lincoln Olivetti
As frases dessa letra é tudo aquilo o que pensamos em falar para a pessoa amada e muitas vezes simplesmente não sai pela boca. As vezes não sabemos falar bonito, cada dia mais somos fãs da pessoa amada. Atenção para os 3 minutos e 30 segundos em que as cordas literalmente costuram a seqüência de  notas. Simplesmente maravilhoso. Não se faz mais música assim atualmente.

09. As mesmas coisas (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Arranjo e regência: Eduardo Lages
Essa música  destaca a diferença  entre o hoje e o ontem. Ontem fomos importantes para a outra pessoa, hoje já não somos nada. Marcante presença de teclados. A tecladeira aqui come solta.




Esse disco tem uma sonoridade superior a qualquer um gravado por outro artista brasileiro naquela época de meio dos anos 80. Os discos de Roberto sempre estiveram à frente do seu tempo. A produção é de Mauro Motta. Gravado nos estúdios Sigla – Brasil e A & M Records em Los Angeles. Mixado  no estúdio Sigma Sound – Nova York. Fotos de Luiz Garrido. Detalhe que as fotos, trazem um Roberto de cabelo mais grisalho, camisa e calça jeans. Essa seria talvez a última capa que mostrava o Roberto com o cabelo mais curto. Do disco seguinte, 1985, Verde e Amarelo, Roberto já voltaria a usar o cabelo um pouco mais comprido. Até chegar no penteado metal em 1989.
O especial de fim de ano da Globo foi um dos que eu mais gostei, porém, muitos anos sem assistir, me esqueci. Graças a internet e minha eterna mania de ir fuçando em tudo o que é link acabei conseguindo rever o especial. No especial tem as participações de Erasmo, Simony, Blitz, que especial senhoras e senhores. No site http://robertocarlosvideos.blogspot.com/search/label/1984 é possível assistir on line ao especial. As canções do Roberto, os arranjos me levam de volta à casa em que eu morava, o especial eu assisti com a minha mãe, eu colocando o disco no toca discos por várias vezes.
Velhos tempos, belos dias, eu tinha apenas 10 anos.

Na minha vida esse disco chegou em casa junto com um do Julio Iglesias, o 1100 Bel Air Place. Meu pai tinha ganhado os dois Lps de  amigo secreto no serviço se  não me engano. Estou com planos de falar de disco do Julio no blog do Baratta.

10 comentários:

  1. Primeiro disco do Roberto da minha coleção (em breve ele será citado num post do rockngeral), antes ouvia os de uma tia. Ele foi comprado numa viagem a São Paulo, mais exatamente à Aparecida do Norte e originalmente pertencia à minha mãe, mas o tempo e a história provaram que o disco deveria ser meu, o que se deu quando minha mãe apagou o nome dela da capa e escreveu o meu no lugar (na época a gente tinha o hábito de colocar o nome do dono no disco da capa).

    Lado A (vou seguir a exposição do vinil, ok?)

    01. Coração - Bicho, eu tenho uma interpretação meio louca dessa música, para mim ela é uma canção protesto do Roberto aos moldes de Querem Acabar Comigo em resposta aos críticos que já o acusavam de não mudar, uma resposta em tom de autocrítica "mea culpa" onde ele canta "Com o coração na voz e o grito mais feroz eu canto a mesma dor de outros corações assim que sofrem iguais a mim do mesmo mal de amor" ou ainda "as estórias todas são iguais eu apenas faço delas mais uma canção de amor ou de dor" com uma provocação maior ainda embutida na rima "amor" e "dor" usada e condenada tantas vezes antes na história da música brasileira. Embora ele mesmo já tivesse afirmado antes: "Não vou mudar, esse caso não tem solução", Roberto seguia mudando, ainda que em doses leves. No final ele arrematava repetindo: "Coração, coração, canta coração" confirmando a idéia muito bem lembrada por ti no início do post de que ele só canta o que sente, talvez por isso mesmo ele seja o intérprete mais convincente que já existiu. Grande momento da discografia dele, emocionante quando ele incluiu o refrão no fim do show da turnê que resultou no disco Ao Vivo no Pacaembu.

    02. Eu e Ela - Outra que gosto muito, curti muito na época e depois no disco ao vivo de 88. Quando Neguinho da Beija-flor a relembrou no especial de 2008 também foi outro momento bacana.

    03. Aleluia - Das mensagens religiosas eu acho Aleluia uma das mais belas, bem no estilo Gospel (de verdade) americano com aquele coral phodástico no refrão. Belo trabalho de Eduardo Lages e Charles Calello nos arranjos.

    04. Lua Nova - Também curto bastante, de vez em quando a dedilho no violão, simplesinha,mas bonitinha.

    05. Cartas de Amor - Pô, bicho, essa não é
    quaaaaaase um jazz. É um Jazzão mesmo com "J" maiúsculo, hehe. Das minhas prediletas no disco. Depois do disco cantando Tom Jobim ao lado do Caetano Veloso, o Roberto bem que poderia gravar um disco com standards do jazz com o Paul acaba de fazer, até porque ele está bem mais próximo dessa onda que o Paul. Ele até já compôs indo um pouco pra essa praia, canções como "Perdoa", "Quando Digo Que Te Amo" ou ainda "O Show Já Terminou" que era intencionalmente para o Tony Bennet, um dos masters do jazz. Música sob medida para a voz do Rei!

    ...continua...

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    1. BOA TARDE. Sobre o Disco, gosto demais da faixa 02 - EU E ELA Que foi cantada no disco AO VIVAÇO. Super ao Vivo.
      Recebi informações que essa musica ganhou clipe no FANTÁSTICO, e depois ele cantou essa música no GLOBO DE OURO. Um dia aparecerá se Deus Quiser ele no GLOBO DE OURO nessa música. Tenho Fé

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  2. ...continuando...


    Lado B

    01. Caminhoneiro - Roberto fez propositalmente uma música "brega", embora alguns insistam em taxar assim a quase totalidade de seu repertório, o que nunca foi verdade, mas ah que bom que o mundo seria se toda música dita brega tivesse essa qualidade! Sem deixar de lembrar do solo de gaita perfeito. Caminhoneiro acabou envolvendo Roberto e Erasmo num processo de plágio movido pelo compositor John Hartford autor da música Gentle On My Mind gravado por Elvis Presley, canção realmente muito parecida com a composição da dupla dinâmica e hoje o nome de John Hartford vem creditado nos discos. Por ter sido gravada por Elvis, ídolo de ambos os compositores e ter feito sucesso, acredito que eles conheciam a música e acho que até deva ter sido o caso de plágio involuntário, quando a música fica no subconsciente do compositor reaparecendo num momento de composição e aí o compositor só vai notar mesmo a semelhança quando alguém lhe fala ou quando um advogado bate à sua porta.

    02. Eu Te Amo - Puxa, eu lembro como achava legal aqueles nomes juntos nos créditos: John Lennon, Paul McCartney e Roberto Carlos. Detalhe: na época com seis anos eu conheci a música primeiro com o Rei, só depois de algum tempo é que fui ouvir o original dos Beatles.

    03. Sabores - O refrão dessa música proporciona aquela "soltada de voz" do Roberto que citei no comentário sobre o disco de 92 na música "Você Como Vai?". Gosto muito da melodia.

    04. As Mesmas Coisas - Aqui o caso já é novamente o contrário da empostação de voz da música anterior, Roberto cantando mais contido, sussurrando baixinho, característica também marcante de várias de suas interpretações.

    Disco super bem lembrado por você aqui e se te conheço posso imaginar que vai repassar a discografia completa, né? Hehe...aguardando (esfregando as mãos)

    P.S.: O visual do Robertão na contracapa foi (ainda é um pouco) minha referência mor de vestuário durante um bom tempo, tênis branco (já não se encontram tênis brancos bacanas como antigamente), calça jeans apertadas (até onde os quilos a mais ainda permitem), camisa jeans e relógio no braço direito (não uso faz tempo, mas enquanto usei tinha que ser no braço direito!).

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  3. Grande irmão Robert. Belíssimo comentário. Confesso que fui listando umas coisas aqui que você comentou então recomentarei. Realmente parecidíssima a Caminhoneiro com Gentle of My Mind, porém nela não há refrão. É só a linha de estrofe. Jazz o Roberto faz e faz bem. Interessante que ontem 25/01 rolou a feira de vinil aqui em Sampa, não resisti e voltei com mais uma edição do disco de 1981. Nunca vi sonoridade igual a daquele disco em disco algum. O visual do Roberto sempre foi referência para mim, mas ultimamente, de uns anos para cá ando tão largado que só quero saber de tênis, bermuda e camiseta de banda. Roberto nas fotos desse disco está de jeans e todo mundo sabe de sua preferência pelo azul e branco. Ele disse em uma entrevista para a revista Caras, não tenho a revista aqui agora, mas hoje ainda comento aqui.

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  4. 81 é phoda mesmo! Sonzaço! Seria esse o tema do próximo post sobre discos? Hehe

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  5. cara se você ver as coisas que eu voltei, bom, peguei lá um compacto que eu só conhecia pela internet que vai pro álbum da minha coleção particular a hora que eu comprar uma câmera decente. Mas o próximo post de discos você me lembrou bem agora. Já está no gatilho.

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  6. Parabéns Baratta,sabores é demais mesmo,o disco de 84 é um dos mais perfeito em escolha de repertório e interpretação do nosso Rei,e você sempre emocionando nos textos,demais continue assim,cê vai longe manow.

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  7. Poxa Toinho, obrigado cara, realmente o disco de 84 é especialíssimo e obrigatório, não apenas paras os fãs do Roberto. Ele tem um alcance que mesmo quem não é seu fã conhece pelo menos o refrão de muitas de suas músicas.

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  8. Cara,

    considero esse disco a gênese da minha ligação a RC! Meu pai era caminhoneiro e tinha esse disco, daí eu, com apenas 4 anos cantava essa canção e sabia a letra toda! Sua sonoridade é superior a todos os outros discos anteriores, a meu ver!
    Na época eu pensava que o disco vinha com 9 músicas (sempre impliquei com isso, pois julgava o mínimo de 10) porque a canção Caminhoneiro era muito grande! Anos depois, Marlos explicou que não tinha nada a ver! E depois descobri que Símbolo sexual foi feita para esse trabalho, mas não ficou "boa" a tempo suficiente de ser lançada!
    Aleluia é uma mensagem belíssima que une religião e ecologia, tudo que nos leva ao Pai e queria que ele voltasse com ela aos especiais e turnês, pois achei o máximo a releitura feita para o Criança esperança de 1997! Lua nova e Sabores, assim como Cartas de amor, podem dar uma boa trilha de novela! Aqui, o rei canta bem suave em muitas faixas, lembrando suas influências João Gilberto! Na capa, assim como alguns discos posteriores, havia os créditos de todos os profissionais envolvidos e penso que deveria ser sempre assim, pois até hoje temos dúvidas sobre quem fez tal arranjo ou tal solo em alguns anos!

    Blog Música do Brasil
    www.everaldofarias.blogspsot.com

    Um forte abraço a todos!

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  9. Grande Everaldo, obrigado pela visita e comentário. Esse disco está sim com uma sonoridade ímpar em relação aos anteriores, mas pra mim, só perde para o disco de 1981, aquilo é uma obra prima, Ô disco lindo! Mas esse eu acho que contei a história na postagem, meu pai ganhou de amigo secreto, todas as canções desse disco são maravilhosas. Eu só não entendo porque Caminhoneiro foi parar justamente na faixa um do lado B, como já estava praticamente certo que ela seria a canção (carro-chefe) porque ela não veio logo na faixa 1 do Lado A? Não sei se ou o único, mas eu por exemplo, acabo mentalizando um disco (como é o caso desse) Lado A fica sendo o do Caminhoneiro e lado B o que começa com Coração.
    Abraço mano

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