segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O disco de 1977



01-Amigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Al Capps
De Roberto para Erasmo. Aqui a justiça foi feita com Erasmo ganhando uma canção a sua altura. O  vídeo no You Tube mostra a cara do Erasmo ao saber da canção. Claro que rolou uma emoção naquela hora, mas Erasmo narra em seu livro como conheceu a canção de outra maneira. Arranjo assinado por Al Capps. Canção que foi cantada para o Papa João Paulo II em uma de suas viagens. Não sabendo e não conhecendo a letra, o Papa pediu a letra e leu enquanto as crianças a cantavam.

02-Nosso Amor (Mauro Motta/ Eduardo Ribeiro)
Arranjo: Jimmy Wisner
 A bateria chama o resto da banda. Uma característica que vai ser ouvida muito nesse disco é a presença das guitarras fazendo frases marcantes, além do piano que também passeia pela música preechendo-a em todos os aspectos. Antes do verso (Mas sou feliz assim, porque um dia eu pude me entregar...), um recurso da banda é usado, deixando bem claro, que quando se trata de Roberto Carlos a dinâmica é algo primordial.

03-Falando Sério (Maurício Duboc / Carlos Colla)
Arranjo: Ben Lanzarone
Particularmente comecei a prestar atenção no baixo nesse disco. A canção com arranjos de Ben Lanzarone, traz no início um violão (acredito que seja com cordas de aço microfonado) e o baixo de forma espetacular fazendo como se fossem pontes de ligação entre um acorde e outro. A letra segue o padrão de letras de RC.

04-Muito Romântico-(Caetano Veloso)
 Arranjo de Al Capps
É a vez que os metais executam com maestria suas frases. Coisa que nenhum teclado chegaria perto, pelo menos não com a mesma precisão. Metais de verdade. Não se cogitava os sintetizadores em 1977. Os discos eram gravados com instrumentos de verdade, bateria acústica, violino de verdade. Os tempos eram outros. Além do baixo espetacular, a voz do Roberto tem um alcance invejável, a maneira como ele interpreta a canção. E ainda tem o grito no final ow de Roberto.

05-Solamente una vez- (Augustin Lara)
Arranjo:  Jimmy Wisner
Uma música calma, do tipo pra ascender uma lareira e ficar com sua namorada na boa. Com um brilhante solo de violão, a música é mais uma prova da dinâmica nos discos do rei.

06-Ternura (Somehow It Got To Be Tomorow) (Today) – (E.Levitt /K.Karen /Rossini Pinto)
Arranjo: Jimmy Wisner
Pelo o que eu entendi é uma música em inglês versionada para o português. Mas eu nunca ouvi a original. Alguém tem mais informações sobre ela? No disco Duetos ela é revisitada com Wanderléa, vídeo e áudio extraído do especial da Rede Globo de 1990.

07-Cavalgada  (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
 Arranjo de Jimmy Wisner
O piano com um certo eco introduz a música e aqui há um certo Delay na guitarra. Infelizmente a versão em cd que eu tenho ainda soa como um vinil de 77. Melhoram o som dos instrumentos mas o conjunto todo da obra ainda soa incompatível com a era digital. Mas falando da música, é impressionante como frases e versos são compostos. Erasmo já chegou a comentar em entrevista que ao final da música composta eles brincavam no verso (... Estrelas mudam de lugar, chegam mais perto só para ver...) como se as estrelas falassem umas para as outras: Ih, olha lá, agora ...  Em tempos de militarismo, posso imaginar o que foi falado sobre essa letra. No especial de 88, ele a canta em Atlantic City com o estupendo arranjo de Eduardo Lages. Arranjo que presenciei nos shows do Pacaembu e no Ginásio do Ibirapuera.

08-Não se esqueça de mim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo:  Jimmy Wisner
Bela letra, bela melodia e belo piano senhoras e senhores. Apesar de que quando mixado ficou com volume meio baixo, mas o piano é de cair o queixo, na música toda.

09-Jovens Tardes de Domingo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo:  Al Capps
Música que fala da Jovem Guarda e da saudade daquele tempo. Em entrevista ao Globo Repórter que abordava os tempos do Iê, Iê, Iê, Roberto Carlos fala que tudo tem o seu tempo certo, assim a Jovem Guarda teve o seu tempo certo. Queria ter meus vinte anos nessa época, não sei porque vim pra cá em 74.... Mas enfim...

10-Pra Ser Só Minha Mulher- (Ronnie Von/ Tony Osanah)
Arranjo: Al Capps
A música tem uma estraordinária dinâmica (sobe e desce de intensidade- coisa que não se controla da mesa de som) é preciso técnica do músico. Sobre essa música me pergunto: Como uma música do Ronnie foi parar num disco do rei? Existiu mesmo a tal rivalidade? Nessa música o time de metais, baixo e bateria estão formidáveis.

11-Outra Vez (Isolda)
Arranjos: Al Capps
A música de Isolda voltou a ser notícia nesses últimos tempos na internet. Mas creio que totalmente fora de contexto. Em alguns sites consta que dias antes do show de Jerusalém foi falado que Roberto estava em um jantar nos anos 70 em Los Angeles e que a frase foi dita por Frank Sinatra sobre seu amor por Ava Gardner. Sinatra teria dito “Foi o melhor dos meus erros, e o maior dos enganos” e que teria usado essas palavras na canção. Mas Isolda compôs e a música entrou no disco de 1977. O encontro de Sinatra e o rei teria sido em 1981. E a canção é de Isolda. Mas a letra tem a mesma temática de Você em Minha Vida de 1976.

12-Sinto Muito Minha Amiga (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Jimmy Wisner
Uma música que segue o mesmo estilo das demais do disco e onde todos os músicos de estúdio trabalham muito bem e a voz do Roberto como sempre está impecável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É um disco obrigatório para quem é fã do rei. Falando de design, a capa do álbum é simples, diferente das capas álbum que abrem que o Roberto estava fazendo desde 1975. Na edição em vinil vinha o encarte aquele famoso com a capa e abrindo o encarte vinha aquela foto dele segurando o cachimbo na frente de uma parede de tijolos. Uma terceira foto com o rosto dele iluminado com o fundo preto foi vetada. As fotos são de Darcy Trigo. A contra capa era preta e com as letras em amarelo. Segundo a ficha técnica ele foi gravado em Nova York e Los Angeles. A edição em cd é um relaxo. Não foi masterizada como deveria, ocultaram a foto do encarte, para compensar traz as letras. Mas todos os discos do Roberto editados em cd perderam suas contracapas e as fotos de dentro dos álbuns. No caso se alguém souber como vieram esse e outros cds da década de 70 na caixa de 70, por favor falem aqui. Ainda não sobrou grana para comprar a caixa, rs. Ainda...

5 comentários:

  1. Essa capa é meio acidental, parece que o Roberto não teria gostado da primeira capa que foi feita por causa da foto. A capa seria dupla e como já tinha sido prensada, acabaram aproveitando essa foto do encarte que ao que parece seria a capa original como um encarte solto (repare que o contraste no tom dessa foto é meio "estranho" e também o fato dela estar ligada à outra parte na vertical e não pela lateral, o que seria o normal, sendo que pelas suas medidas também ela parece ter sido cortada). Isto é bem provável já que desde 1975 até os últimos dias do vinil ele manteve a capa dupla na discografia brasileira, com exceção do "Inolvidables", aquele disco especial em espanhol que ele lançou em 1993. Também é estranho a ausência de foto na contracapa. Esse encarte inclusive não estava presente nas reedições, só fui conhecê-lo bem depois, acabei comprando-o separado do disco (que eu já tinha) por em vendedor de rua. Ela acabou sendo uma das minhas capas prediletas da discografia dele, assim como a de 1970 que também mostra o Roberto com o microfone em ação contra o efeito da luz.

    Quanto à música é impressionante: pode se dizer que dez das doze faixas se tornaram hit.Só pérolas! Arranjos de primeira, composições inspiradas e diferenciadas da dupla dinâmica e dos seus colabores mais regulares e ainda a escolha de dois clássicos para serem regravados que caíram muito bem na voz do Rei. Entre as minhas favoritas: Nosso Amor, Muito Romântico, Não Se Esqueça de Mim e Pra Ser Só minha Mulher.

    Você disse que nesse disco que você passou a reparar nos baixos, no meu caso foi a partir desse disco que comecei a reparar mais nas baterias dos discos do Roberto pelo fato ouvir o Rei quase sempre em vinil eu não tinha hábito de escutá-lo com fones de ouvido, um novo mundo na sonoridade dos discos dele se revelou para mim quando ouvi esse disco com fones de ouvido pela primeira vez.

    Em tempo: acho que já ouvi uma versão de Ternura em inglês, não sei se era a original. Quanto ao som dos cd´s não posso ajudar porque só tenho esse disco em vinil, uma edição dos anos 90 e uma do original de 77 que consegui bem depois.

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  2. Tem também o disco de 1981 em inglês que saiu em capa simples. Realmente, todo disco ouvido com fones de ouvido se torna outro disco. A separação dos instrumentos, a voz quando faz overdubing. Eu sempre digo que existe um padrão RC de qualidade e esse disco prova minha teoria.

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  3. Bem lembrando o disco em inglês com a capa simples também, provavelmente opção da gravadora em economizar já que ambos foram lançados no meio do ano e não esperassem a mesma vendagem dos discos de fim de ano.

    Abraço mano! God Save The King!

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  4. Ei, vcs ja ouviram a versão do Ronnie Von de "Pra ser só minha mulher"?
    É completamente diferente, mais lenta e tão dramática na interpretação que chega, em alguns momentos, beirar a breguice. Mas a versão do RC é imbatível, introduziram um arranjo mais rápido e dançante, bem aos moldes da febre "disco" que despontava na época.
    Roberto Carlos, malandro, aproveitou essa onda e mandou muito bem.
    Na minha opinião é a melhor faixa do disco.

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  5. Opa Jean, em primeiro lugar obrigado pela sua visita e comentário. Fico muito feliz quando chega email dizendo que chegou comentário aqui no blog. Então rapaz, a versão do Ronnie eu particularmente não conheço. Adoro essa faixa também mano, abraços e valeu pela visita e comentário.

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