segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O disco de 1977



01-Amigo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Al Capps
De Roberto para Erasmo. Aqui a justiça foi feita com Erasmo ganhando uma canção a sua altura. O  vídeo no You Tube mostra a cara do Erasmo ao saber da canção. Claro que rolou uma emoção naquela hora, mas Erasmo narra em seu livro como conheceu a canção de outra maneira. Arranjo assinado por Al Capps. Canção que foi cantada para o Papa João Paulo II em uma de suas viagens. Não sabendo e não conhecendo a letra, o Papa pediu a letra e leu enquanto as crianças a cantavam.

02-Nosso Amor (Mauro Motta/ Eduardo Ribeiro)
Arranjo: Jimmy Wisner
 A bateria chama o resto da banda. Uma característica que vai ser ouvida muito nesse disco é a presença das guitarras fazendo frases marcantes, além do piano que também passeia pela música preechendo-a em todos os aspectos. Antes do verso (Mas sou feliz assim, porque um dia eu pude me entregar...), um recurso da banda é usado, deixando bem claro, que quando se trata de Roberto Carlos a dinâmica é algo primordial.

03-Falando Sério (Maurício Duboc / Carlos Colla)
Arranjo: Ben Lanzarone
Particularmente comecei a prestar atenção no baixo nesse disco. A canção com arranjos de Ben Lanzarone, traz no início um violão (acredito que seja com cordas de aço microfonado) e o baixo de forma espetacular fazendo como se fossem pontes de ligação entre um acorde e outro. A letra segue o padrão de letras de RC.

04-Muito Romântico-(Caetano Veloso)
 Arranjo de Al Capps
É a vez que os metais executam com maestria suas frases. Coisa que nenhum teclado chegaria perto, pelo menos não com a mesma precisão. Metais de verdade. Não se cogitava os sintetizadores em 1977. Os discos eram gravados com instrumentos de verdade, bateria acústica, violino de verdade. Os tempos eram outros. Além do baixo espetacular, a voz do Roberto tem um alcance invejável, a maneira como ele interpreta a canção. E ainda tem o grito no final ow de Roberto.

05-Solamente una vez- (Augustin Lara)
Arranjo:  Jimmy Wisner
Uma música calma, do tipo pra ascender uma lareira e ficar com sua namorada na boa. Com um brilhante solo de violão, a música é mais uma prova da dinâmica nos discos do rei.

06-Ternura (Somehow It Got To Be Tomorow) (Today) – (E.Levitt /K.Karen /Rossini Pinto)
Arranjo: Jimmy Wisner
Pelo o que eu entendi é uma música em inglês versionada para o português. Mas eu nunca ouvi a original. Alguém tem mais informações sobre ela? No disco Duetos ela é revisitada com Wanderléa, vídeo e áudio extraído do especial da Rede Globo de 1990.

07-Cavalgada  (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
 Arranjo de Jimmy Wisner
O piano com um certo eco introduz a música e aqui há um certo Delay na guitarra. Infelizmente a versão em cd que eu tenho ainda soa como um vinil de 77. Melhoram o som dos instrumentos mas o conjunto todo da obra ainda soa incompatível com a era digital. Mas falando da música, é impressionante como frases e versos são compostos. Erasmo já chegou a comentar em entrevista que ao final da música composta eles brincavam no verso (... Estrelas mudam de lugar, chegam mais perto só para ver...) como se as estrelas falassem umas para as outras: Ih, olha lá, agora ...  Em tempos de militarismo, posso imaginar o que foi falado sobre essa letra. No especial de 88, ele a canta em Atlantic City com o estupendo arranjo de Eduardo Lages. Arranjo que presenciei nos shows do Pacaembu e no Ginásio do Ibirapuera.

08-Não se esqueça de mim (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo:  Jimmy Wisner
Bela letra, bela melodia e belo piano senhoras e senhores. Apesar de que quando mixado ficou com volume meio baixo, mas o piano é de cair o queixo, na música toda.

09-Jovens Tardes de Domingo (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo:  Al Capps
Música que fala da Jovem Guarda e da saudade daquele tempo. Em entrevista ao Globo Repórter que abordava os tempos do Iê, Iê, Iê, Roberto Carlos fala que tudo tem o seu tempo certo, assim a Jovem Guarda teve o seu tempo certo. Queria ter meus vinte anos nessa época, não sei porque vim pra cá em 74.... Mas enfim...

10-Pra Ser Só Minha Mulher- (Ronnie Von/ Tony Osanah)
Arranjo: Al Capps
A música tem uma estraordinária dinâmica (sobe e desce de intensidade- coisa que não se controla da mesa de som) é preciso técnica do músico. Sobre essa música me pergunto: Como uma música do Ronnie foi parar num disco do rei? Existiu mesmo a tal rivalidade? Nessa música o time de metais, baixo e bateria estão formidáveis.

11-Outra Vez (Isolda)
Arranjos: Al Capps
A música de Isolda voltou a ser notícia nesses últimos tempos na internet. Mas creio que totalmente fora de contexto. Em alguns sites consta que dias antes do show de Jerusalém foi falado que Roberto estava em um jantar nos anos 70 em Los Angeles e que a frase foi dita por Frank Sinatra sobre seu amor por Ava Gardner. Sinatra teria dito “Foi o melhor dos meus erros, e o maior dos enganos” e que teria usado essas palavras na canção. Mas Isolda compôs e a música entrou no disco de 1977. O encontro de Sinatra e o rei teria sido em 1981. E a canção é de Isolda. Mas a letra tem a mesma temática de Você em Minha Vida de 1976.

12-Sinto Muito Minha Amiga (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Jimmy Wisner
Uma música que segue o mesmo estilo das demais do disco e onde todos os músicos de estúdio trabalham muito bem e a voz do Roberto como sempre está impecável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É um disco obrigatório para quem é fã do rei. Falando de design, a capa do álbum é simples, diferente das capas álbum que abrem que o Roberto estava fazendo desde 1975. Na edição em vinil vinha o encarte aquele famoso com a capa e abrindo o encarte vinha aquela foto dele segurando o cachimbo na frente de uma parede de tijolos. Uma terceira foto com o rosto dele iluminado com o fundo preto foi vetada. As fotos são de Darcy Trigo. A contra capa era preta e com as letras em amarelo. Segundo a ficha técnica ele foi gravado em Nova York e Los Angeles. A edição em cd é um relaxo. Não foi masterizada como deveria, ocultaram a foto do encarte, para compensar traz as letras. Mas todos os discos do Roberto editados em cd perderam suas contracapas e as fotos de dentro dos álbuns. No caso se alguém souber como vieram esse e outros cds da década de 70 na caixa de 70, por favor falem aqui. Ainda não sobrou grana para comprar a caixa, rs. Ainda...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Roberto Carlos - Dime unas cosas bonitas

O disco de 1984


Coração (Roberto Carlos - Erasmo Carlos - John Hartford )
Eu e ela (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Aleluia (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Lua Nova (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Cartas de Amor(Edward Helman/Victor Young) versão: Lourival Faissal
Caminhoneiro (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Eu te amo (And I love her)  (Lennon/McCartney) versão: Roberto Carlos
Sabores (Mauro Motta/Cláudio Rabello)
As mesmas coisas (Mauricio Duboc/Carlos Colla)


01. Coração (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjos: Lincoln Olivetti (base)
         Charles Calello (cordas e metais)
Roberto e Erasmo falam aqui da semelhança das histórias de amor, todas são iguais, porém se transformam em letra de música, de amor ou de dor. A canção fala da visão do compositor, do que é ser compositor. Na realidade, tudo leva e motiva o compositor a escrever. A felicidade, sofrimento, expectativa, saudade, são alguns exemplos. Nem sempre o compositor passou por aquilo que escreve, ele pode se basear na história de um amigo, de uma pessoa próxima ou imaginar uma situação. Mas o importante é quando o compositor acredita naquilo que está dizendo. E o nosso rei já disse isso em entrevista a Sérgio Chapelin no Globo Repórter em homenagem aos 50 anos de carreira de Roberto, ele só canta as coisas em que acredita.

02. Eu e ela (Mauro Motta/Robson Jorge/Lincoln Olivetti)
Arranjo: Lincoln Olivetti
Música que foi revisitada em 88 no primeiro disco ao vivo de Roberto. Esteve presente no especial de 2008 com Neguinho da Beija Flor. Uma música que traduz o amor atual, que está sendo vivido (Um grande amor começa agora... /O amor não escolhe a hora/pega a gente deixa assim...). As músicas da década de 80 do Roberto tem uma sonoridade única, bem diferente da sonoridade rústica dos anos 70 e antes da tecladeira dos anos 90. É o equilíbrio perfeito entre tecnologia e instrumentos como bateria acústica, violões, etc... O solo de sax alto é de Leo Gandelman.

03. Aleluia (Roberto Carlos e Erasmo Carlos)
Arranjo: Eduardo Lages (base)
         Charles Calello (cordas e metais)
Nos discos do rei, sempre esteve presente uma mensagem religiosa. Na década de 70, Jesus Cristo, Todos estão surdos, A montanha, são alguns belos exemplos. Aleluia fala da presença de Deus em tudo o que existe. O sol que aquece, o vento que assanha as águas do oceano, horizonte colorido, etc. Um diferencial, a originalidade de Roberto e Erasmo nas letras religiosas é que suas letras são mensagens, não se fixam em uma religião especifica. Roberto já externou bastante o seu lado católico, hoje ele se define como cristão.



04. Lua Nova (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjos: Chiquinho de Moraes (base)
         Artie Butler (cordas e metais)
Uma das canções deste álbum que eu sempre gostei. A lua aqui é confidente e agüenta as perguntas, os questionamentos da pessoa que está em busca da pessoa amada. Se ela está do outro lado da cidade, o vestido azul, zona sul, (eu preciso crer que o amor que ela me deu, ainda é meu...) Ter andado pelas ruas da cidade procurando... Quantas vezes já não vivenciamos uma situação desse  tipo? Destaquemos aqui a versatilidade de Roberto, ele sempre cantou, tudo o que uma pessoa já viveu em matéria de amor. Com alguma das canções do rei a pessoa se identifica.

05. Cartas de Amor (Edward Helman/Victor Young) versão: Lourival Faissal
Arranjo e Regência: Artie Butler
Música com uma atmosfera sofisticada, do tipo: deixa que eu abra uma garrafa de vinho e deixa o resto comigo. Porém a letra fala sobre um diálogo pode ser por telefone ou pensamento que no dia anterior houve uma releitura das cartas que escreveu. Canção bela que é quaaaaaaase um jazz.

06. Caminhoneiro (John Hartford / Roberto Carlos / Erasmo Carlos)
Arranjo e regência: Charles Calello
O carro chefe do disco, muito executada nas rádios. Reza a lenda que a CBS (atual Sony Music) montou um esquema monstro para que a música fosse entregue nas rádios ao mesmo tempo na ocasião do seu lançamento. Roberto e Erasmo falam aqui do caminhoneiro, que pega a estrada, quase sempre de madrugada e pensa na amada, viaja em pensamentos, que pensa nela no caminho, etc. Música revisitada em alguns especiais de fim de ano. Segundo Paulo César de Araújo em seu livro, Roberto Carlos em detalhes: “No dia do seu lançamento nacional, dia 19 de novembro de 1984, no período das 7 às 19 horas, Caminhoneiro bateu um recorde: foi executada 3287 vezes em todo  o Brasil”.


07. Eu te amo (And I love her) (Lennon/McCartney) versão: Roberto Carlos
Arranjo e regência: Chiquinho de Moraes
Beatles na voz de Roberto Carlos, voz suave, uma releitura bem sofisticada de Roberto. O solo de guitarra (bem jazzístico por sinal) é de Zé Carlos. Bem diferente do bolerão açougueiro na gravação de Zezé di Camargo e Luciano anos depois. 

08. Sabores (Mauro Motta/Cláudio Rabello)
Arranjo e regência: Lincoln Olivetti
As frases dessa letra é tudo aquilo o que pensamos em falar para a pessoa amada e muitas vezes simplesmente não sai pela boca. As vezes não sabemos falar bonito, cada dia mais somos fãs da pessoa amada. Atenção para os 3 minutos e 30 segundos em que as cordas literalmente costuram a seqüência de  notas. Simplesmente maravilhoso. Não se faz mais música assim atualmente.

09. As mesmas coisas (Mauricio Duboc/Carlos Colla)
Arranjo e regência: Eduardo Lages
Essa música  destaca a diferença  entre o hoje e o ontem. Ontem fomos importantes para a outra pessoa, hoje já não somos nada. Marcante presença de teclados. A tecladeira aqui come solta.




Esse disco tem uma sonoridade superior a qualquer um gravado por outro artista brasileiro naquela época de meio dos anos 80. Os discos de Roberto sempre estiveram à frente do seu tempo. A produção é de Mauro Motta. Gravado nos estúdios Sigla – Brasil e A & M Records em Los Angeles. Mixado  no estúdio Sigma Sound – Nova York. Fotos de Luiz Garrido. Detalhe que as fotos, trazem um Roberto de cabelo mais grisalho, camisa e calça jeans. Essa seria talvez a última capa que mostrava o Roberto com o cabelo mais curto. Do disco seguinte, 1985, Verde e Amarelo, Roberto já voltaria a usar o cabelo um pouco mais comprido. Até chegar no penteado metal em 1989.
O especial de fim de ano da Globo foi um dos que eu mais gostei, porém, muitos anos sem assistir, me esqueci. Graças a internet e minha eterna mania de ir fuçando em tudo o que é link acabei conseguindo rever o especial. No especial tem as participações de Erasmo, Simony, Blitz, que especial senhoras e senhores. No site http://robertocarlosvideos.blogspot.com/search/label/1984 é possível assistir on line ao especial. As canções do Roberto, os arranjos me levam de volta à casa em que eu morava, o especial eu assisti com a minha mãe, eu colocando o disco no toca discos por várias vezes.
Velhos tempos, belos dias, eu tinha apenas 10 anos.

Na minha vida esse disco chegou em casa junto com um do Julio Iglesias, o 1100 Bel Air Place. Meu pai tinha ganhado os dois Lps de  amigo secreto no serviço se  não me engano. Estou com planos de falar de disco do Julio no blog do Baratta.

Roberto Carlos - Jesus Cristo



Mais um vídeo que eu não conhecia, o áudio está meio ruim, mas vale pelo valor histórico, apresentação creio que no programa Noche a Noche na Venezuela em 1975.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Exposição Oca Ibirapuera - parte 2

2ª PARTE
Continuando a minha visita a Exposição dos 50 anos de carreira do Roberto na Oca do Ibirapuera, a seguir depois dos carros e presentes, viriam o que eu chamei de Espaço Nestlé, os troféus e discos de ouro, platina e diamante. Até um prêmio em formato de fita k7 tinha lá. Ver esses discos de perto, quando a gente só vê em documentários, reportagens, fotos, dá uma emoção muito grande de ver tudo isso de perto.

Espaço Nestlé
No espaço Nestlé ficava um quiosque tipo uma lancheteria onde tinha café expresso, que eu bebia pelo menos uns cinco, chocolates, que eu comprei uma penca nos dias que fui pra concorrer ao tão sonhado calhambeque, por ser diabético comprei tudo zero açúcar, me entupi de chocolate e não ganhei o calhambeque que estava exposto para tirar foto. O pessoal da Nestlé tirava a foto, colocava no site e a pessoa podia fazer o download da foto.


Perto do espaço Nestlé, ficava uma cronologia em vídeos da carreira do Roberto. Com vários vídeos raros que encontram se na mão de colecionadores e fãs.
Ainda era o primeiro andar da Oca, muitas coisas ainda tinha para ver.


Troféus

Perto das redomas de vidro que expunham os presentes dos fãs, troféus foram expostos também.
O reconhecimento pelo sucesso do artista deve ser a maior recompensa além do carinho e respeito do público. Alguns desses troféus foram ganhados no exterior. Há um video do Roberto no Chile onde eu tenho a impressão que um dos troféus que eu vi é o mesmo do vídeo.






Na sequência os discos de ouro, platina e diamante.




























Ainda perto do ambiente com os discos de ouro ainda tinha o famoso triciclo e um piano com o famoso pedestal. Um pouco mais além, no térreo tinha a parte da discografia, com todos os discos da carreira do rei, nacionais e internacionais, os visitantes podiam ouvir as músicas, assistir aos vídeos, e as fotos das capas nas janelas da Oca. Ao tocar na capa ela mudava de um ano para outro.



Bom, vou encerrando a segunda parte por aqui, porque ainda tinha muita coisa para visitar. O subsolo e mais dois andares para cima... Na terceira parte o subsolo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O disco de 1992


1 – Você é Minha (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2 – Mulher Pequena (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
3 – De Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
4 – Você Como Vai? (Cláudio Baglioni) Versão Roberto Carlos/Erasmo Carlos
5 – Dito e Feito (Altay Veloso)
6 – Herói Calado (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
7 – Eu Preciso Desse Amor (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
8 – Você Mexeu Com A Minha Vida (Mauro Motta/Paulo Sérgio Valle)
9 – Dizem Que Um Homem Não Deve Chorar (Palmeira/Mario Zan/Pepe Ávila) Adap RC/EC
10 – Una En Un Millón (Roberto Livi/Alejandro Vezzani)



Esse eu diria que é um disco clean (limpo). Muito longe do som rústico dos anos 70, longe da sensualidade nas letras dos anos 80, o Roberto dos anos 90 é um Roberto mais ou menos assim: As músicas dos anos 70, eram tudo que a mulherada tinha que ouvir, letras arrojadas, baladonas do estilo corta pulso, etc. Nos anos 80, a fase de casado onde tudo é novidade, escute Pelas Esquinas de Nossa Casa, Só vou se Você For... Só recém-casado presta atenção nessas coisas, rs. Nos anos 90 meu caro, o romantismo continua presente porém agora com maturidade.


1 – Você é Minha (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo e arranjo de metais: Charlie Calello
Roberto descreve todas as particularidades da amada, da vida a dois, porque gosta tanto da amada e o porquê desse gostar tanto. Frases como (gosto tanto do seu jeito, se é de manhã te vejo, o jeito de tirar as meias, puxar o zíper, perfume) dão um panorama geral de como é gostoso o começo de namoro. Os sábios dizem, (no começo tudo são flores mesmo, depois avacalha). A música é bela, mas com uma bateriazinha programada sem vergonha que se extende em mais algumas faixas. A tecladeira seria uma constante de 90 até os dias de hoje.

2 – Mulher Pequena (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo: Charlie Calello / Arranjo de Cordas: Eduardo Lages
Roberto fala, antes de cantar a música no especial de 92 na Rede Globo, que numa pesquisa viu com Erasmo que a maioria das mulheres no Brasil era da estatura menor que 1,60m. Claro que não poderia faltar uma estrela global, Patrícia França enche tela com sua beleza. Aqui começa a fase do Roberto de homenagear a mulher em toda a sua plenitude. A baixinha, a gordinha em 93, a de óculos, a de 40 e parou com essa mania ao que tudo parece. Mas mulheres do Brasil todo se sentiram homenageadas com uma música de ninguém mais, ninguém menos que Roberto Carlos. Aqui há bateria gravada por John Robinson e o violão solo por Ramon Stagnaro.


3 – De Coração (Eduardo Lages/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo: Eduardo Lages
Eduardo Lages mata a pau na sua letra em parceria com Paulo Sérgio. Frases como (idas e voltas, paixão meio fora dos planos, quem sabe o sonho mais lindo que eu deixei passar) faz qualquer um se  debulhar em lágrimas. Aqui não há bateria de verdade, mas há o solo de guitarra de César Borg.

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4 – Você Como Vai? (E Tu Come Stai?) (Cláudio Baglioni) Versão Roberto Carlos/Erasmo Carlos
Arranjo: Charlie Calello
Bela versão da música de Cláudio, cantor e compositor italiano de uma carreira de muitos êxitos. Uma das minhas preferidas, diga se de passagem. Uma revisita do rei à um estilo que podemos considerar um rock romântico. Nas guitarras, Mr. Paul Jackson Jr e na bateria John Robinson. Os metais passeam pela música toda, com arranjos minuciosamente escritos.


5 – Dito e Feito (Altay Veloso)
Arranjo: Eduardo Lages
A letra é riquíssima. Altay Veloso é um compositor nascido em São Gonçalo, RJ. Vários nomes brasileiros já gravaram suas canções. As frases (fechei meus olhos para os seus erros, não dei ouvidos quando um amigo disse cuidado) são coisas que ficaram legais na voz do Roberto. Mais uma bela canção, de um excelente compositor em um disco do Roberto. Na bateria, uma tomada 110W.

6 – Herói Calado (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
Arranjo de base e metais: Charlie Calello / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Música dedicada ao povão. Roberto e Erasmo acertam em cheio com a letra, lembrando do pessoal que vai e volta amarrotado no trem. A guitarra solo é de Dean Parks.

7 – Eu Preciso Desse Amor (Michael Sullivan/Paulo Massadas)
Arranjo: Eduardo Lages
A ausência de instrumentos de verdade na músicas é uma coisa que me incomoda. George Harrison disse certa vez que gostava de música de verdade, de ouvir um músico de verdade tocando. Quando eu gravei uma música minha chamada Razão de Tudo em 2004, onde tentei dar uma de Paul McCartney tocando tudo sozinho, ao gravar a bateria eletrônica que consiste em todas as peças de uma bateria normal, mas com um cabo saindo de cada peça e indo para um distribuidor geral, me senti um traidor da música por estar gravando em uma coisa eletrônica. Pra quem é baterista sabe, não é a mesma coisa você sentar o pé no pedal e tocar um bumbo convencional e um bumbo eletrônico. Para ouvidos mais exigentes é a mesma coisa. Toque um disco de música com citações clássicas com violinos, quarteto de cordas e um disco com o (preset de teclado) strings. Ouvidos exigentes irão preferir o disco com quarteto de cordas de verdade. A música dos hit makers Sullivan e Massadas tem várias citações interessantes que fazem jus ao nome da canção. A letra já propõe uma volta da pessoa amada, uma volta no tempo numa tentativa para consertar os erros cometidos.





8 – Você Mexeu Com A Minha Vida (Mauro Motta/Paulo Sérgio Valle)
Arranjo de Base: Charlie Calello / Arranjo de cordas: Eduardo Lages
Roberto é um artista flexível. Aceita por exemplo cantar uma canção que a letra não siga fielmente o seu estilo de compor. Está aí uma das provas da diversidade de estilo, agora aqui em letra. Mauro Motta e Paulo Sérgio trazem para os dias de hoje que o amor antigo é uma coisa bonita, meio esquecida. E as perguntas que nos fazemos quando estamos na situação da canção, (Porque é que você não ficou como um breve momento?; Nessa coisa de amor é preciso ter muito cuidado). Boa canção da dupla. Roberto faz o refrão consigo mesmo em overdub.

9 – Dizem Que Um Homem Não Deve Chorar (Palmeira/Mario Zan/Pepe Ávila) Adap RC/EC
Arranjo: Charlie Calello
Bela música gravada por Roberto, composta em 1958 por Mario Zan, Diogo (Palmeira) Mulero. Mario Zan quem, não conhece a (música de quadrilha da festa junina)? Além da música da festa junina, Mario gravou muitos discos de sucesso e compôs pérolas como a música para o Quarto Centenário da cidade de São  Paulo e  Chalana (que minha mãe adora). Essa canção é uma verdadeira volta ao mundo em 34 anos. Ela foi gravada pela primeira vez em 58 por Palmeira e Biá obtendo grande sucesso pela gravadora Chantecler. A música chamava-se Nova Flor. Foi versionada por Arthur Hamilton e gravada por The Letterman como Love me Like a Stranger. A gravação foi um dos temas em Pecado Capital em 75. Pepe Ávila fez a versão para o castelhano “Los Hombres no Deben Llorar”. Sendo revisitada e adaptada por Roberto Carlos em 92. Muita gente gravou essa canção.
Créditos para Antonio Carlos Pereira que postou os esclarecimentos sobre a canção no Clube do Rei.

10 – Una En Un Millón (Roberto Livi/Alejandro Vezzani)
Arranjo: Julian Navarro
Bela canção de Roberto Livi, o mesmo de Se o Amor se Vai de 88. Roberto Carlos sempre fez questão de colocar uma música por disco em espanhol. Isso vem desde 73 com El Dia Que Mi Quieiras. Roberto tem a sua carreira fora do Brasil também. Lá fora é um disco por ano. O Box Pra Sempre em espanhol, traz os discos em espanhol de todos os anos. Os discos são lançados primeiramente no Brasil e depois no exterior. Sendo assim, o disco de 92 (Você é Minha), vai ter a sua versão em 93 (Tu Eres Mia). Aliás, esse disco em espanhol vem com um track list curioso, além da foto do mesmo ensaio e que não saiu no disco do Brasil. 



1.Mujer Pequeña
2. Tú Eres Mia
3. No Me Dejes
4. Todas Las Mañanas
5. Escenario
6. Luz Divina
7. Dime Unas Cosas Bonitas
8. Y Tú Como Estás?
9. Pregúntale A Tu Corazón
10. Dicho Y Hecho

Ou seja, nem todas as músicas desse disco foram versionadas para o espanhol.

Gravado nos estúdios Conway e Westlake (LA), Sigla, Estúdio K, Mix e Transamérica (RJ) e Crescent Moon em Miami. As fotos são de Milton Montenegro.

Considerações finais.
O disco tem uma sonoridade gostosa de ouvir, não esquenta a cabeça. Aqui Roberto grava com Eduardo Lages na tecladeira, maestro Tutuca, mas os gringos continuam a aparecer em algumas músicas. As letras falam de amor nas suas mais diversas situações, isso é praxe no Roberto, ele faz disco dizendo de várias situações. Aqui começa as homenagens direcionadas especialmente às fãs, aqui foi para as mulheres pequenas, ainda viriam homenagem às mulheres acima do peso, de 40, de óculos, etc. No especial do ano de 1992, Roberto dedica o programa a Augusto César Vanucci. O rei aparece com um blaser amarelo. O especial ainda conta com as participações especiais de Chitãozinho e Xororó, Erasmo Carlos, Kátia e Caetano Veloso. Além de parte do elenco da Globo destruindo a canção Um Milhão de Amigos. Os piores destaques ficam para Fábio Assunção, Diogo Vilela, e Edson Celullari.
O disco completa agora em 2012, vinte anos. Velhos tempos, belos dias...