terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Progresso - magoando aos poucos snif


Isso é uma discussão antiga já. A digitalização do som trouxe limpeza, tudo bem. Melhorou a portabilidade, o que alguns anos atrás o consumidor comprava em cd na loja, hoje ele pode carregar em um cartão de memória e carregá-lo na carteira. Eu sou um grande freqüentador de sebos. Por isso, me corta o coração quando vejo um compacto lá, esquecido.

Selo CBS -  Outro detalhe, é que por algum motivo, o selo do disco sempre me chamou atenção. Nessa época, eu tinha 2 anos, mas anos depois, acabei sabendo que o logotipo da CBS era no meio do selo até exatamente 1976. Já em 1977 o selo DISCOS CBS seria escrito na parte superior e com os anos mudaria de cor algumas vezes. E a última mutação, o selo voltaria a ser vermelho e o nome Columbia e CBS passaria a ser Sony em 1991. 

   


 
 



 


Desenho do meu amigo Robertista Marlos.



Som, Equalização - Eu sempre notei uma queda na qualidade de som dos discos de Roberto nessa época. Pois os discos de 80, 81(o melhor dos meus em som), 87 (um disco pesado com ótima resposta de graves e agudos), o de 91 é um vinil quase um plástico.
A questão é que assim como na discografia em cd dos Beatles, a EMI demorou para soltar uma edição decente dos discos. Mas é assim, logo que saiu, uma imensa soma de fãs correu para comprar. O assunto era: Uau! Beatles em cd. Depois falavam: mas o som está estranho, agudo demais... Com o Roberto pensei o mesmo: Roberto em cd! Mas a CBS, ou Sony já tinha tentado dar um trato nas gravações. Teve a coleção The Master – Remasterizado do tape original por processo digital, tenho uma fita cassete original do disco em inglês de 1981, o som ficou mais limpo, mas não chega perto do que temos hoje em dia.

A verdade é que a discografia do Roberto foi constantemente relançada. Hoje temos no mercado as coleções, Pra Sempre (meu sonho de consumo, mas sempre me falta o principal – grana) e a coleção com os álbuns individuais da coleção comemorativa pelos 50 anos de carreira.
Sendo assim, hoje temos dois tipos de consumidores. Os que compram a cada novidade e se desfazem das edições anteriores e os que ficam com tudo. Isso já foi pauta em um fanzine sobre os Beatles: O que fazer com os VHS´s,  dvds que  são relançados com mais extras e cenas que não entraram na versão oficial. Ou seja, o fã de Beatles hoje, tem um sério problema, pois ele tem as fitas de vídeo dos filmes, depois em dvd, depois o relançamento e a tendência é piorar, estão chegando os Blue Ray´s. Hoje eu tenho duas ou 3 cópias de um mesmo vinil, ainda se bobear vou atrás de um compacto extraído do LP, geralmente com uma capa ou contra capa diferente.
O famoso primeiro Lp do Roberto o Louco por Você, vale até hoje a marca R$ 5000, ou mais. Mas é mais pelo valor histórico, pois ele não vai ter aquele som limpinho, pois nunca foi relançado em cd, o que existe pela internet foi digitalizado a partir do próprio vinil. Lembre-se que ele foi gravado em 1961. O mesmo vale para o Lp Roberto Carlos canta a La Juventud. Disco que foi lançado na época por aqui, mas logo retirado das lojas, pois a gravadora achou que os discos em espanhol “não teriam êxito no mercado nacional”. Mas, é raridade. Som limpinho ou não, tem que ter. Outro disco fora de catálogo mas relançado na Coleção Pra Sempre é o disco do ano de 1970, Roberto Carlos narra o Pedro e o Lobo. O cd tem por aí para baixar, se quiser original, tem que comprar o Box da Coleção Pra Sempre dos anos 70. Mas nada vai substituir o vinil com a capa enorme, e o selo CBS azul de edição especial. Muito menos o prazer de colocá-lo no toca disco.

Coisas que o digital matou de vez:

Músicas de compacto, geralmente não foram lançadas no LP, ou então tem uma versão diferente que só saiu em compacto. Graças a pessoas com tempo dedicação para digitalizar e compartilhar, temos hoje disponibilizadas na internet algumas pérolas do Roberto como uma versão de Meu Pequeno Cachoeiro do disco de 1970, porém só violão e voz. Outra raridade é a L´Utima Cosa, lado B do compacto Canzone Per Te e foi lançada também no compacto Roberto Carlos em Ritmo de Aventura vol III.
1976 também é o ano que foi lançado o disco San Remo 1968, com canções que estavam “espalhadas” em compactos e na série As 14 Mais. Com um texto brilhante na contra capa do saudoso Big Boy.

Fotos , parte gráfica e embalagem – a partir de 1975 Roberto começou a fazer a capa em formato de álbum. Ao abrir a capa sempre tinha alguma foto como Roberto no triciclo em 76, ao vivo em 75, 1977 foi um dos poucos discos com o formato simples, porém com um encarte maravilhoso. A edição em cd “limou” as fotos de vez excluindo a da contra capa, do meio do álbum. As fotos da capa por exemplo estão vindo na pior qualidade possível. Quase chorei quando chegou o meu cd original que comprei por um canal de vendas virtual. Aliás, os dois de 1981, em português e inglês. Do disco que contém os clássicos Ele está pra Chegar, Emoções, As baleias, entre outros, colocaram a foto da capa, sem a clássica moldura branca, a foto por sua vez está como se fosse revelada fora de foco, a do disco inglês idem. De 1981 para frente viriam as letras e ficha técnica dos álbuns. As embalagens, no formato digipack até dá gosto de colecionar, mas as últimas estão vindo no velho formato caixinha de acrílico.

No final das contas podemos concluir que fã de Roberto sofre. Apesar de tudo ainda rola a emoção de ver numa prateleira de uma loja de departamentos um cartaz como eu vi ontem que dizia: “Dvds Roberto Carlos só 14,99”. Todos dali eu já tenho.